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Patrulha de Fronteira estadunidense invade acampamento humanitário

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Na última quinta-feira (dia 15 de junho), oficiais da Patrulha de Fronteira norte-americana invadiram um acampamento humanitário de assistência médica administrado pela Organização não Governamental “No More Deaths” (NMD), em Arivaca, no deserto do Arizona, região de fronteira com o México.

De acordo com os ativistas, a ação da Patrulha iniciou na terça-feira (dia 13 de junho) quando cercaram o acampamento, instalando uma espécie de ponto de controle temporário para interrogar as pessoas que entravam e saiam do local. Até que, na tarde de quinta-feira, cerca de 30 agentes armados invadiram o campo com pelo menos 15 caminhões, dois quadrículos e um helicóptero para apreender quatro pacientes que estavam recebendo atendimento médico. Além disso, a organização alega que a forte presença de policiais impediu as pessoas de acessarem a assistência humanitária durante as atividades da Patrulha. Para eles, estes eventos seguem um padrão de vigilância crescente da ajuda humanitária nos últimos meses, algo que vem sendo aplicado sob a administração do presidente Donald Trump.

Dois homens pulam o muro da fronteira México-EUA em Douglas, no Arizona

A organização não governamental NMD foi criada em 2004 com o intuito de diminuir o sofrimento na fronteira e acabar com as mortes de migrantes, através da iniciativa civil voltada à proteção dos direitos humanos. Nos últimos 13 anos, o grupo já forneceu alimentos, água e cuidados médicos para milhares de pessoas que atravessam o deserto a pé e afirma que, desde 1998, a crise humanitária, causada pela política de fronteira estadunidense, já matou sete mil pessoas.

Por outro lado, segundo a mídia oficial do Departamento de Segurança Territorial norte-americano, os indivíduos presos pela ação já estavam sendo monitorados por apresentarem atividades suspeitas. Houve esforços para que a invasão não ocorresse, mas não foi suficiente. Por isso, foi solicitada uma autorização federal para entrar no acampamento e procurar os estrangeiros ilegais suspeitos. No fim da operação, quatro indivíduos foram presos por violações às leis de imigração, após uma checagem médica que verificou a desnecessidade de atenção médica aos indivíduos.

A mídia oficial relata ainda que um dos presos já foi deportado dos Estados Unidos antes e já ficou cumpriu cinco anos na prisão Aquiles Serdan, em Chihuahua, no México, por tráfico de drogas. Além disso, que há um mês ocorreu um incidente semelhante envolvendo oito indivíduos detectados no campo NMD, mas neste incidente eles foram voluntariamente entregues à Patrulha de Fronteira, sem incidentes.

Drone operado pela Patrulha de Fronteira norte-americana

Contudo, John Fife, um dos fundadores do NMD, explica que, desde 2013, a Patrulha de Fronteira concordou com o NMD que respeitaria o campo como uma instalação médica sob os padrões internacionais da Cruz Vermelha, que proíbe a interferência do Governo. Porém, agora, esse acordo foi quebrado sob circunstâncias suspeitas. John salienta que a Patrulha da Fronteira reconheceu que eles rastrearam um grupo por 18 milhas, mas somente após os migrantes buscarem tratamento médico que a Patrulha se preocupou em prendê-los. Para John, a decisão de capturar essas pessoas apenas depois de entrarem no campo do NMD evidencia um ataque direto à ajuda humanitária da organização.

Em meio a este complexo cenário, Joanna Williams, membro do grupo binacional Kino Border Initiative, de assistência aos migrantes na fronteira entre o Arizona e o México, lembra que a ameaça de prisão dificilmente impedirá o fluxo de pessoas que fogem do México e da América Central vítimas da extrema violência e pobreza. Em vez disso, ela acredita que a repressão encorajará as pessoas a atravessar áreas ainda mais remotas e a não pedir ajuda quando estiverem correndo risco de morte.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Patrulha de Fronteira norte-americana em Algodones Dunes, na California” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_barrier

Imagem 2Dois homens pulam o muro da fronteira México-EUA em Douglas, no Arizona” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_barrier

Imagem 3Drone operado pela Patrulha de Fronteira norteamericana” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Mexico%E2%80%93United_States_barrier

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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1 Comments

  1. Caroline Vaughan 22 de junho de 2017

    Ajuda humanitaria não pode ser refúgio para criminosos, todos os lugares precisam estar abertos a forças de segurança e o braço da lei.

    Responder

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