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Papa Francisco intercede pela Paz na Ucrânia

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A Ucrânia alcançou a independência em 1991, após o colapso da União Soviética. Desde então, o país tem oscilado entre a aproximação ao Ocidente e o reforço dos laços históricos com a Rússia. A Crimeia foi território russo desde 1783, na sequência da assinatura do Tratado de Küçük Kaynarca, entre o Império Otomano e o Império Russo, em 1774, status quo que se manteve até meados do século XX. A Península do Mar Negro foi oferecida por Nikita Khrushchev, PrimeiroSecretário do Partido Comunista da União Soviética, à então República Socialista Soviética da Ucrânia, em 1954, como gesto simbólico de amizade. Em março de 2014, no decurso da crise política desencadeada a partir da sucessão do expresidente ucraniano Viktor Yanukovich, as Forças Armadas Russas entraram na Crimeia, região com maioria populacional russófona. Teve, então, início um conflito que, somente nos primeiros meses, causou mais de 3.000 vítimas mortais, sobretudo civis[1].

O Papa Francisco tem desenvolvido contatos intensos com líderes políticos europeus desde a anexação da Crimeia pela Rússia. No dia 20 de fevereiro, o Papa se reuniu com os Bispos ucranianos, congregados no Vaticano em visita “Ad Limina Apostolorum” – “Visita aos Túmulos dos Apóstolos[2]. Naquela oportunidade, Francisco sublinhou que “a crise desencadeada no vosso país teve, como é compreensível, graves repercussões na vida das famílias[3]. Consequentemente, assinalou Francisco, à situação calamitosa antes referida, “juntam-se as consequências daquele mal entendido sentido de liberdade econômica que permitiu a formação de um restrito grupo de pessoas que se enriqueceram em grande medida, em desvantagem da maioria dos cidadãos. A presença deste fenômeno atingiu infelizmente, em diversas medidas, também as instituições públicas. Isto gerou uma pobreza iníqua numa terra generosa e rica[4].

Propondo, aos Prelados ucranianos, “um caminho para a paz[4], o Papa apontou a unidade dos cristãos – ortodoxos e católicos – como sendo aquilo que poderá criar pontes de comunhão entre todos. Neste sentido, o Sucessor de Pedro enfatizou: “A unidade do Episcopado, além de dar um bom testemunho ao Povo de Deus, presta um serviço inestimável à Nação, quer no plano cultural e social, quer, sobretudo, no espiritual. Sede unidos nos valores fundamentais e tende em comum os tesouros mais preciosos: a fé e o povo de Deus. Por isso, considero da máxima importância as reuniões comuns dos Bispos de todas as Igrejas sui iuris presentes na Ucrânia. Sede sempre generosos, falando entre vós como irmãos![5].

Reunida em audiência privada com o Papa, no Vaticano, no dia 21 de fevereiro deste ano, a chanceler alemã Angela Merkel, compartilhou com o Sumo Pontífice o “compromisso de chegar a uma solução pacífica para o conflito na Ucrânia[6]. Em 10 de junho passado, Francisco se encontrou em audiência privada com Vladimir Putin na Biblioteca do Palácio Apostólico do Vaticano, tendo reafirmado, ao dirigente russo, a necessidade de um “importante e sincero esforço de alcançar a paz[7] na Ucrânia.

No comunicado então emitido, a Santa Sé reconheceu a existência de um “entendimento na importância de reconstruir uma atmosfera de diálogo, e que todas as partes envolvidas se comprometam a aplicar os acordos [de cessar-fogo] de Minsk[8], ou Minsk II[9], assinado em 15 de fevereiro de 2015, para pôr fim ao conflito na região de Donbass, leste da Ucrânia[10].

Recentemente, a Rússia e os grupos de autodefesa de Donetsk e Lugansk acusaram o Exército Ucraniano de ter violado a trégua acordada em Minsk, responsabilizando o Governo da Ucrânia de estar a preparar uma ofensiva contra os autonomistas de Donbass. A Rússia, que recusou o Golpe de Estado das forças conservadoras, levado a cabo em fevereiro de 2014, tem apoiado a causa de Donbass[11]. No dia 23 de agosto, após a Oração do Angelus, preocupado com a intensificação do conflito no leste ucraniano, o Sumo Pontífice fez um apelo à paz: “Sigo com preocupação o conflito na Ucrânia oriental, que se exacerbou nas últimas semanas. Renovo o meu apelo a fim de que sejam respeitados os compromissos assumidos para alcançar a pacificação, e com a ajuda das organizações e das pessoas de boa vontade, se responda à emergência humanitária no país[12]. Por outro lado, em 24 de agosto, com motivo do 24.º aniversário da Independência da Ucrânia, em mensagem enviada ao presidente Petro Poroshenko, o Papa declarou apoiar “os esforços que ajudam a nação ucraniana [a] avançar num espírito de paz e reunificação[13], numa altura em que se verifica a existência de “cerca de 2.100 soldados mortos no conflito na[região de] Donbass contra os pró-russos, cerca de 7.000 os feridos, [e] 6.800 mortes no total desde o início das hostilidades[14].

