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Para garantir posição, Maduro investe no assistencialismo e no que chama de “ofensiva econômica”

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Para garantir o processo político de implantação do socialismo na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro continua investindo no que denomina “ofensiva econômica”. Conforme informou o ministro do comércio Dante Rivas, nos últimos dois meses, de 22 de abril a 19 de junho, quinta-feira passada, 4.400 empresas foram “inspecionadas”, sendo as “inspeções” uma das ações táticas para enfrentar a escassez de produtos no país.

A razão para isto se deve ao fato de que o Governo tem transferido para o empresariado a culpa pela falta de produtos, acusando-o de usura e punindo as empresas onde há desabastecimento para fazer com que elas, primeiramente, apliquem o que chama de “preço justo”, mas, principalmente, que revertam a escassez, já que os governantes acreditam que isso ocorrerá pelo temor da punição que será imposta. Ou seja, acredita o Governo que a falta de produtos decorre de uma decisão dos empresários e não da lógica da economia e do mercado. Segundo o Ministro, 924 empresas foram sancionadas, declarando que “Estén donde estén, los usureros se encontrarán con la mano del Estado[1].

A “Lei do Preço Justo” foi a medida adotada pelo Governo para enfrentar o que denominam “Guerra Econômica” realizada pelos empresários venezuelanos, sendo o seu resultado esta dificuldade para o povo adquirir toda categoria de bens, incluindo os gêneros de primeira necessidade do cidadão. Sendo assim, o tabelamento de preços, a estatização, a fiscalização contínua dos empreendimentos ainda privados e o controle dos planejamentos empresariais para que fiquem de acordo com o projeto governamental se justificam como medidas de combate escolhidas pelo Regime.

Além disso, dentro da “ofensiva econômica”, recentemente, o Governo realizou um reajuste de 30% do salario mínimo[2], algo que vem sendo sentido de forma pesada pelo setor empresarial que argumenta estar à beira do colapso, já que não pode repassar os custos para o consumidor (especialmente devido à fiscalização dos preços) e não tem margem de lucro para pagar os custos, garantir a aquisição de insumos, nem gerar capital suficiente para fazer investimentos.

Economistas venezuelanos vem respondendo que a crise tem como responsável o Regime bolivariano, por não conseguir entender a lógica de uma economia empreendedora e ter centralizado no Estado a perspectiva dos empreendimentos, algo que reduz a diversificação e impede o desenvolvimento do país.

Dentre estes economistas, Luis Vicente León vai mais adiante e conclui que, neste momento, a crise venezuelana tem o próprio presidente Nicolás Maduro como causador da força que ela adquiriu, responsabilizando-o diretamente pela condição em que está a Venezuela, já que, segundo aponta, há duas razões para que num país se desenvolva uma crise econômica: (1) ser produzida por choques externos, ou (2) ser gerada por que um modelo econômico não está mais funcionando[3].

No caso venezuelano, segundo entende, a crise se deu graças ao modelo econômico que fracassou, e, para chegar ao ponto em que está, viu ocorrer a implementação de medidas incorretas por parte deste Governo, medidas que vão desde a forma de tratar a taxa de câmbio do dólar até a recusa em admitir o problema de segurança no país, bem como a política errada de investimentos realizada em todos os setores.

Ele enumerou algumas falhas principais: “1. El problema cambiario ‘es una política incorrecta’, aseguró; 2. Controles de precios; 3. Las expropiaciones que si bien el analista reconoció que durante el Gobierno de Nicolás Maduro esta política ha disminuido, señaló que la implementación de esta durante 16 años causó un ‘gran impacto a la crisis’; 4. El tema laboral y la aplicación de instrumento legal que si bien beneficia a los trabajadores, ha generado estímulos negativos.”[3], concordando com o posicionamento de vário observadores que têm se expressado nos jornais ao longo dos últimos anos.

Independente das críticas, o Presidente mantém sua postura e, além da “ofensiva econômica”, tem intensificado as Missões e os programas sociais do Governo[4] para atuar diretamente nas comunidades carentes, onde detém seu maior capital político e a base para manter o Regime Bolivariano no poder, acreditando que tal comportamento poderá reverter a crise.

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Imagem (Fonte): wikipedia

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.infobae.com/2014/06/22/1575000-el-chavismo-inspecciono-mas-4000-empresas-como-parte-la-ofensiva-economica

[2] Ver:

http://www.economiaynegocios.net/20862/nicolas-maduro-asesta-otra-estocada-al-sector-privado-en-venezuela/

[3] Ver:

http://noticiasvenezuela.org/2014/06/hablando-claro-luis-vicente-leon-la-crisis-economica-es-culpa-de-nicolas-maduro/

[4] Ver:

http://www.ultimasnoticias.com.ve/noticias/actualidad/politica/video—domingo-de-misiones-atendio-a-500-comunida.aspx

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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