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A Questão das Relações Bilaterais entre EUA e Uruguai

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A mídia anunciou que os EUA estão estabelecendo relações bilaterais com o Uruguai, com o intuito de minar a consolidação do MERCOSUL. Alguns elementos precisam ser esclarecidos acerca das negociações entre Uruguaios e norte-americanos.

 

Na década dos 90 do século XX, os EUA investiram seguidamente na construção da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), mas receberam as contraposições de grande número de países no continente que argumentaram ser desvantajosa para suas respectivas economias a assinatura do tratado.

A tática adotada pelos EUA passou a ser os investimentos em acordos bilaterais de comércio, os TLCs (Tratados de Livre Comércio) e, com esse instrumento, conseguiu firmar Tratados com alguns países da América Central e América do Sul, mas teve impedimentos naqueles países que são frontalmente contrários aos norte-americanos, sendo este o caso dos bolivarianos (Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua), e  também, por motivos diversos, dos países do MERCOSUL. Nesse sentido o MERCOSUL se mostrou um problema, à medida que não permitia acordos bilaterais e exigia apenas assinatura de tratados pelo conjunto do Bloco.

A questão é que o grupo do Cone Sul não definia suas regras, nem andava significativamente na aplicação de soluções para problemas chaves, como, por exemplo, a dupla tarifação, cuja solução não era proposta e, ainda hoje a solução está sendo adiada, dificultando as negociações. Também não se resolvia o problema da moeda comum, surgindo na atualidade à proposta paliativa do uso livre das moedas nacionais entre os países membros do grupo. Além disso, foram adiados os tratamentos de várias questões, como a configuração do Parlamento do MERCOSUL, que atualmente ainda está sendo resolvido, bem como o tratamento das medidas protecionistas, dentre várias outras.

Os países de menor economia (Paraguai e Uruguai) passaram e exigir alteração no comportamento dos dois maiores (Argentina e Brasil), bem como a revisão de suas posturas e posicionamentos, surgindo ameaças do Uruguai de que, ou abandonaria o Bloco, ou adotaria outras medidas, dentre elas aproximações bilaterais com as econômicas que pudessem suprir suas necessidades.

Nesse debate político os uruguaios abriram as portas para negociar com os EUA um Tratado de Livre Comércio, que deveria passar por etapas. A primeira configuraria o Acordo Quadro sobre Comércio e Investimento (TIFA, em inglês) a partir do qual são feitos acordos em vários setores para definir regras, enquadrar problemas, definir processos, liberar mercados específicos, antes de se chegar a um TLC propriamente dito.

A razão pela qual os uruguaios recorreram aos norte-americanos foi à situação em que o MERCOSUL se encontrava. Hoje, diante, dos problemas que eles vêm tendo com a Argentina desde o governo de Nestor Kirchner, e a forma como estão vendo adiadas suas reivindicações, não deve trazer surpresas que o Uruguai invista mais na aproximação com os EUA.  O acordo bilateral entre ambos não nasceu hoje. Ele é o resultado de um processo dentro do próprio MERCOSUL e está sendo negociado há alguns anos.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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