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A Política Externa do Peru em relação à crise venezuelana

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O Presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, também conhecido como PPK, está se tornando um aliado do presidente estadunidense Donald Trump na América do Sul. Neste momento, vem reunindo os países sul-americanos para pressionar o Governo Maduro em relação à crise política vivida na Venezuela. Uma reportagem do portal G1 (07.05.2017) noticiou que o norte-americano ligou para Kuczynski. Nela foi informado que “Trump destacou que os EUA trabalharão junto com o Peru na pesquisa para melhorar as instituições democráticas e ajudar o povo da Venezuela”.

Pedro Pablo Kuczynski em visita à Casa Branca, em fevereiro de 2017

A colaboração entre PPK e Trump está ocorrendo. No início deste ano (2017), o líder peruano solicitou ao estadunidense que deporte o ex-presidente Alejandro Toledo, que se encontra em São Francisco, e é procurado pela Justiça peruana. O Governo dos Estados Unidos pediu a justificação dos motivos pelos quais o ex-presidente deve ser detido, embora seja divulgado que Toledo é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro, resultado das investigações sobre a atuação da Odebrecht no Peru.

Em 8 de agosto de 2017, uma terça-feira, representantes dos países sul-americanos se reuniram em Lima para avaliar a crise política na Venezuela e uma possível reprovação à formação de uma Assembleia Constituinte pelo Governo Maduro. Estiveram presentes os chanceleres e representantes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru. No encontro, tentou-se caracterizar esta instituição venezuelana como “uma nova forma de golpe”. Quatro dias depois, em 12 de agosto, sábado, a chancelaria peruana divulgou uma nota: “O Governo do Peru reitera sua condenação à ruptura da ordem democrática na Venezuela e seu não reconhecimento dos atos da Assembleia Constituinte. A declaração de Lima é a reação regional para defender o último órgão democrático vigente na Venezuela: A Assembleia Nacional eleita democraticamente”.

Pedro Pablo Kuczynski em dia de homenagem aos camponeses, em junho de 2017

Em um comunicado de imprensa, datado de 11 de agosto, a chancelaria do Peru comunicou também que o embaixador da Venezuela foi expulso do país: “O governo do Peru decidiu expulsar o embaixador Diego Alfredo Molero Bellavia. Outorga-se o prazo máximo de cinco dias para abandonar o território peruano”. Além disso, declarou como não recebida a nota de protesto sobre a declaração de Lima. Em resposta o Governo Maduro expulsou o encarregado de negócios do Peru na Venezuela: “Em virtude da medida adotada pelo governo do Peru, nos vemos na lamentável obrigação de expulsar o encarregado de negócios do Peru na Venezuela que terá cinco dias para abandonar o nosso país”.

Conforme divulgado pelo Governo venezuelano, a nova Assembleia venezuelana não existirá apenas com um critério de escolha, mas com dois: o primeiro é o territorial e o segundo o setorial, e não implicará na dissolução dos poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral. É uma nova conformação estatal que dará poderes aos setores sociais. Segundo o critério territorial, cada município tem o direito de eleger um representante, num total de 364. De acordo com o critério setorial, os constituintes serão eleitos por setores sociais, tais como “indígenas, comunas e conselhos comunais, aposentados, empresários, estudantes, pessoas com deficiência, camponeses, pescadores, e trabalhadores — este último setor está dividido entre outros nove subsetores: petróleo e mineração, construção, social, comércio, bancos, economia popular — independentes, administração pública, transporte, serviços e indústria”. Nesse sentido, Assembleia se apresenta em busca de uma nova conformação estatal que inclui amplos setores da sociedade civil do país.

Na região, tem-se observado que o Governo peruano decidiu fazer uma frente anti-Maduro, composta por países temerosos de que esta nova Assembleia seja uma manobra autoritária. No entanto, o momento é propicio para a busca do diálogo, sobretudo, os países signatários do Acordo de Lima* precisam ser assertivos, devendo ser também cuidadosos para que não sejam vistos como praticantes da ingerência sobre uma nação livre e soberana, pois, se isto ocorrer, seus esforços poderão estar logrados ao fracasso.

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Nota:

* O Acordo de Lima reuniu 17 países da América Latina e Caribe em torno da denominada Declaração de Lima, que condena o que consideram uma ruptura da ordem democrática na Venezuela e o não reconhecimento da Assembleia Nacional Constituinte, proposta pelo Governo Maduro (2013-2017). É formado por: Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Granada, Guiana, Honduras, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru, Santa Lúcia e Uruguai. A reunião entre estes países ocorreu nos dias 8 e 9 de agosto de 2017.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Os chanceleres e representantes de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, reunidos na cidade de Lima, em 8 de agosto de 2017” (Fonte):

https://twitter.com/CancilleriaPeru/status/895054241609506816

Imagem 2 Pedro Pablo Kuczynski em visita à Casa Branca, em fevereiro de 2017” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/835221573497823232

Imagem 3 Pedro Pablo Kuczynski em dia de homenagem aos camponeses, em junho de 2017” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/878659588844900352

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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