LOADING

Type to search

Share

A imprensa Paraguai está anunciando que o Governo paraguaio está buscando aproximação com os EUA. A primeira informação é que políticos tem buscado conversar com generais norte-americanos para a instalação de uma base militar na região do Chaco, ocidente o Paraguai.

De acordo com que vem sendo disseminado, seria ocupado um aeroporto internacional no vilarejo de Mariscal Estigarribia, onde há uma pista de 3,5 km de extensão e 40 m de largura, dotada de radar, sistema para aterrissagem noturna, bombas de abastecimento e hangares de grande porte*, visando o pouso e decolagem de aeronaves de grande dimensão. Afirmam que a pretensão é permitir acesso a frota norte-america e o transporte de tropas e material militar.

 

Analistas estão apontando que é interesse dos EUA manter seu posicionamento geopolítico na região e desejam combater a integração regional, além de terem interesse direto do “Aqüífero Guarani”.

O especialista em geopolítica da América do Sul, o argentino Carlos Pereyra Mele, da “Universidade Nacional da Patagônia” acredita que os norte-americanos “têm interesse na manutenção de sua hegemonia na região, em detrimento de uma integração latino-americana”*. Outra argentina, Stella Calloni, afirma que os quartéis paraguaios estão preparados para receber os estadunidenses e chega a declarar que 400 militares se revezam em atividades dentro do território paraguaio, possuindo imunidade que foi dada em 2005 e é revalidada automaticamente.

A embaixada dos EUA nega as afirmações e declara em informe numa página oficial que: “os Estados Unidos não têm planos para uma base militar no Paraguai, não pediram ao governo paraguaio uma base na região, e não têm intenções de enviar soldados ao país. (…). os EUA não apoiam nenhum setor político do Paraguai e nem realizam doações disfarçadas a organizações não governamentais para apoiar objetivos políticos. (…). Os Estados Unidos não têm nenhum interesse no aqüífero… (…) existem abundantes recursos de água no país e que a ideia de transportar a água do local para a América do Norte é absurda… (…) o governo dos Estados Unidos não se intromete em assuntos internos do Paraguai e crê firmemente que são os paraguaios quem devem decidir sobre decisões e o rumo do país… (…) o congresso paraguaio estendeu aos militares uma categoria equivalente à concedida a funcionários administrativos e técnicos da embaixada (que está de acordo coma  Convenção de Viena). (…). Este acordo não outorga nenhuma imunidade nas jurisdições civil e administrativa do país anfitrião por atos cometidos fora do âmbito de seus deveres”*. Diante da hipótese, o ministro brasileiro da Defesa, Celso Amorim tomou como esdrúxula a possibilidade e, no caso de ser verdade, isto “resultaria no isolamento de longo prazo do Paraguai”*.

Observadores apontam a possibilidade da aproximação, mas concordam com a declaração estadunidense, levantando ainda o fato de a renovação dos vistos poderem ter sido expostas, criticadas ou recusadas durante o governo de Ferando Lugo, algo que não foi feito. Segundo vem sendo divulgado, há políticos e autoridades do país que desejam a aproximação com os norte-americanos tanto para ao combate ao crime organizado, como ao narcotráfico e à guerrilha, como também para  reforçar a defesa do país.

O deputado José Gregorio López Chavez (presidente da comissão de Defesa da Câmara dos Deputados do Paraguai) declarou que tem se reunido “informalmente entre políticos e militares”* e afirma: “a Bolívia está realizando uma corrida armamentista e que o Paraguai precisa proteger essa área pouco povoada do país… (…). Se a Bolívia pode receber apoio da Venezuela, porque os paraguaios não podem estar aliados com os americanos?”*.

A ministra da Defesa, María Liz García de Arnold, concorda com o Deputado e declarou: “o Paraguai deve ter mobilidade suficiente para realizar alianças estratégicas com países que lhe dê as mãos que o façam sócio em igualdade de condições e oportunidades”*.

Analistas apontam que o fato pode estar se consumando, pois mesmo militares brasileiros detectaram a presença de militares norte-americanos em território paraguaio observando as operações brasileiras no exercício militar da “Operação Ágata 5”.

No entanto, levantam o fato de o Paraguai ter sido isolado pelos sul-americanos, em especial pelos, países do MERCOSUL que o suspenderam do Bloco e aprovaram a entrada da Venezuela desconsiderando a posição paraguaia. Ademais, apontam que o país está cercado por duas alianças militares de alta periculosidade para o Paraguai: uma  entre o Venezuela e Bolívia (que permite o envio de tropas venezuelanas para o território boliviano, além da troca de informações, treinamento, fornecimento de armamentos, planejamento estratégico conjunto) e outro firmado recentemente entre Venezuela e Argentina (que pretende ter a mesma amplitude do anterior), as quais não teriam dúvidas em invadir o Paraguai se julgassem adequado. 

Os paraguaios haviam declarado logo após as medidas adotadas no MERCOSUL que buscariam acordos bilaterais e realizariam Tratados visando a Defesa de seu território, agora sem responder as exigências do “Mercado Comum do Sul”, já que foram postos de lado nas manobras realizadas pelas lideranças argentina, brasileira e venezuelana, apesar das críticas e contraposições do Uruguai.

Por essa razão, os observadores confluem para a opinião de que o Brasil se tornou o principal perdedor do processo iniciado apos a deposição de Fernando Lugo, pois admitiu a entrada de um ator que lhe trará problemas (a Venezuela), o qual tenderá a apoiar a Argentina contra os brasileiros e não poderá impedir que o Paraguai realize suas alianças com os EUA, dando-lhe força e estimulando a sua economia (caso os estadunidenses ajam de forma adequada), que são legítimas perante a comunidade internacional, uma vez que respondem as necessidade políticas, econômicas e de segurança nacional do Paraguai.

————–

Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6103169-EI8140,00-Presenca+de+militares+dos+EUA+levanta+suspeitas+no+Paraguai.html

————-

Ver também:

http://www.fatimanews.com.br/noticias/presenca-de-militares-dos-eua-levanta-suspeitas-no-paraguai_137757/

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.