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PRIMEIRO DIA DA “REUNIÃO DE CÚPULA” APRESENTA SALDO POSITIVO PARA O PROJETO DOS NORTE-AMERICANOS

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O resultado do primeiro dia da reunião em Washington apresentou resultado positivo para os EUA. Esta primeira etapa foi dedicada às reuniões bilaterais entre os estadistas participantes do encontro.

Os norte-americanos conseguiram duas vitórias significativas. A primeira foi à indicação de que a China apoiará a adoção de sanções contra o Irã, embora esteja afirmando que sob condições, repetindo as manifestações dos russos.

 

Vários temas foram acertados durante a reunião de 90 minutos realizada entre os chefes de Estado dos dois países, principalmente tratando de questões econômicas. Os chineses declararam que o problema da valorização do Yuan (moeda chinesa) em relação ao dólar será tratado apenas pelo seu governo, não aceitando ser submetido às pressões dos estadunidenses, que alegam ser desleal à relação entre as moedas, pois prejudica a competitividade das exportações dos dois países, já que a moeda chinesa é mais barata.

Contudo, mesmo uma declaração como esta, não mudou o tom final da discussão entre chineses e estadunidenses, indicando que o fato de terem se reunido já representou um progresso acerca da superação dos contenciosos que ocorreram entre os dois países no primeiro trimestres deste ano de 2010.

A outra vitória de Obama foi o anúncio do presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, de que seu país eliminará todo o material nuclear existente em estoque, sendo o ano de 2012 a limite para a finalização do processo.

Até o momento, para os norte-americanos a reunião está se configurando como mais um passo vitorioso da estratégia que começou a ser aplicada 2010. O Acordo com os russos, assinado no dia 8 de abril de 2010, foi um passo moral, que garantiu capacidade de exigir ações da comunidade internacional.

Na mesma toada pode ser considerado o anúncio da nova “doutrina nuclear dos EUA”, pois, pela primeira vez na história, os norte-americanos apresentaram condições claras para a utilização de armamentos atômicos. Constituiu-se em outro ganho moral dos EUA, permitindo-lhes colocar-se em posição de coordenador de um processo contemporâneo de desarmamento mundial, algo que dará a Barak Obama o lastro que ele necessita para justificar o ganho do Prêmio Nobel da Paz, no ano passado (2010) e lhe permitirá manter o papel de seu país como maestro do “Concerto das Nações” do sistema internacional “pós-guerra fria”.

Os estadunidenses não ficaram sem críticas. Parte delas veio do presidente brasileiro, que ironizou o “Acordo Nuclear” assinado com os russos; anunciou que manterá o apoio ao Irã e continuará defendendo o direito de todos terem acesso à energia nuclear. Este último ponto não traz estranheza. No entanto, a forma como será anunciado no seu discurso, o qual já tinha sido aberto à imprensa ontem (12 de abril), tem trazido exclamações de analistas, de políticos e de personalidades, podendo ser alvo de críticas severas tanto nesta reunião, quanto nas futuras.

Pelo que foi anunciado, Lula, o presidente do Brasil, argumentará que o terrorismo, não pode ser uma justificativa para impedir que outros tenham acesso a esta forma de energia. Para os profissionais da diplomacia, esta afirmação é implicitamente ofensiva, pois traz acusações sobre as intenções dos norte-americanos. Além disso, observadores têm apontado que é um argumento que indica desconhecimento do fenômeno do terrorismo, bem como da realidade internacional. Isto poderá prejudicar mais sua pretensão de exercer um papel relevante na comunidade internacional, com abertura de maiores espaços políticos e diplomáticos para o Brasil, ou para a ocupação de cargos em instituições internacionais após sair da Presidência brasileira, algo que tem sido cogitado constantemente.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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