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O conflito armado sírio tem aglutinado centenas de facções e combatentes oriundos de várias partes do planeta. A presença dos uyghur na Guerra da Síria é a de um grupo de guerrilheiros que, atualmente, tem levantado dúvidas quanto aos seus objetivos num conflito bélico distante do território de origem.

Eles são uma minoria étnica da província de Xinjiang, oficialmente autônoma na República Popular da China. Esta minoria é muçulmana e tem um histórico de discórdia com as autoridades chinesas. Em março e abril de 2013, foi divulgado o primeiro vídeo com a participação dos rebeldes chineses na Síria e, a partir de então, a vinda desses combatentes aumentou significativamente.

Segundo a agência de notícias al-Arabiya, os sírios foram surpreendidos com o aparecimento dos uyghur, principalmente na província de Idilib, no norte do país, onde eles se encontram em maior número. Pertencem ao Partido Islâmico do Turquistão (TIP), baseado no Paquistão e combatem, hoje, na Síria, ao lado da Frente al-Nusra, organização insurgente filiada à al-Qaeda. Atribui-se a proximidade do TIP relativamente à Frente al-Nusra devido a uma antiga aliança com a al-Qaeda e à fidelidade aos talibã, o que faz com que os insurgentes lutem contra o Estado Islâmico e rejeitem Abu Bakr al-Baghdadi como Califa pois, para eles, o verdadeiro Califa é o líder dos talibã, Mullah Akhtar Mansoor.

A atuação da minoria chinesa tem sido considerada como fundamental para a recomposição das forças da Frente al-Nusra, que sofreu perdas humanas significativas em batalhas travadas contra o Estado Islâmico. Também tem contribuído de modo decisivo para com a facção muçulmana sunita no âmbito das vitórias recentes em Idlib.

Segundo informações, dentre todos os militantes islâmicos, os uyghur são os mais populares entre os sírios, na medida em que não interferem em questões civis, tais como “a cobrança de impostos ou a aplicação da sharia”, a lei islâmica. Há peculiaridades nesse grupo islâmico que têm suscitado questionamentos por parte de especialistas como, por exemplo, o fato de seus militantes não irem sozinhos para a área de conflito, mas acompanhados das famílias e sem intenção de retornar à terra natal. De acordo com um jornalista da agência de notícias al-Arabiya, “eles se instalaram com suas famílias em cidades alauítas desertas”.

Para muitas pessoas, esta situação se assemelha a um processo de colonização. Enquanto que, ao contrário dos Governos ocidentais, que se preocupam, por motivos de segurança, com o retorno de seus cidadãos que combatem na Síria, o Governo chinês não partilha desse problema.

A migração uyghur para a Síria tem chamado a atenção para duas teorias recentemente criadas, no sentido de se tentar compreender as motivações e objetivos da minoria étnica chinesa num território em que se desenvolve uma guerra supostamente civil. A primeira teoria versa sobre o interesse da China em se livrar dos uyghur e, assim, colocar fim a uma história longa e conturbada com este povo. Neste sentido, há hipóteses de que a China tem apoiado uma campanha contra os uyghur, levada a cabo pelo Paquistão, ao longo da fronteira com o Afeganistão. A segunda teoria acredita que eles correspondem a um exército involuntário para fazer, em nome da China, a guerra por procuração na Síria. Isto poderá servir de pretexto para a entrada e movimentação de forças militares chinesas no terreno.

Para um jornalista sírio, as “comunidades regionais e internacionais” não querem o fim da guerra e, por este motivo, enviaram osuyghur para reforçar a al-Qaeda e dar continuidade ao conflito. Embora as teorias possam ser questionadas e, futuramente, até mesmo invalidadas, o fato é que, hoje, elas configuram e pressupõem a existência, em solo sírio, de uma guerra que perdeu as características de ser totalmente civil. Mediante uma grande quantidade de grupos insurgentes, de combatentes estrangeiros de diferentes países no terreno, certamente que o conflito armado na Síria não corresponde a uma guerra civil, em sentido tradicional, e os uyghur, dentre outros, fazem parte de finalidades ainda obscuras para a opinião pública mundial.

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ImagemBandeira do Partido Islâmico do Turquistão” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b7/Flag_of_Turkistan_Islamic_Party.svg/2000px-Flag_of_Turkistan_Islamic_Party.svg.png

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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