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Permanecem as disputas para o cargo de Primeiro-Ministro da Etiópia

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Com a renúncia do antigo Primeiro-Ministro, Hailemariam Desalegn, a Etiópia vivencia um vácuo político à espera de um novo Chefe de Governo. A conjuntura se faz ainda mais agravada com a intensa onda de protestos que assola o país há mais de dois anos, onde os grupos étnicos Oromo e Amhara pedem por maior representatividade política.

Neste sentido, o anúncio do novo Primeiro-Ministro pela Frente Democrática Revolucionária dos Povos Etíopes (FDRPE) está envolto de expectativas, tanto por parte dos cidadãos locais quanto por parte dos observadores internacionais. Espera-se que a próxima liderança venha a contemplar as reivindicações dos Oromo e dos Amhara, arrefecendo a onda de protestos e manifestações ao redor do país.

A FDRPE é uma coalizão política formada por quatro partidos diferentes: o Movimento Democrático do Povo Sul-Etíope (MDPSE), o Movimento Democrático Nacional Amárico (MDNA), a Organização Democrática dos Povos Oromo (ODPO) e a Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT). Atualmente, a FDRPE controla todos os 547 assentos do Parlamento, o que implica que o próximo líder deverá sair, necessariamente, de algum destes quatro partidos.

A renúncia de Desalegn abriu um vácuo político, porém uma nova oportunidade para a estabilização social no país

Com papel central na deposição do antigo ditador Mengistu, em 1991, o FLPT é visto como o principal partido da FDRPE, ocupando os principais postos governamentais desde então. O seu protagonismo tem sido um dos principais fatores de motivação às atuais manifestações civis. Dessa maneira, será pouco provável que o novo Primeiro-Ministro venha do FLPT.

Da mesma forma, pode-se esperar uma reduzida probabilidade de que a nova liderança venha do MDPSE, uma vez que se trata do partido de Desalegn. Isto não despertaria entre a população a ideia de uma efetiva mudança nos rumos políticos da Etiópia, fato que poderia inclusive aprofundar os conflitos entre a população e as forças policiais. Atualmente, vigora no país o “estado de emergência” – condição proclamada pelo Governo um dia após a renúncia do antigo Primeiro-Ministro – e um aprofundamento no número de protestos e mobilizações poderia aumentar o número de feridos e mortos, tendo em vista o maior controle policial nesta conjuntura.

Entre as disputas políticas dentro da FDRPE, ganha espaço o nome de Abiye Ahmed, da ODPO. Ministro da Ciência e Tecnologia, Ahmed é visto como um possível candidato a ocupar o cargo em disputa, uma vez que sua nomeação poderia sinalizar um avanço rumo à contemplação das reivindicações dos grupos étnicos marginalizados do jogo político. Entretanto, alguns analistas duvidam que ele poderia de fato conduzir as reformas necessárias para trazer de volta a estabilidade social.

Portanto, pode-se aguardar para os próximos dias um intenso debate envolvendo o nome mais apropriado para o cargo mais alto do Governo etíope. Acima de tudo, a nomeação do novo Primeiro-Ministro terá como importante fator de influência a atual instabilidade social e política, sendo crucial se pensar em que medida o novo nome será capaz de estabilizar os ânimos, consolidando assim um cenário estável e propício à continuidade do crescimento econômico.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Bandeira da Etiópia / A próxima liderança política terá como grande desafio a estabilização do regime federalista étnico no qual a Etiópia se sustenta” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_Ethiopia.svg

Imagem 2A renúncia de Desalegn abriu um vácuo político, porém uma nova oportunidade para a estabilização social no país” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hailemariam_Desalegn_-_Closing_Plenary-_Africa%27s_Next_Chapter_-_World_Economic_Forum_on_Africa_2011.jpg

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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