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A perspectiva estoniana sobre a segurança do Báltico

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A atual conjuntura geopolítica no Mar Báltico possui três atores específicos, dos quais depende a maioria das relações políticas e econômicas. São eles: a União Europeia (UE), a Estônia e a Rússia, que se debruçam a exercerem suas influências na região e a produzirem efeitos na comunidade internacional.

O primeiro ator, a UE, abriga em seu íntimo valores próprios, cuja centralidade evoca o princípio Kantiano de Paz Perpétua, o qual se alicerça no cosmopolitismo contra o flagelo da guerra. Nesta visão de sociedade, existe um forte direcionamento que estimula os Estados-membros a respeitarem a autodeterminação dos povos, o Direito Internacional, e o livre-comércio.

O segundo ator, a Estônia, apresenta uma perspectiva de aproximação junto ao modo de vida da UE e pode-se afirmar que os estonianos são tão próximos politicamente de Bruxelas, quanto o são da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), logo compreende-se a declaração da Ministra de Relações Exteriores da Estônia, Marina Kaljurand, na Reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, ao dizer: “Dada a natureza agressiva da política externa da Rússia e a discrepância nos nossos valores, a política europeia atual deve continuar”. Sob a questão da OTAN, a chanceler Kaljurand afirma: “Foi dito de forma eficaz pelos representantes russos que tinham atingido a fase de uma nova Guerra Fria, eu simplesmente não posso ver como esse tipo de diálogo poderia ter lugar no âmbito do Conselho OTAN-Rússia”.

O terceiro ator, a Rússia, ressente-se das atividades da OTAN no mundo e alega que o belicismo da instituição representa um perigo para a paz global. Na Conferência de Segurança de Munique, o Primeiro-Ministro russo, Dmitry Medvedev, afirmou que se vive hoje uma Guerra Fria, em referência a um suposto ataque aberto da Turquia em território sírio. A expansão da OTAN na Europa Oriental, sobretudo, na região do Báltico é preocupante aos russos que percebem seu país como um alvo principal num sistema de natureza hegemônico, cujo fundamento anseia por se tornar unipolar.

Consoante aos analistas, percebe-se que Tallinn sente-se em ameaça no que tange aos fatos da crise ucraniana e, sobretudo, após a declaração do primeiro-ministro Medvedev sobre o mergulho do mundo em uma nova Guerra Fria. Contudo, é imprescindível a formação de diálogos transparentes e desestímulos à militarização no Báltico, de forma a não criar tensões e desarmonias internacionais.

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Imagem  “Mapa da Estônia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/76/Estonia_1999_CIA_map.jpg

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Leituras Adicionais:

[1] Estônia vê improvável melhoria nas relações NATORússia, após comentários de Medvedev sobre Nova Guerra Fria” (17.02.2016). Ver:

http://www.baltictimes.com/estonian_fomin_sees_unlikely_improvement_in_nato-russia_relations_after_medvedev__new_cold_war__comments/

[2] A Ministra do Exterior Marina Kaljurand: “a atual política da União Europeia continuará nas relações com a Rússia” (17.03.2016). Ver:

http://www.vm.ee/en/news/foreign-minister-marina-kaljurand-current-policy-european-union-relations-russia-will-continue

[3] NATO na Guerra sobre o mundo (19.03.2016). Ver:

http://sputniknews.com/columnists/20160216/1034827634/munich-security-conference-nato-cold-war.html

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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