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Partido de Erdogan vence as eleições legislativas, mas perde maioria no Parlamento da Turquia

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O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) irá esgotar todas as opções para formar um novo Governo antes de considerar antecipar as eleições, disse o primeiroministro Ahmet Davutoglu, nesta quarta-feira, dia 10 de junho de 2015. Ele pareceu alertar o presidente turco Recep Tayyip Erdogan a não interferir[1]. Davutoglu afirmou que Erdogan não se envolverá nas negociações para a formação de uma coalizão depois que o AKP, ao qual pertence, perdeu sua maioria parlamentar na eleição do fim de semana, e que ele só intervirá no caso de uma crise[2].

A votação pôs fim a mais de uma década de governo de partido único no país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e candidato a se filiar à União Europeia, prejudicando as ambições de Erdogan de estabelecer uma Presidência de grandes poderes, ao estilo norte-americano, e mergulhando a Turquia em uma incerteza política que não era vista desde os anos 1990. Novamente, em aparente alerta a Erdogan,  Davutoglu declarou: “O presidente Erdogan não faz parte das negociações da coalizão, mas irá comparecer para ajudar a superar impasses. (…). Se todos cumprirem suas tarefas e responsabilidades dentro dos limites constitucionais, uma cultura de reconciliação irá emergir[3].

Partidos de oposição vêm acusando Erdogan, que fundou o AKP mais de uma década atrás e continua sendo sua figura predominante, de continuar influenciando seus assuntos, apesar da existência de um veto constitucional que o impede de se envolver na política partidária como Chefe de Estado. Contrastando com sua quase onipresença nos meios de comunicação, Erdogan ainda não fez nenhum comentário público desde a eleição, a não ser por uma breve declaração de seu gabinete pedindo um período de reflexão para todos os partidos[3].

O Partido da Justiça e Desenvolvimento perdeu pela primeira vez em 13 anos sua maioria parlamentar. Este resultado foi considerado surpreendente, junto com o fato da legenda de “esquerda pró-curdos”, o Partido Democrático do Povo (HDP), ter obtido mais de 10% dos votos, garantindo assentos no Parlamento pela primeira vez na história.  O AKP teve resultados piores do que esperava e perdeu a maioria, o que impedirá Erdogan de mudar a Constituição. Isso contrasta com o HDP, que concorreu sob uma legenda única pela primeira vez, na esperança de conseguir mais de 10% dos votos, e a aposta valeu a pena, pois obteve uma voz significativa para a minoria curda no cenário nacional. Este resultado se deveu ao apoio que o HDP buscou além dos cidadãos curdos, apelando para integrantes da esquerda e a oponentes de Erdogan, ao enviar uma mensagem de defesa da igualdade de direitos para gays e preocupações com o meio ambiente.

No volátil Oriente Médio, a Turquia tem uma grande importância. Por isso, a direção que o país toma, a natureza de sua democracia e os líderes que produz têm implicações que vão além de suas fronteiras. O AKP terá dificuldades para formar um Governo. Provavelmente, o partido terá 258 assentos no Parlamento, 18 a menos que o necessário para ter a maioria, algo que o força a formar um Governo de Minoria, ou uma Coalização. “Esta foi uma vitória da democracia sobre a corrupção política, da paz sobre a guerra[4], disse Sirri Sureyya Onde, líder nacional do HDP. Ele negou que formará uma coalização com o AKP, indicando que as eleições haviam dado fim ao debate sobre a adoção do sistema presidencial no país[4].

O Partido Republicano do Povo (CHP / Cumhuriyet Halk Partisi, na sigla em turco) se manterá como a segunda maior força política, após obter cerca de 25% dos votos. Segundo seu líder em Istambul, Murat Karayalcin, os resultados das eleições demonstram claramente a rejeição de eleitores à busca de Erdogan por mais poder. “Os eleitores disseram não ao sistema presidencial[5], afirmou Karayalcin.

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Imagem (Fonte):

http://novinite.bg/articles/94556/Turciya-pred-novi-izbori

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.trthaber.com/haber/gundem/basbakan-secim-sonrasi-ilk-kez-konustu-189381.html

[2] Ver:

http://www.trthaber.com/haber/gundem/cumhurbaskani-mit-mustesari-fidani-kabul-etti-189388.html

[3] Ver:

http://www.theguardian.com/world/2015/jun/08/turkey-election-2015-erdogan-ak-party-what-happens-next

[4] Ver:

http://www.independent.co.uk/voices/comment/turkey-elections-after-13-years-of-sleepwalking-towards-dystopia-my-country-has-finally-woken-up-10307297.html

[5] Ver:

http://www.ensonhaber.com/murat-karayalcin-koalisyonu-chp-kuracak-dedi-2015-06-07.html

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Wladimír Tzinguílev - Bulgária

De nacionalidade Búlgara, é Mestre em Segurança Corporativa (2012) pela Universidade de Economia Nacional e Mundial (UNSS, Sófia). Atua na área de Segurança Pública, Segurança Corporativa e Diplomacia Corporativa com foco nos países do Leste Europeu, sendo referência em questões relacionadas a Península Balcânica, Turquia e Rússia. Atualmente é jornalista e editor de notícias internacionais da Televisão Nacional da Bulgária (BNT).

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