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Avaliações da visita da presidente Dilma na China (Parte 2)

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Além de alguns pontos positivos nas relações diplomáticas, as relações comerciais sino-brasileiras também obtiveram bons resultados. Estas relações comerciais devem ser cuidadosamente analisadas nos campos de agronegócios, finanças e comércio, pois cada uma delas tem seus prós e contras, não podendo ser generalizadas.

Na área de finanças, Brasil e China vem apresentando ótimos avanços. Durante  a visita de Dilma, um dos maiores Bancos chineses, o “Industrial and Comercial Bank of China” (ICBC) fez o pedido formal para atuar no mercado brasileiro. Os chineses enviaram seu pedido oficial ao “Banco Central do Brasil” e sua representação no país terá sede em São Paulo, atuando com o nome de “IBCB do Brasil – Banco Múltiplo S.A”.

O capital previsto do Banco será de US$ 100 milhões e ele pretende operar em investimentos e  transações de câmbio. Este comunicado é um dos resultados da cooperação financeira Brasil-China, tema que foi tratado pela presidente Dilma.  “Os governos do Brasil e da China saúdam a criação de filiais de instituições dos dois países”, afirmou o comunicado conjunto do presidente chinês Hu Jintao com Dilma, reproduzido pela Agência Xinhua.

Este comunicado, além do já feito sobre a cooperação entre as bolsas de valores de São Paulo e de Shanghai e do anúncio de que o “Banco do Brasil” transformará suas representações administrativas na China em “Agências Bancárias” são demonstrações positivas dos avanços das relações sino-brasileiras nesta área, como também foi apresentada na “Análise de Conjuntura” publicado no “Site do CEIRI” em março deste ano com o titulo “Brasil e China caminham para fortalecer seus laços comerciais” (Partes 1 e 2).

Mais resultados benéficos as exportações brasileiras vieram no campo do agronegócio, para o qual foi assinado um Acordo autorizando a importação de carne suína brasileira pelos chineses. O ministro da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi, e o ministro da “Administração Geral de Qualidade” da China, Zhi Shiping, fecharam o acordo de venda da carne brasileira para os chineses.  “Estamos cumprindo parte da missão dada pela presidente Dilma, de ampliar a venda de produtos de maior valor agregado”, afirmou o Ministro brasileiro.

O Brasil continuará exportando commodities para a China, mas a delegação que acompanhou a presidente brasileira foi clara e objetiva em questionar assuntos importantes para a abertura de mercados, objetivando a diversificação das exportações ao país asiático e abrir novas oportunidades para a participação de empresas brasileiras na China.

Um dos acordos que firmamos foi abrir o mercado chinês para a exportação de carne de porco. Um outro, ainda, foi para a venda de aviões. A Embraer já vende aviões para a China mas, nessa viagem, nós combinamos a venda de 35 aviões da família B-190. São jatos que vão gerar em torno de US$ 1 bilhão para o Brasil”, disse Dilma em seu programa semanal, “Café com a Presidenta”. Acrescente-se que a visita de Dilma foi fundamental para que a empresa brasileira Embraer permanecesse em funcionamento.

Durante a semana da visita oficial, a Embraer afirmou que recebeu encomendas de até U$$ 1,5 bilhão de duas companhias chinesas, a “CDB Leasing” e a “Hebei Airlines”. Antes, o maior desafio da empresa era a licença para a venda de aviões comerciais no país, mas também havia a concorrência com empresas chinesas e outras ocidentais que a deixava em desvantagem para se manter ativa no país.

Com todos os avanços apresentados, os “Acordos de Investimentos” por parte de empresas de tecnologia chinesas e taiwanesas foram os que ganharam maior destaque e esta importância se deveu ao interesse brasileiro de ampliar seu programa de “Banda Larga” de baixo custo, bem como pelo desenvolvimento regional que criará empregos e resultará na criação de um pólo tecnológico e  num centro de pesquisa no Estado de São Paulo (Brasil).

Por isso, o encontro da presidente Dilma com empresários de empresas taiwanesas e chinesas resultou em contratos milionários, que poderão ser o início da criação da “cidade inteligente”. A Foxconn e a ZTE já anunciaram a criação de suas linhas de produção no Estado de São Paulo e investimentos que ultrapassam os R$ 30 bilhões.

A líder brasileira se encontrou com Terry Gou, presidente da Foxconn, a maior empresa taiwanesa e terceira do mundo no seguimento de equipamentos eletrônicos,  resultando em um empreendimento que vai gerar 100 mil empregos diretos no Brasil: a abertura de uma fábrica na região de Campinas, Estado de São Paulo, com investimento de US$ 12 bilhões de dólares nos próximos 6 anos.

A Foxconn é a empresa que produz os famosos tablets da Apple, além de componentes de informática de outras corporações como a HP, a Sony e a Dell. No Brasil a empresa será responsável por produzir os “IPads brasileiros”, atendendo ao interesse do governo em produzir tablets com valor acessível ao consumidor de classes mais baixas. Confirmando a informação, o ministro de “Ciência e Tecnologia”, Aluizio Mercadante, afirmou que além de atender ao interesse do governo, o empreendimento vai gerar 100 mil empregos, 20 mil destes, para engenheiros,  abrindo mercado para os profissionais da área e contribuir para o aumento de formandos neste segmento profissional.

Na região onde será instalada a fábrica, Mercadante cita a criação de uma “cidade inteligente”, para atender a demanda de funcionários que trabalharão nas instalações. Para o Ministro, assim que concretizado, este será “o investimento estrangeiro que terá gerado mais empregos na história do Brasil (…). A Foxconn é responsável por 5,5% do comércio exterior chinês. Para se ter uma idéia de o que isso representa, o fluxo de exportação e importação é três vezes maior do que o registrado entre o Brasil e a China, o nosso maior parceiro comercial, cujos negócios ficaram em US$ 56 bilhões em 2010”.

Além da Foxconn, a chinesa Huawei será fundamental para a criação do “Centro de Pesquisa e Desenvolvimento”, resultando num investimento de US$ 350 milhões em Campinas. O projeto da criação deste empreendimento foi feito pelo presidente da Huawei, Ren Zhengfei.

Ele disse para a presidenta com muita firmeza que a operação deles no Brasil vai se expandir e que o próximo passo é um centro de pesquisa e desenvolvimento“, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

A empresa chinesa de telecomunicações ZTE também informou em nota oficial uma parceria com a prefeitura da cidade de Hortolândia, na região de Campinas, no Estado de São Paulo. Nesta região será construído um pólo de produção industrial. Segundo Yuan Lie, presidente da filial brasileira da ZTE,também será o primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento da ZTE na América Latina”.

Juntas, a Huawei, a ZTE e a taiwanesa Foxconn serão peças chaves para os planos de “Banda Larga” e de inclusão digital. Assim, a produção de equipamentos de informática e a distribuição e manutenção de da rede de internet de alta velocidade serão assumidas de forma a atender a demanda prevista pelo governo Dilma.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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