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Novo Acordo de desarmamento nuclear será assinado entre EUA e Rússia: vitória política e estratégica para ambos

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A mídia e fontes dos governos dos EUA e da Rússia anunciam, ao longo da semana, que os dois países chegaram a um acordo sobre o novo Acordo de Desarmamento Nuclear, que será assinado no início do próximo mês, provavelmente em Praga, na República Tcheca.

O novo Tratado é a continuidade de vários outros que ocorreram entre norte-americanos e russos*, cujas diferenças se dão na definição dos limites para quantidade de ogivas, mísseis, lançadores, datas de encerramento etc.  O último, conhecido como Tratado de Moscou, (a sigla é SORT – forma contraída de  “Treaty Between the United States of América and the Russian Federation on Strategic Offensive Reductions”) definia que os limites deveriam ser definidos entre 1700 e 2200 ogivas e veio em substituição ao START III, que pretendia à redução para um número entre 2000  2500 ogivas e foi abandonado devido a impasses, já que a Rússia, percebendo a expansão da “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN), passou a solicitar a redução para um número entre 1000 e 1500 ogivas.

O novo tratado, que ainda está finalizando questões técnicas para a assinatura, representa, acima de tudo, uma grande vitória para ambos os países.

Os norte-americanos conseguem, no mínimo:

(1) Apresentar ao mundo que trabalham concretamente para o desarmamento nuclear, desfazendo-se de parte de seu arsenal, mas conscientes de que isso não afetará sua grandeza e poderio estratégico. (2) Adquirem capital moral para manter as pressões internacionais contra o Irã e quaisquer outros Estados que desejem se nuclearizar. (3) Conseguem reaproximar-se da Rússia, que teve papel decisivo no programa nuclear iraniano e tem fortes relações com o país, podendo trazê-la cada vez mais para o seu lado, desde que as aproximações realizadas, após a assinatura do Tratado se desdobrem para trocas econômicas e parcerias estratégicas, com o intuito de fazer frente aos perigos da Ásia. (4) Pode surgir no horizonte à percepção de que os russos têm condições de ser um parceiro importante para manter o equilíbrio na Eurásia. Para que isso se concretize, os estadunidenses teriam de transitar tranquilamente pelo território russo, algo que precisa ser construído com aproximações em vários campos.

Os russos, por sua vez, conseguem: (1) adquirir ganhos palpáveis em relação ao desarmamento norte-americano e se desfazem do material absoleto, que lhe traz mais gastos que benefícios, mantendo poderio suficiente para ainda se posicionar como uma superpotência, embora, hoje, a expressão econômica seja mais relevante que a militar. (2) conseguem dos norte-americanos uma postura diferente da que adotavam até o momento, acerca das relações entre a Rússia e os vizinhos que, outrora, faziam parte da União Soviética.  (3) levará também os EUA a modificar seu comportamento em relação aos diálogos entre russos e OTAN, algo que se reflete diretamente na constante negociação acerca do escudo antimíssieis a ser instalado na Europa, mesmo que Obama já tenha anunciado que este tema deva ser tratado separadamente.

Especialmente, ambos podem perceber a possibilidade de iniciar um trabalho conjunto para interferir no equilíbrio do sistema internacional. Quando os dados do novo Tratado forem divulgados na íntegra, após sua assinatura, questões como estas serão esclarecidas.

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* SALT I (1969-1972); ABM (1972); SALT II (1972-1979); INF (1987); START I (1991); START II (1993); START III (foi abandonado) e SORT (2002)

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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