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CHÁVEZ ANUNCIA A EXPROPRIAÇÃO DE OUTRA EMPRESA

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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou na segunda-feira, dia 25 de outubro, que expropriará a subsidiária norte-americana “Owens-Illinois”, empresa que é líder mundial na fabricação de garrafas de vidro e recipientes para alimentos, empregando 22 mil funcionários, nos 21 países onde tem presença pelo mundo.

 

A produção venezuelana corresponde a 5% da produção mundial da Owens. No país ela tem duas fábricas, empregando, aproximadamente, 1.000 funcionários. Em discurso, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, Chávez alegou danos ambientais causados pela empresa, tanto que solicitou a preparação de um dossiê sobre os danos causados.

Aproveitou para afirmar que a empresa explora a Venezuela. Em suas palavras, “Já está pronta a expropriação, Owens-Illinois, exproprie-se. (…). É uma empresa de capital americano, tem anos explorando os trabalhadores, destruindo o ambiente no estado Trujillo (oeste) e levando o dinheiro dos venezuelanos”.

Segundo o Presidente, são medidas necessárias à implantação do socialismo na Venezuela, afirmando que outras empresas serão nacionalizadas sem negociação com a “grosseira burguesia” do país.

Declarou ainda que “não há, nem haverá” acordo entre as partes. Incisivamente, disse “Eles que façam o que quiserem, nós faremos o que temos que fazer, cumpriremos a nossa missão de construir o socialismo”.

Desde 2007, o presidente estatizou, sob a terminologia da “nacionalização”, mais de 340 empresas em vários setores da economia, em especial os estratégicos, como o de energia elétrica, bancos, cimentos, aço, petróleo, alimentos  e ocupou três milhões de hectares de terras, sob a alegação de considerá-las improdutivas, usando a terminologia “resgatadas”, expressão considerada como eufemística pelos analistas.

Neste últimos 30 dias foram nacionalizadas: a produtora de lubrificantes Venoco e as produtoras de fertilizantes “Fertinitro” e “Agroisleña”. Os Bancos também estão em processo acelerado de nacionalização, concentrando  o Estado, aproximadamente, 25% do setor no país.

Representantes da Owens-Illinois afirmaram-se surpresos com o anúncio, pois segundo alegam, estão cumprindo todas as exigências legais do Estado e as metas definidas pelo governo da Venezuela. De acordo com Stephanie Johnston, porta-voz da empresa, “A decisão nos surpreendeu e estamos dispostos a trabalhar com as autoridades governamentais para compreender as razões. (…). Seguimos comprometidos com o cumprimento de todas as leis e regulamentações”.

Analistas afirmam que após o roteiro de visitas seguido por Chávez no exterior vai começar o embate entre ele e a oposição venezuelana. É consenso que o Presidente fez Acordos internacionais para tentar resgatar a imagem de liderança internacional dos países emergentes, postura que havia adotado durante parte significativa de seu governo e foi importante dentro da estratégia de publicidade para garantir a aceitação e apoio da população.

Por essa razão, voltou às propostas de reorganização da ordem mundial e assinatura de grandes acordos comercias, bem como de parcerias, mesmo que as anunciadas não correspondam à realidade do que vem declarando, como é o caso do contrato assinado com a empresa portuguesa Lena, para a construção de poucos mais de 12.500 casas populares pré-moldadas, que representa, na verdade, a redução de, aproximadamente,  um pouco menos de 37.500 unidades, pois a promessa que havia feito no passado era da construção de 50.000 moradias.

De acordo com analistas, a crise em que passa a Venezuela está colocando Chávez na condição de coadjuvante no cenário regional e líder marginal perante a comunidade internacional, razão que o levou à queda de prestígio no país e culminou com a perda da maioria qualificada no Congresso venezuelano.

Neste sentido, de acordo com os observadores, a tendência será de confronto, por isso o mandatário necessita acelerar o processo de implantação do socialismo para manter sob controle político os setores que lhe darão sustentação no caso de a crise econômica evoluir para crise social e a situação política se tornar insustentável.

Outros analistas estão apontando ainda que o Presidente usará dos expedientes do aparato de inteligência do país para perseguição dos inimigos políticos, criação de situações desagradáveis e para conseguir justificativas para expropriações, dentro de suas necessidades estratégicas.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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