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Pequim contra uma maior aproximação entre Tóquio e Taipé

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Cerca de 70 congressistas do “Partido Liberal Democrático” (PLD) do Japão propuseram uma Lei que regule o fortalecimento das relações econômicas e o intercâmbio pessoal. A proposta é apoiada pelo “Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros”, Nobuo Kishi, que é também irmão do primeiro-ministro Shinzo Abe. No entanto, a China é contrária à tal pretensão, pois considera Taiwan como seu assunto interno e ainda diz que faz parte do grupo dos interesses vitais do país[1].

A discussão sobre a Lei ocorreu nesta segunda-feira (17 de fevereiro) e é promovida pela “Associação Parlamentar Juvenil para a Promoção do Intercâmbio Econômico e Cultural entre Japão e Taiwan” liderada por Nabuo Kishi. A ideia é de se fazer uma espécie da Lei igual a que norteia as relações entre “Estados Unidos da América” (EUA) e Taiwan (“Taiwan Relations Act”), em vigor desde 1979, depois que formalmente Pequim e Washington estabeleceram relações diplomáticas. Mas, destaca-se que ela não é reconhecida pela China[2].

Mesmo que a supostaTaiwan Relations Actjaponesa não inclua questões de natureza securitária (como de fato se da no caso dos EUA, que vendem equipamento militar a Taiwan supostamente para a defesa contra a invasão da China), Pequim acautela Tóquio sobre as consequências que tal medida pode ter nas relações China-Japão, segundo a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying[2].

Do ponto de vista chinês, o Japão pretende na verdade alterar o estabelecido na “Comunicação Conjunta Sino-Japonesa de 1972” em que Tóquiocompletamente reconhece e respeita a asserção (de Pequim sobre) Taiwan ser uma parte inalienável do território da República Popular da China[3]. Por isso, para os chineses, o assunto de Taiwan é uma questão chave das atuais relações China-Japão[2].

De um lado, as relações econômicas entre Tóquio e Taipé são importantes para os dois territórios. Dados existentes apontam que Taiwan é o quinto parceiro do Japão enquanto que Japão ocupa o segundo lugar depois da China. Do outro lado, Tóquio pode pretender formar uma aliança ideológica para reforçar o seu posicionamento de que é a China quem está por detrás das tensões políticas e de Segurança na “Ásia Oriental”, como uma vez defendeu o “Ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão”, Fumio Kishida, de que a ligação entre Japão e Taiwan baseia-se “nos valores fundamentais comuns da democracia, liberdade e paz[4].

Evidentemente, é neste contexto que em abril de 2013 Japão e Taiwan assinaram um Acordo na área pesqueira. O mesmo permite aos taiwaneses pescarem ao redor das disputadas “Ilhas de Diaoyu/Senkaku[4].   

Ressalte-se ainda, que, para Taiwan, uma maior aproximação entre Tóquio e Taipé pode também minar o bom curso de reaproximação entre esta e aChina Continental, testemunhada por dois encontros históricos nos dias 11 e 18 de fevereiro entre líderes dos dois lados[5]. Algo que aconteceu pela primeira vez desde 1949, depois que os líderes do Kuomintang (“Partido Nacionalista”) se estabeleceram na Ilha de Taiwan em face da derrota militar frente ao Partido Comunista da China”. 

As atuais relações diplomáticas entre “China Continental” e Japão estão mais baixas no momento, principalmente depois da chegada ao poder do conservador Shinzo Abe e seu Partido, o PLD, em dezembro de 2012. Desde então, até hoje, não se sabe de qualquer encontro formal entre os dois Estados, além de um aperto de mãos e conversa que não durou apenas 5 minutos entre Abe e presidente chinês Xi Jinping, durante a “Cimeira do G20”, em setembro de 2013, na Rússia.

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Imagem (Fonte):

http://www.fmprc.gov.cn/eng/xwfw/s2510/t1130053.shtml

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globalpost.com/dispatch/news/kyodo-news-international/140218/japan-lawmakers-eye-enhancing-taiwan-relations-line–0

[2] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/2014-02/19/content_17292703.htm

[3] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/china/China-Japan-Relations/2013-09/25/content_16993227.htm

[4] Ver:

http://thediplomat.com/2014/02/to-counter-beijing-japan-moves-closer-to-taiwan/

[5] Ver:

http://www.taipeitimes.com/News/front/archives/2014/02/19/2003583844

Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.

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