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A visita da presidente Dilma resultou na assinatura de 20 Acordos com o governo chinês, nas áreas de finanças, comerciais, agropecuários e tecnologia, como apresentados e vários outros apontando-se os temas de educação, energia, defesa. Todos atenderam, na medida do possível, aos interesses mútuos, mas levanta-se a pergunta sobre as estratégias dos dois Estados implícitas no aprofundamento destas relações.

No curto e médio prazo, a estratégia adotada por ambos países se volta mais para o campo econômico, desde planos comuns aos planos de seus interesses individuais. Para alguns analistas econômicos e de mercados, a estratégia brasileira não está apenas focada em abrir mais mercados na China, embora este seja o mais atrativo do mundo na atualidade, mas em firmar uma base de entrada no continente asiático.

Tecnicamente, das grandes potências econômicas do continente, a China é a melhor opção na atualidade, por dois motivos: (1) o campo diplomático, aproveitando que suas relações estão mais ativas do que as relações do Brasil com outros países asiáticos; (2) visão de mercado, devido ao rápido crescimento do mercado chinês e suas boas oportunidades.

Embora o Brasil tenha boas relações com nações como o Japão, Coréia do Sul e Índia, estas três potências asiáticas têm em seus planos oficiais o crescimento das relações regionais e o aumento das relações com os Estados Unidos. Desta forma, o Brasil não seria uma prioridade, podendo ter um processo mais lento em questões de abertura de mercados. A China, com sua estratégia de tentar aumentar relações econômicas e diplomáticas gradativas nos cinco continentes, abre mais oportunidades aos interesses brasileiros.

A visão de mercado é fundamental para consolidar os objetivos brasileiros no continente. O sucesso das relações diplomáticas do Itamaraty com a China facilita a instalação de empreendimentos brasileiros no país, melhora suas exportações e outros negócios no mercado chinês e com os demais países do continente, tornando o país uma grande plataforma de produtos brasileiros na região.

Partindo de uma ação organizada e bem articulada entre iniciativa privada e Estado, o país pode traçar novas estratégias no continente, descentralizando suas “bases”, partindo da China e aproveitando o interesse por investimento de países como Taiwan e Timor-leste, dois países que temem que suas economias dependam apenas de uma única economia, caso das relações com a China, maior parceiro comercial de ambas.

Os interesses brasileiros em exportar mais para as nações asiáticas tem se expandido gradativamente, mas ainda depende do investimento deles para poder diversificá-las. Esta necessidade coloca o confronto com os interesses das grandes nações asiáticas. Não apenas a China, mas a Coréia e o Japão comungam da reclamação sobre a burocracia brasileira, bem como do protecionismo da industria nacional.

Agindo de forma a tentar proteger alguns setores da indústria brasileira, as autoridades interferem no objetivo chinês de ser reconhecido pelo Brasil como uma “economia de mercado”.

A China também pensa em questões globais no médio e longo prazo e o Brasil, assim como outros países, como a Rússia e Índia, são fundamentais para que ela possa assumir maior responsabilidade na comunidade internacional. Dentre estes, uma aliança consolidada com o governo brasileiro caminha de forma mais saudável e a expansão desta será muito importante para Beijing no futuro.

Na história dos dois Estados, nunca ocorreu algum desentendimento relevante. Pelo contrário, antes da década de 1980, ainda no período da “Guerra Fria”, sempre houve fatos positivos nas relações sino-brasileiras.

Excetuando-se alguns impasses em questões comerciais, no campo diplomático e financeiro as duas nações mantém relações saudáveis e os avanços da cooperação Brasil-China em diversificados temas propiciam a preferência chinesa para a participação brasileira como membro permanente em uma reforma do “Conselho de Segurança”.

Com o contexto histórico positivo e com as atuais relações caminhando em alguns pontos comuns, como da reforma na ONU e no “sistema financeiro internacional”, Dilma resume a aposta na China durante sua participação do seu programa de rádio da seguinte forma: “Estou confiante na cooperação mútua entre Brasil e China”. Esta aposta juntamente com Hu Jintao na construção de melhorias em prol de benefícios mútuos está tornando estes dois Estados mais próximos.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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