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Pentágono aumentará tropas americanas e ajuda financeira no combate ao ISIS no Iraque

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Nesta última segunda-feira, 18 de abril de 2016, as autoridades americanas afirmaram que os Estados Unidos irão enviar mais 200 soldados e, pela primeira vez, diversos helicópteros Apache ao Iraque para auxiliar o país na luta contra o Estado Islâmico. De acordo com o Secretário de Defesa, Ash Carter, as novas forças seriam amplamente utilizadas para aconselhar as forças iraquianas, estando “mais perto da ação”.  Este anúncio reflete semanas de discussões com comandantes e líderes iraquianos e é o resultado da decisão de Barack Obama de aumentar o nível de tropas autorizadas no Iraque em 217 membros, subindo de 3.870 para 4.087. O comunicado também reflete o primeiro grande aumento das forças dos Estados Unidos em quase um ano. Adicionalmente, o Pentágono irá fornecer até US$ 415 milhões para unidades militares curdas do Exército Peshmerga, em auxílio ao seu combate ao ISIS.

Ash Carter fez o anúncio durante uma visita surpresa a Bagdá, onde se reuniu com autoridades militares norte-americanas e com o primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi. Carter disse que os EUA “estão em consonância com o governo iraquiano” com respeito à sua estratégia contra grupos terroristas. A maior presença estadunidense significará um envolvimento de suas forças de forma mais próxima ao front iraquiano e lhes permitirá dar mais conselhos de combate tático às unidades do Iraque. De acordo com a agência de notícias Associated Press, a maioria dos 200 soldados norte-americanos adicionais será de forças especiais. O restante irá incluir treinadores, forças de segurança dos assessores e equipes de manutenção para os Apaches.

O auxílio às forças Peshmerge se dá em meio à luta do Governo curdo com um déficit orçamentário. A cooperação entre as duas forças se tornou ainda mais evidente esta semana, quando autoridades curdas disseram ter matado Salman Abu Shabib al-Jebouri, um alto comandante do Estado Islâmico, e dois adjuntos, em Hamam Alil, ao sul de Mosul, em uma operação conjunta com forças especiais norte-americanas.

O anúncio do Secretário de Defesa vem durante um esforço para retomada de Mosul, segunda maior cidade do Iraque, e a maior controlada pelo ISIS no país. É esperado dos helicópteros Apaches que ajudem as forças iraquianas a recapturar a cidade, a qual é vista como chave na guerra para expulsar o Estado Islâmico (EI) tanto do Iraque como da Síria, assim como a cidade de Raqqa, no país vizinho. Desde 2014, o EI detém controle de grandes áreas do Iraque, norte e oeste de Bagdá. Nos últimos meses, forças iraquianas recapturaram significativas parcelas territoriais dos jihadistas e o Exército assegurou sua primeira grande vitória sobre eles em dezembro de 2015, quando anunciou a retomada da cidade de Ramadi.

Desde agosto de 2014, os Estados Unidos lideram uma coalizão internacional de 15 países que tem bombardeado alvos do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O Iraque, por sua vez, tem sofrido com uma crise política envolvendo o fracasso dos esforços para derrubar o Presidente do Parlamento. Ao mesmo tempo, os custos da guerra contra o Estado Islâmico, juntamente com a queda do preço do petróleo – que responde por 95% das receitas do país – causaram uma crise econômica, aumentando a urgência de chamadas para reforma. Autoridades iraquianas preveem um déficit orçamentário de mais de US$ 30 bilhões este ano (2016).

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ImagemO secretário de Defesa norteamericano, Ash Carter, e sua contraparte iraquiana, Khaled alObeidi, durante os hinos nacionais de seus respectivos países, no Ministério da Defesa em Bagdá, Iraque, no último 18 de abril de 2016”  (FonteAP)

http://abc7news.com/news/us-to-send-200-more-troops-apache-helicopters-to-iraq/1297365/

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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