Num conflito como o do Leste da Ucrânia, atualmente em curso, no qual os interesses mundiais se encontram em jogo, os apelos à paz e as iniciativas levadas a cabo para que as hostilidades deixem de ter lugar são, sempre, ações dignas de registro. Neste sentido, os esforços do Papa Francisco destinados a promover o contato entre as partes desavindas são fundamentais, como o são as reuniões que ele tem mantido com os líderes internacionais no sentido de se reduzir o derramamento de sangue entre civis e militares, caminhando progressivamente para uma solução política do conflito da Crimeia.

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Imagem Vladimir Putin e o Papa Francisco. Cidade do Estado do Vaticano, 25 de novembro de 2013” (Fonte):

http://static4.businessinsider.com/image/53346b7d69bedd416c184b26-1200-800/rtx15svm%20(2).jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/numero-de-vitimas-diarias-triplicou-na-ucrania-diz-onu

[2] Ver:

Cân. 399§ 1. O Bispo diocesano tem a obrigação de se apresentar ao Sumo Pontífice, a cada cinco anos, com um relatório sobre a situação da diocese que lhe está confiada, de acordo com o modo e tempo determinados pela Sé Apostólica. § 2. Se o ano determinado para a apresentação do relatório coincidir, total ou parcialmente, com o primeiro biênio após o início de seu governo da diocese, o Bispo, por essa vez, pode deixar de apresentar o relatório. Cân. 400 § 1. No ano em que é obrigado a apresentar o relatório ao Sumo Pontífice, salvo determinação contrária da Sé Apostólica, o Bispo diocesano deve ir a Roma para venerar os sepulcros dos Apóstolos Pedro e Paulo e apresentar-se ao Romano Pontífice.”, AAVV, Código de Direito Canônico, 12.ª ed., São Paulo, Edições Loyola Jesuítas, 2013, trad. do latim pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, pág. 211.

[3] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/february/documents/papa-francesco_20150220_ad-limina-ucraina.html

[4] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/february/documents/papa-francesco_20150220_ad-limina-ucraina.html

[5] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/february/documents/papa-francesco_20150220_ad-limina-ucraina.html

[6] Ver:

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/the-pope/11427150/Merkel-and-Pope-discuss-Ukraine-at-Vatican-meeting.html

[7] Ver:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-06-10-Papa-Francisco-apela-a-esforcos-sinceros-de-Putin-na-Ucrania

[8] Ver:

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-06-10-Papa-Francisco-apela-a-esforcos-sinceros-de-Putin-na-Ucrania

[9] Ver – “O primeiro Protocolo de Minsk, assinado em 5 de setembro de 2014, reduziu os combates na região, embora confrontos menores continuassem a ter lugar. Em janeiro de 2015, as forças separatistas da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk iniciaram uma ofensiva nas regiões controladas pela Ucrânia, tendo-se verificado, deste modo, o colapso do Protocolo de 2014”. Vide AAVV,Protocol on the Results of Consultations of the Trilateral Contact Group, Signed in Minsk, 5 September 2014, s. l. [Minsk], O.S.C.E., 2014, 2 págs. [versão em russo]. Disponível online, em:

http://www.osce.org/ru/home/123258?download=true

[10] Ver:

Cf. AAVV, Package of Measures for the Implementation of the Minsk Agreements, s. l. [Minsk], 2015, 4 págs. [versão em russo]. Disponível online,em:

http://www.osce.org/ru/cio/140221?download=true

[11] Ver:

http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=4094511&Itemid=1

[12] Ver:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2015/documents/papa-francesco_angelus_20150823.html

[13] Ver:

http://pt.radiovaticana.va/news/2015/08/25/papa_rezo_pela_paz_na_ucr%C3%A2nia,_e_pelos_que_sofrem/1167254

[14] Ver:

http://pt.radiovaticana.va/news/2015/08/25/papa_rezo_pela_paz_na_ucr%C3%A2nia,_e_pelos_que_sofrem/1167254

J. M. de Barros Dias - Colaborador Voluntário Sênior

É Licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto (Portugal) e Doutor em Filosofia pela Universidade de Évora (Portugal). Professor Associado da Universidade de Évora, reside em Curitiba desde início de 2012, onde é Professor na Faculdade São Braz e na Faculdade Inspirar. É autor de doze livros e mais de cem artigos científicos nas áreas da Ética, Filosofia da Educação e Filosofia Social e Política.

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