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A política externa estadunidense para os países nórdicos

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Sob os auspícios de uma política internacional voltada para preceitos multilaterais, ainda há espaços para enquadramentos que condicionam o reavivamento de períodos cujo enfrentamento bipolar era muito recorrente no teatro político-diplomático do sistema internacional.

Para melhor compreensão, o último dia 13 de maio permitiu trazer à luz da interpretação diplomática que o encontro de líderes nórdicos na Casa Branca pode ser mais um capítulo do movimento que faz a administração Obama em modelar a conjuntura internacional aos seus interesses, em detrimento da ascendência russa, mas, principalmente da chinesa, em terrenos onde a influência estadunidense sempre foi muito latente.

Com a visita dos primeiros-ministros de Suécia, Dinamarca, Noruega e Islândia, além do Presidente finlandês, a atual gestão democrata em Washington objetiva deixar como legado que as cooperações bilaterais promovidas com seus aliados tradicionais se mantenham ativas, para um eventual novo Governo democrata, seja ele pelas mãos de Hillary Clinton, até então favorita para nomeação do Partido Democrata, seja por Bernie Sanders, Senador pelo Estado de Vermont e também pré-candidato presidencial.

Por outra via, esse encontro entre Chefes de Estado e de Governo, ocorrido na capital federal norte-americana, visou também servir como preparação para o encontro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, ou NATO, na sigla em inglês), em Varsóvia, Polônia, no próximo mês de Julho, além de buscar consolidar as bases e promover novos direcionamentos no âmbito da Nordic Defense Cooperation.

Apesar da declaração conjunta após o encontro direcionar para um tom otimista, há entendimentos por parte de analistas de que as expectativas para elencar resultados concretos são modestas. Entretanto, sob o prisma dos desafios que a Europa tende a enfrentar nos próximos anos, a coordenação iniciada em Washington permitirá: melhor compreensão quanto ao modelo de sanções a utilizar contra a Rússia; a construção de estratégias conjuntas, que previnam o aumento de combatentes estrangeiros em batalhas além-fronteiras; os tópicos a negociar sobre a Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP na sigla em inglês); a crise de refugiados; bem como a sincronização para a cooperação multilateral no Ártico, que constituem os principais desafios destes países com os Estados Unidos, construindo um ideário multilateral, mas com enfoque bilateral, já que se fala em regionalismo e confecção de um bloco com relações bilaterais.

Na perspectiva de segurança e defesa, a Rússia é considerada um ator temerário, principalmente por, segundo eles, projetar sua política externa seguindo um modelo muito semelhante ao da antiga União Soviética e, nesse sentido, a região do Mar Báltico passa a ser estratégica, à medida que a cooperação em segurança entre a NATO e os países nórdicos se aprofunda. O Governo em Oslo já é um aliado importante no Mar do Norte e, sabendo disso, a Casa Branca busca restabelecer as capacidades militares, incluindo a base aérea na Islândia, em Keflavik, como posto para rastreamento de submarinos nucleares russos que partem da Península de Kola. Outros atores regionais também merecem destaque, Suécia e Finlândia, parceiros funcionais para a NATO, com capacidades e experiências em monitoramento de movimentos em torno da Bacia do Ártico e Báltico, assim como do seus respectivos espaços aéreos, oferecendo apoio técnico de valor significativo para a aliança militar ocidental.

Esse quadro, porém, não privilegia apenas ações pontuais regionais. O combate contra o Estado Islâmico (Islamic State of Iraq and Ash-Sham, na terminologia em inglês) é fonte, por exemplo, de um estudo sobre a viabilidade do Estado norueguês enviar aproximadamente sessenta membros das suas Forças Especiais para a Jordânia, com o intuito de servirem como conselheiros militares para os grupos de oposição sírios, além de promover treinamentos com outras forças especiais nórdicas para as forças Pershmerga, de etnia curda.

Por fim, na esfera do comércio internacional, a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) é fonte de otimismo entre as partes, em especial após a 13º Rodada, pois se criou uma alternativa para o acordo com base nas posições dos três países nórdicos, membros da União Europeia (Dinamarca, Finlândia e Suécia), que, mesmo com sindicatos atuantes e altos padrões de trabalho no mundo, ainda conseguem apoio para o TTIP, fator de muitos debates dentro dos EUA e em outros países europeus contra a constituição do bloco.

Desse modo, no saldo final, o modelo de alargamento e aprofundamento promovido pela política externa de Barack Obama, ao longo de seus dois mandatos, é considerado por especialistas em Relações Internacionais como positivo, vista a forma estratégica de fomentar as cooperações com diferentes atores. No caso dos cinco países nórdicos, ao somar suas economias, o resultado alcançado é de, juntas, alcançarem o patamar de 12º economia do mundo e, portanto, em grupo, formarem um importante parceiro comercial, político, econômico e militar com os Estados Unidos.

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Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_nórdicos

 

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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