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A participação finlandesa na BALTOPS 2016

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No começo deste mês (Junho), a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) iniciou no Mar Báltico a BALTOPS 2016, cujo objetivo é demonstrar a capacidade de interação militar dos Estados-membros e países parceiros no âmbito da política de segurança e estabilidade regional. A operação constitui-se de uma série de exercícios táticos de natureza aérea, marítima e terrestre, e compõem-se de uma estrutura multinacional que abrange 17 países, incluindo a participação de Suécia e Finlândia.

A BALTOPS 2016 contém 49 navios, 61 aeronaves, 3 submarinos e cerca de 4.500 soldados que realizarão os exercícios ao longo do mês de junho, por meio de três fases distintas. A surpresa anual é o destaque finlandês, que reservou 600 soldados para o treinamento e disponibilizou seu território para o jogo de guerra. O Ministro da Defesa da Finlândia, Jussi Niinistö, afirmou: Nós não fazemos parte do planejamento de defesa da OTAN. A BALTOPS é uma boa oportunidade para aprender sobre os exércitos de outros países e também para trazer aumento da competência finlandesa.

A atuação da OTAN despertou a atenção da Rússia e aguçou a tensão já existente entre os atores, visto que os exercícios ocorrem em áreas próximas da fronteira russa, e ambos ressentem-se das razões que acarretaram na intervenção de Moscou na Crise Ucraniana. No tocante a situação, o representante permanente da Federação Russa na OTAN, Alexander Grushko, declarou: De um ponto de vista estritamente militar temos que analisar com muito cuidado todas as consequências e ângulos de riscos que, hoje, essas ações da OTAN criam para nós. Em suma, estamos a falar de tal atividade militar, que altera substancialmente a situação militar na região.

De acordo com analistas, a questão é sensível e não representa uma atividade rotineira, ressaltando-se que a conjuntura política na Europa Nórdico-Báltica ainda permanece amarga por causa do receio pelos Estados locais de uma invasão russa e pelas sanções de Bruxelas a Moscou.

Apesar das críticas de violação do Direito Internacional, a partir da lógica de defesa da comunidade russófona, percebe-se uma disputa regional pelo poder entre as nações europeias que poderia abrir um precedente para uma futura relativização do conceito moderno de autodeterminação dos povos, em conformidade com os valores de Direitos Humanos.

No tangente a postura finlandesa, compreende-se a inclusão de uma vantagem na parceria com a OTAN em referência ao aperfeiçoamento de suas forças militares, o que equivale a acréscimos em sua política de autodefesa e considerável vitória ideológica ao saber que a Rússia respeita o direito de Helsínque de tomar as próprias decisões no setor de defesa, manifestada por meio de declaração pública, e subjetivamente com a programação da visita de Vladimir Putin à Finlândia.

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ImagemMapa da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0f/Finland_-_Location_Map_%282013%29_-_FIN_-_UNOCHA.svg/1024px-Finland_-_Location_Map_%282013%29_-_FIN_-_UNOCHA.svg.png

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Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] Começou a formação BALTOPS no Mar Báltico pela primeira vez realizada, em parte, na Finlândia” (Acesso:16.06.2016):

http://www.iltalehti.fi/uutiset/2016060621688767_uu.shtml

[2] BALTOPS 16” (Acesso:16.06.2016):

http://www.sfn.nato.int/activities/current-and-future/exercises/baltops-16.aspx

[3] Rússia vai estudar as consequências do exercício da NATO no Mar Báltico” (Acesso:17.06.2016):

http://www.interfax.ru/russia/512113

[4] Mídia Finlândia: Finlândia uma ferramenta útil nas mãos da Rússia

http://putin-24.ru/smi-finlyandii-finlyandiya-udobnyj-instrument-v-rukax-rossii/

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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