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Em julho de 2018, a direção da empresa Macusani Yellowcake anunciou a descoberta de 2,5 milhões de toneladas de lítio nos depósitos explorados pela mineradora na região de Puno, sul do Peru, próxima à fronteira com a Bolívia. O Governo peruano recebeu com entusiasmo a notícia e trabalha na elaboração do marco legal de exploração do metal.

Fronteira Peru-Bolívia

De acordo com a Revista Electricidad, do Chile, entre 2020 e 2025 terá início um boom na demanda mundial de lítio, com aumento de 60%. Este aumento está relacionado sobretudo ao setor de mobilidade, uma vez que estudos apontam para um futuro com predominância de veículos elétricos, os quais deverão utilizar baterias de hidróxido de lítio. Essa crescente valorização faz com que o metal já seja conhecido como “a nova gasolina” e também como o “petróleo branco”.

De olho neste mercado futuro, a Argentina e o Chile iniciaram cooperação visando a extração sustentável do mineral, sem causar danos ao meio ambiente, na região de fronteira dos dois países com a Bolívia, conhecida como “triângulo do lítio” e “Arábia Saudita do lítio”, por reunirem 60% das reservas mundiais conhecidas. O governo de Evo Morales, que por um tempo preferia que a exploração fosse feita pelo próprio Estado, terminou por reconhecer as limitações técnicas e optou por uma parceria com a Alemanha, mas com controle de 51% pela Bolívia e produção de baterias naquele país.

Até 2019, a Macusani Yellowcake concluirá estudos para determinar com precisão o volume das reservas peruanas e apresentará estudos de impacto ambiental. A mineração é conhecida por gerar poluição do solo, bem como poluição e redução do volume de água utilizada pelos habitantes do entorno. A descoberta do que pode vir a ser a maior mina de lítio do mundo, em um sítio pré-histórico e de população pobre, coloca o Governo do Peru diante de um desafio: garantir que a exploração possa gerar benefícios para a sociedade, de modo sustentável e com transparência. 

Os escândalos de corrupção que resultaram na renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK), em março (2018), e de diversos membros do Poder Judiciário, em julho (2018), abalaram sobremaneira a confiança do povo peruano e caberá a Martin Vizcarra, atual Presidente do Peru, aproveitar este momento em que a taxa de aprovação da sua gestão experimentou em meados de agosto uma reversão no declínio, pela primeira vez desde sua posse, e resgatar a credibilidade do Governo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Exploração de lítio em Puno, Peru” (Fonte):

https://portal.andina.pe/EDPfotografia3/Thumbnail/2018/07/16/000518533W.jpg

Imagem 2 Fronteira PeruBolívia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fronteira_Bol%C3%ADvia-Peru#/media/File:Lago_titicaca_001.png

A.C. Ferreira - Colaborador Voluntário

Mestre e especialista em relações internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em Política e Estratégia pelo programa da ESG (UNEB, ADESG/BA), bacharel em Administração pela Universidade Católica do Salvador (UCSal). Consultor e palestrante de Comércio Exterior.

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