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A possibilidade de utilização econômica do Ártico engendra desafios para sua governança. Nesse contexto, embora não possua litoral voltado para o Oceano Ártico, a China demonstra interesses científicos e econômicos na região. O país se define como um Estado próximo do Ártico e, em 2013, logrou o status de observador permanente no Conselho do Ártico. Especialistas argumentam que os interesses estratégicos chineses na área decorrem de algumas questões que lhes afetam diretamente: os efeitos climáticos causados pelo degelo das calotas polares; a utilização de novas rotas de comércio; bem como o acesso a recursos, como petróleo e gás natural.

Entrada da Estação da China no Ártico. Fonte: Wikipedia

Devido ao caráter estratégico e a baixa institucionalização dos mecanismos de governança do Ártico, a China desenvolve uma política externa extremamente cautelosa na região. O objetivo de Beijing é atingir seus interesses no Polo Norte sem despertar a desconfiança dos países envolvidos. Dessa maneira, conforme salienta o professor de direito internacional da Universidade da Nova Inglaterra, Nengye Liu, a posição oficial do país é: “a China reconhece a soberania e os direitos soberanos dos Estados árticos, enquanto que eles devem respeitar os direitos legítimos chineses no Ártico, garantidos pelo direito internacional”.

No âmbito científico, a presença da China na área é justificada pela necessidade de compreensão dos efeitos que o degelo das calotas polares causa no clima do país. Dessa forma, o primeiro navio quebra-gelo chinês, Xue Long, foi comprado da Ucrânia em 1994 e analistas estimam que o segundo será comissionado em 2019. A primeira expedição de pesquisa para a região foi realizada em 1999 e, desde então, outras 6 expedições similares já ocorreram. Por sua vez, Beijng inaugurou sua primeira estação no Ártico, a Estação Rio Amarelo, em 2004, na cidade de Spitsbergen, Noruega. Destaca-se também a inauguração do China-Nordic Research Center (CNARC), sediado em Shanghai, e composto por institutos de pesquisa de Finlândia, Noruega, Dinamarca e Suécia.

Beijing busca a inserção econômica no Ártico por meio de acordos bilaterais e parcerias com empresas estrangeiras. Por exemplo, firmou seu primeiro acordo de livre comércio com uma nação do Ártico e da União Europeia, a Islândia, em 2013. Ademais, a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) já conduz operações de exploração de petróleo e gás natural com empresas norueguesas e islandesas nas regiões de Dreki e Gammur.  E, em 2016, a China Ocean Shipping Company (COSCO) assinou contrato para expansão de sua atuação na área com a companhia estadunidense American Bureau of Shipping (ABS), líder mundial no provimento de serviços de classificação marítima.

Estados integrantes do Conselho do Ártico. Em azul escuro os países membros e em azul claro os países observadores. Fonte: Wikipedia

Nesse contexto, nota-se que as relações da China com as duas grandes potências do Ártico, Rússia e Estados Unidos, são fundamentais para a viabilidade de sua inserção na região. De acordo com as pesquisadoras do Instituto Internacional de Estudos de Paz de Estocolmo (SIPRI), Ekaterina Klimenko e Camilla T. N. Sørensen, os investimentos chineses são atrativos para os russos, como forma de transformar sua vantajosa posição geoestratégica em desenvolvimento econômico. Todavia, especialistas estadunidenses destacam que dinâmica entre as duas nações é marcada por desconfianças por parte de Moscou sobre a penetração de uma potência externa em uma área considerada vital para segurança do país.

No âmbito das interações entre Washington e Beijing, embora algumas análises  indiquem a existência de interesses convergentes entre os dois Estados, percebe-se a crescente preocupação estadunidense com a presença chinesa no Ártico. Logo, não é descartada a tendência de militarização da região. Nesse sentido, destaca-se a declaração dada pelo Almirante da Guarda Costeira dos Estados Unidos, Paul Zuknft,  de que é possível o comissionamento de armas ofensivas nas embarcações quebradoras de gelo do país.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Navio Quebragelo Chinês, Xue Long” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/MV_Xue_Long#/media/File:Xue_Long,_Fremantle,_2016_(4).jpg.

Imagem 2Entrada da Estação da China no Ártico” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Yellow_River_Station_(Arctic)#/media/File:Yellow_River_station_3.JPG

Imagem 3Estados integrantes do Conselho do Ártico. Em azul escuro os países membros e em azul claro os países observadores” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Arctic_Council#/media/File:ArcticCouncil.svg

Pedro Brancher - Colaborador Voluntário

Doutorando em Ciência Política pela Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Mestre em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisa nas áreas de Segurança Internacional, Economia Política Internacional e Política Externa Brasileira. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre Ásia, especialmente sobre China, país em que residiu durante um ano e que é seu objeto de estudo desde 2013.

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