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Patriarca Maronita anuncia visita histórica à Terra Santa

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O cardeal Bishara Boutros al-Rai anunciou na sexta-feira, 2 de maio, que fará parte da delegação que acompanhará o Papa Francisco em uma visita à Jerusalém entre os dias 24 e 26 deste mês de maio. Al-Rai será o primeirochefe da Igreja Maronita,a maior congregação de cristãos do Líbano, a visitar a cidade após a independência de Israel, em 1948[1].

Desde a data, os dois países estão tecnicamente em guerra, já que apenas um armistício, e não um acordo de paz, foi firmado em 1949[2]. Por causa das hostilidades, ainda presentes, o Líbano proíbe seus cidadãos de irem à Israel sob acusação de alta traição. No entanto, o clero maronita (e outros religiosos em missão) tem uma permissão especial de viagem para acolher os 10.000 fiéis maronitas que atualmente moram na Terra Santa[3].

A decisão do Patriarca al-Rai, no entanto, não agradou à muitos libaneses. O jornal nacionalista árabe As Safir chegou a chamar a decisão de um “pecado histórico” e um “precedente perigoso” que “não serviria aos interesses do Líbano e dos libaneses, nem aos da Palestina e dos palestinos, ou dos Cristãos e do Cristianismo[3]. O jornal também criticou o fato de que al-Rai teria que coordenar a visita com oficiais do país, o que significaria uma “normalização das relações entre o chefe da Igreja Católica e oocupante[3].

Já o jornalAl-Akhbar, próximo à organização Hezbollah, levanta a seguinte dúvida: mesmo que o objetivo do Patriarca não tenha sido o de levantar controvérsias ou se encontrar com líderes israelenses, “será que ele pode confiar que Israel não vá de alguma forma comprometê-lo ao fazê-lo apertar a mão de um de seus oficiais na frente das câmeras de TV?[4]. O jornal afirmou ainda que políticos libaneses tentariam convencer o Bispo a não prosseguir com a viagem enquanto Jerusalém permanecer ocupada.

A ideia de Israel como ocupante ou invasor levantada pelos dois jornais libaneses se refere àGuerra dos Seis Diasentre o país e uma coalizão de Estados árabes, em que Israel anexou Jerusalém oriental[5] sob a justificativa de autodefesa contra o ataque da Jordânia (ocupante prévio da área), que não teria respeitado pedidos israelenses de cessar fogo. Mais tarde, em 1980 o Parlamento israelense aprovou a Lei Básica de Jerusalém, que declara a cidade como capital indivisível do Estado Judeu[6], mesmo após a resolução 242 das Nações Unidas de 1967, que pede a retirada do país dos territórios palestinos ocupados na guerra, inclusive Jerusalém oriental[7].

Frente às dúvidas da mídia árabe, al-Rai rejeitou qualquer significância política ou normalização com Israel e explicou, em uma conversa por telefone com a Agência France Press, que “o papa está indo para a Terra Santa e Jerusalém. Ele está indo para a Diocese do Patriarca, então nada mais normal do que o Patriarca estar lá para recebê-lo[8]. O bispo Boulos Sayyah, que irá acompanhar o Patriarca na viagem, afirmou ainda que ele não participará de nenhuma reunião política com líderes israelenses, e sim, com o presidente palestino Mahmud Abbas.

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Imagem (Fonte):

http://english.al-akhbar.com/node/19618/

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[1] Ver:

http://gulfnews.com/news/region/lebanon/maronite-patriarch-s-jerusalem-visit-a-historic-sin-reports-1.1327610

[2] Ver:

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/07/17/AR2006071700340.html

[3] Ver:

http://www.dailystar.com.lb/News/Lebanon-News/2014/May-02/255136-lebanon-patriarch-confirms-historic-jerusalem-trip-with-pope-afp.ashx#axzz30eo6VOAt

[4] Ver:

http://english.al-akhbar.com/node/19618/

[5] Ver:

http://www.infoescola.com/historia/guerra-dos-seis-dias/

[6] Ver:

http://www.shalomjerusalem.com/jerusalem/jerusalem3b.htm

[7] Ver:

http://www.securitycouncilreport.org/atf/cf/%7B65BFCF9B-6D27-4E9C-8CD3-CF6E4FF96FF9%7D/IP%20S%20RES%20242.pdf

[8] Ver:

http://english.alarabiya.net/en/News/2014/05/02/Lebanon-patriarch-to-join-pope-on-first-Jerusalem-visit-.html

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Ver também:

https://now.mmedia.me/lb/en/lebanonnews/545752-church-urges-media-not-to-misrepresent-rais-jerusalem-visit

Taise Moreira - Colaboradora Voluntária

Mestranda em Segurança Internacional com especialização no Oriente Médio e em Inteligência pela Sciences Po Paris. Graduada em Jornalismo pela PUC-Rio. Foi bolsista CNPQ para estudo do uso da mídia nas eleições municipais de 2012 no Rio de Janeiro.

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