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Poder comercial alemão enfraquece as economias européias, afirmou a Ministra Francesa da Economia

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O jornal francês “La Tribune” *, lançou a seguinte questão, no 15 de março de 2010: “Ao indicar, na segunda-feira [15 de março], no Financial Times, que o excedente comercial da Alemanha poderá não ser ‘suportável’ em longo prazo, em especial para os seus vizinhos da zona euro, terá a Ministra Francesa da Economia, Christine Lagarde, quebrado um tabu?“.

As declarações da Ministra francesa ganharam força na União Européia, estimulando a afirmação de que o poder comercial alemão enfraquece as economias da região na medida em que aplica uma estratégia econômica de não cooperação, de acordo com Jean-Paul Fitoussi, presidente do “Observatório Francês das Conjunturas Econômicas” (OFCE).

Fitoussi afirmou ainda no jornal “La Tribune”: “A estratégica econômica alemã assente no crescimento das suas exportações não pode ser reproduzida pelos outros países europeus. Para um país poder exportar é preciso que haja outros que importem. Se todos os países europeus tentassem aumentar as suas exportações ao mesmo tempo, seria o desastre“. “A capacidade de exportação é uma das constantes da Alemanha” desde o século XIX, acrescentou o jornal francês, e “[…] o modelo de exportação é sagrado na Alemanha”, não estando dispostos a abandoná-lo. Apesar das duras críticas dos demais países da Europa, apresentam-no como um exemplo a ser seguido na região, em especial, pela Grécia.

Os alemães argumentam ainda que o país fez planejamento e realizou as “lições de casa” necessárias para que se tornassem os campões mundiais das exportações em 2004, por exemplo.

Os demais países críticos desta política econômica alemã, não realizaram tais medidas necessárias, da forma como foi feito por eles para conseguir um modelo de exportação com alto nível.

O Jornal alemão “Die Welt”** publicou uma notícia com o título: “Tinha de ser precisamente a França!“. Neste artigo, ele afirmou, contrapondo-se ao modelo francês: “um país que, pelo seu conceito tradicional da política industrial, distorce a concorrência internacional, pede ao Governo [alemão] que reduza os excedentes do comércio externo. […] Isso resulta de um raciocínio econômico que, felizmente, a Alemanha pôs de lado nas últimas décadas“.

Por outro lado, o jornal alemão “Handelsblatt”*** comentou acerca da responsabilidade alemã perante os problemas que estão sendo enfrentados pela Europa no momento: “Não seremos, devido aos nossos excedentes comerciais, tão responsáveis como os gregos, os espanhóis e os portugueses pelos desequilíbrios existentes na zona do euro? E não procedemos da mesma maneira, ao investir nas nossas capacidades industriais, para exportar a crise para o exterior?“.

Todo este debate está muito presente na Europa e evidencia a desarticulação da União Européia, bem como a luta pela liderança econômica do Bloco.

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* http://www.latribune.fr

** http://www.welt.de

*** http://www.handelsblatt.com

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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