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[:pt]Park Geun-hye e seu futuro incerto à frente da Coreia do Sul[:]

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Em 2015, ela foi uma das pessoas mais poderosas do mundo; em 2016 uma das mulheres mais poderosas; porém, em 2017, poderá ser a primeira Presidente impichada na Coreia do Sul. A presidente sul-coreana Park Geun-hye tem sua vida ligada a política de seu país, incialmente por ser filha de Park Chung-hee, Presidente da Coreia do Sul, entre 1963 e 1979; além disso, por ter vivido sua infância em meio as tensões entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Em1974, com 22 anos perdeu sua mãe, Yuk Young-soo, em um atendado norte-coreano contra a vida de seu pai. Após a morte de sua mãe, a jovem Park teve que entrar para a política, assumindo o papel de Primeira Dama em exercício da nação, adaptando-se bem ao mundo político.

Durante os anos em que seu pai foi Presidente do país, houve um grande desenvolvimento econômico devido a exportações e aos investimentos feitos em infraestrutura e educação por toda a Coreia do Sul, aliado ao comprometimento de Seul em manter boas relações com potenciais parceiros econômicos ao redor do mundo. Na Coreia, aquele momento foi nomeado como Milagre do Rio Han, devido aos feitos que são lembrados até hoje, mas que teve um fim trágico na época, quando Park Chung-hee foi assassinado em 1979 por um dos agentes da inteligência sul-coreana.

Park Geun-hye manteve-se no mundo da política sul-coreana desde aquele período, passando por importantes cargos e tendo assumido a Presidência do Partido Saenuri, entre os anos de 2004 e 2006, ainda sob o antigo nome Grande Partido Nacional (GNP, na sigla em inglês). Antes de vencer as eleições presidenciais de 2012, ela era membro da Assembleia Nacional da Coreia do Sul, na qual foi legisladora desde 1998, preservando uma boa rede de contatos que lhes foram úteis na corrida eleitoral que viria a disputar.

Em 2012 o mundo passava por uma grande crise econômica, muitos países tiveram líderes reeleitos, mas não foi assim na Coreia do Sul. Moon Jae-in havia sido derrotado por Park, algo que surpreendeu vários especialistas na época. O professor de estudos coreanos da Universidade de Tufts, Sung-Yoon Lee, via Park em um conflito de opiniões populares nas cidades coreanas, pois numerosos cidadãos a tomavam como a filha de um ditador, embora outros a vissem como a filha do Presidente que contribuiu com o desenvolvimento econômico sul-coreano.

David Straub, diretor de estudos coreanos na Universidade de Standford, havia dito em entrevista à PBS que a sua vitória havia sido pela sua linha conservadora, algo que, na Coreia do Sul, significava dar prioridade aos negócios e não apenas enfatizar os temas ligados à Coreia do Norte. Park sempre foi bem rígida quando o tema era Pyongyang, mesmo sendo a favor da reunificação da Península.

Após assumir o cargo de Presidente de uma das principais potências da Ásia e uma das grandes economias globais, a Forbes classificou-a como uma das mulheres mais poderosas e influentes em 2015 e 2016. Mas, em seu país, a opinião pública sempre foi muito dividida, variando conforme os temas que mais abalavam a Coreia do Sul, pois a sua classificação por entidades estrangeiras e a opinião de outros líderes globais não são tão relevantes para os sul-coreanos.

Com a abertura do Processo de Impeachment contra a presidente Park, em dezembro de 2016, a opinião pública coreana já tinha 67% de pessoas pedindo a sua renúncia. Ter seu nome envolvido em casos de corrupção abalou completamente a imagem da Presidente, que hoje está afastada.

Segundo a promotoria que conduz o Processo de Impeachment, Park está ligada a um enorme esquema de extorsão de empresas sul-coreanas, conspirando com uma de suas amigas de infância, Choi Soon-sil, em um caso que envolve grandes empresas do país, dentre elas a Samsung. A amiga de Park e o herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, um dos líderes da gigante coreana, estão sendo ouvidos pelas autoridades competentes. Choi já está em cárcere e Lee está aguardando autorização da justiça para sua prisão ser efetivada.

Choi e outras pessoas investigadas dizem que Park Geun-hye não tem envolvimento no caso de corrupção, mas opositores da Presidente fazem de tudo para afastá-la em definitivo. Eles tentaram até aumentar as acusações contra ela, em casos que envolvem crime de responsabilidade à segurança nacional, conforme já notificamos em Notas Analíticas no CEIRI NEWSPAPER, mas isso não abala o país tanto como o caso de propina envolvendo-a com as grandes corporações sul-coreanas.

Park entrou para a história como a primeira mulher a assumir à Presidência na Coreia do Sul e poderá ser a primeira a ser impichada no país, sendo que, no ano de 2004, o então presidente Roh Moo-hyun havia passado por um Processo de Impeachment. Sua acusação era por pedir apoio eleitoral durante as eleições parlamentares, algo que é proibido na Coreia do Sul, mas a Corte Constitucional entendeu as acusações como insignificantes e Roh retornou de seu afastamento, cumprindo o mandato.

Diferente do caso de Park, a população havia realizado fortes manifestações em apoio a Roh Moo-hyun durante o tempo em que o pedido de impeachment era analisado e julgado. No caso atual, a opinião pública está contrária à permanência da Presidenta afastada e os indícios são de que aqueles favoráveis a sua permanência no comando do país estão desanimando.  Muito está a ser investigado, mas, indiferentemente do resultado, a opinião do povo coreano com sua líder não mudará, talvez até o fim de seu mandato. No entanto, a pressão de opositores tende a ser redobrada.

Park Geun-hye, antes vista como filha de um dos grandes líderes do país, ou de um dos grandes ditadores, pode se tornar uma das mentes corruptas para o povo sul-coreano e, com isso, manchar o seu legado. 2017 não será um ano fácil para a Coreia do Sul, pois terá de lidar com as ameaças da Coreia do Norte, com as divergências territoriais com os japoneses e com as incertezas sobre o futuro das relações Seul-Washington, além disso, diante desse cenário, a Coreia do Sul está queimando muitas energias com a crise política, algo que pode significar uma porta de entrada para oportunistas domésticos e para os inimigos da parte norte da península.

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Imagem 1 Presidente Park Geunhye, em 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye#/media/File:Park_Geun-hye_(8724400493)_(cropped).jpg

Imagem 2 Park Geunhye e Park Chunghee” (FonteKim Hongji / ReutersArquivo histórico):

https://justgopoppi.com.br/wp-content/uploads/2016/11/familia.jpg

Imagem 3 Park Geunhye em seu discurso de posse, 2013” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Park_Geun-hye

Imagem 4 Protesto contra Park Geunhye em Seul, 29 de outubro de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye#/media/File:Mass_protest_in_Cheonggye_Plaza_02.jpg

Imagem 5 Protesto realizado em novembro de 2016” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Park_Geun-hye

Imagem 6 Roh Moo-hyun, ExPresidente da Coreia do Sul” (Fonte):

http://a5.files.biography.com/image/upload/c_fit,cs_srgb,dpr_1.0,h_1200,q_80,w_1200/MTE4MDAzNDEwMTU4NjUwODk0.jpg

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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