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Retaliação brasileira aos EUA é anunciada com a lista dos produtos que serão taxados*

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O governo brasileiro anunciou ontem, dia 8 de março de 2010, no “Diário Oficial da União”, à lista dos produtos norte-americanos que serão taxados e qual é o percentual que será adotado para cada produto, seguindo a autorização da “Organização Mundial do Comércio” (OMC).

O valor total da retaliação dos produtos chega a, aproximadamente, 591 milhões de dólares. Como a OMC autorizou a retaliação cruzada, que permite a quebra de patentes, o montante pode chegar a 829 milhões de dólares, dentro do valor autorizado pela Instituição. Ou seja, aproximadamente, 238 milhões serão aplicados sobre os direitos autorais, cuja lista pretende ser anunciada dia 23 deste mês. De acordo com analistas econômicos, os impactos indiretos podem chegar a 1 bilhão de dólares.

Para reverter à situação, o Secretário de Comércio do governo dos EUA, Gary Locke, estará no Brasil, hoje, terça-feira, dia 9 de março de 2010, para tentar uma solução negociada sobre o problema. Esta é a esperança inclusive da Secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, que trabalha para se chegar a um acordo adequado, já que os estadunidenses planejam se aproximar mais do Brasil para a realização de vários projetos, em parceria. Por isso, não podem trazer constrangimentos na relação entre ambos os Estados, uma vez que há a possibilidade de, no próximo ano, 2011, o Brasil ter um governo com outra linha político-ideológica e outra postura em relação aos Estados Unidos.

O presidente Lula aproveitou a oportunidade para declarar que está ocorrendo um amadurecimento nas relações exteriores do Brasil e citou a vinda da Hilary Clinton para exemplificar a mudança de postura do nosso país. A referência que fez foi a de que ele recebeu a Secretária de Estado dos EUA, por um pedido do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, já que não lhe caberia fazer esta recepção, excetuando-se por uma questão de gentileza.

O Presidente fez a referência adequada, dentro do protocolo nas relações internacionais e do trato diplomático exigido no relacionamento entre os povos, quando afirmou que a recepção feita pelo Presidente do Brasil só poderia ser feita na vinda do Presidente dos EUA, Barack Obama, pois ambos são Presidentes da República (Chefes de Estado). Já no caso de Hilary, o contato teria de ser, necessariamente, entre ministros.

A declaração de Lula foi dada em função da afirmação de que o Brasil está perdendo seu sentimento de inferioridade frente às demais grandes potências e nosso povo está aprendendo a exigir respeito.

Independente do fato de a afirmação poder ter sido feita para efeitos propagandísticos e consumo político interno, a postura do Presidente está sendo elogiada, pois, formalmente, está correta e em acordo com a postura exigida para estadistas.

Este será outro ponto usado pelo atual presidente brasileiro na defesa de sua política externa, quando ele estiver, mesmo que indiretamente, participando da campanha eleitoral de sua indicada na corrida presidencial brasileira de outubro de 2010.

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* Links do “Diário Oficial da União” com a Lista completa dos produtos que sofrerão a retaliação.

1.  http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?data=08/03/2010&jornal=1&pagina=5&totalArquivos=100

2. http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?data=08/03/2010&jornal=1&pagina=6&totalArquivos=100

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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