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A conjuntura política na região do Mar Báltico apresenta um grau considerável de imprevisibilidade e de mudança, que, por sua vez, termina por influenciar o direcionamento da política externa e de segurança finlandesa. As recentes tensões entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a Federação Russa indicam um dilema de caráter geopolítico para Helsínque, cuja resposta poderia acarretar em prejuízo ou benefício para seus cidadãos.

Neste mês (Junho), o Governo finlandês divulgou parte do conteúdo de seu Relatório de Política Externa e de Segurança feito em cooperação com o Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Defesa, Ministério do Interior e com o Gabinete do Primeiro-Ministro, cujo teor apontou: O uso da força militar contra a Finlândia ou ameaças não podem ser descartadas. A Rússia tem mostrado que ela tem a vontade e a capacidade de usar a força militar, a fim de promover seus objetivos. Isto é, dadas as implicações das políticas agressivas de Moscou no plano internacional, os finlandeses optam pelo reforço de sua segurança nacional.

A Finlândia busca manter o diálogo e relações estáveis com a Rússia, entretanto, o chanceler Timo Soini já destacou que na política externa e de segurança, a Finlândia deve se preparar para mudanças rápidas e mesmo imprevisíveis no seu ambiente operacional; não temos a opção ou o desejo de nos isolar. Dito de forma simples, Helsínque almeja articular-se com a União Europeia (UE), Suécia e Estados Unidos, a fim de aprofundar sua cooperação na esfera política e de segurança internacional com o propósito de se prevenir de crises e de inibir influências de táticas híbridas.

De acordo com os analistas, é imprescindível recordar a diferença existente entre o Relatório de Política Externa e de Segurança da Finlândia e o Relatório da OTAN, pois o primeiro abrange recomendações no âmbito do relacionamento internacional, e o segundo trata especificamente sobre as possibilidades de aderência finlandesa ao Bloco Militar, assim como das reações russas no tangente a situação. Em outras palavras, um retrata regularidade de publicações e o outro apenas uma consulta sob encomenda.

Na hipótese de agravamento diplomático entre os atores regionais, é importante frisar dois cenários: no primeiro, Helsínque poderia intensificar suas ações no tocante à política de defesa e ingressar na OTAN – neste aspecto o país faria coro junto aos terceiros Estados Nórdico-Bálticos, e veria sua relação com Moscou definhar até retornar ao nível de compatibilidade; e, no segundo, os finlandeses poderiam aproveitar de sua posição geográfica e de seu histórico bilateral com a Rússia, a fim de promoverem um discurso de mediação, o que permitiria aos mesmos algum poder de negociação – neste aspecto, a força de Helsínque poderia ter origem na política de confiança e de neutralidade que vigorou durante a Guerra Fria e tenderia a utilizar do pensamento geoestratégico para promover seus interesses nacionais.  

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ImagemBandeira da Finlândia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Flag_of_Finland.svg/1800px-Flag_of_Finland.svg.png

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Fontes consultadas, para maiores esclarecimentos:

[1] Relatório: uso militar da força contra a Finlândia não pode ser descartada. Porta entreaberta para a NATO” (Acesso: 17.06.2016)

http://www.hs.fi/politiikka/a1466051767258

[2]O Relatório de Governo enfatiza o aprofundamento da cooperação e de uma política externa e de segurança ativas” (Acesso: 17.06.2016)

http://formin.finland.fi/public/default.aspx?contentid=348077&contentlan=2&culture=en-US

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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