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A América Latina é o centro das atenções da China

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A América Latina está sendo o centro das atenções de empresários da China, bem como do governo chinês. As relações entre o gigante asiático e os países latino-americanos, que tem crescido constantemente, têm uma expectativa para 2010 de maior crescimento que o registrado atualmente.

A base da confiança chinesa para o continente liga-se à rápida recuperação da região em relação à crise internacional, ao poder de compra crescente e as matérias-primas. Essa base foi confirmada por diversos funcionários de bancos asiáticos durante a “43ª Assembléia Anual da Federação Latino-Americana de Bancos” (FELABAN), realizada na Cidade de Miami, Estados Unidos, no dia 18 de novembro.

Shiqin Li, representante do “Banco Agrícola da China”, em sua sede na cidade de Nova York, afirmou que “O futuro entre a América Latina e a China é brilhante. Estamos em um momento de adaptação e crescimento que resultará em maiores e melhores intercâmbios“. Complementou dizendo: “precisamos um do outro”.

Deve-se ressaltar, contudo, que, apesar do notório desenvolvimento, essas relações não crescerão exponencialmente em curto prazo, pois, como discorreu Feng Liu, vice-presidente do Banco da China (Bank of China), a construção das relações deverá ser estudada em todos os detalhes e também ser criada uma estrutura forte para, de forma eficaz, estabelecer relações comerciais e diplomáticas por longo prazo. Este posicionamento é compartilhado por outros especialistas chineses.

Conforme afirmou Liu, “Neste momento, a China precisa de matérias-primas e a América Latina de produtos manufaturados. No entanto, a tendência é que não as necessitaremos para sempre. É preciso estudar como manteremos uma estrutura comercial com perspectivas futuras“.

São grandes as expectativas de crescimento comercial, para o próximo ano. Em 2008, foram registrados 140 bilhões de dólares no comércio da China com a região e ele poderá apresentar resultados ainda mais satisfatórios, ao final de 2009.

Durante o encontro da FELABAN, Feng Liu, Shiqin Li e John Weinshank, vice-presidente sênior do “Banco de Construção da China” (China Construction Bank) chegaram ao consenso de que a aposta dos chineses na região latino-americana certamente será feita estreitando ainda mais as relações diplomáticas, intelectuais, culturais e comerciais.

Dentro dessa perspectiva, o Brasil é considerado como uma porta de entrada na região. Para isso, estão sendo feitos investimentos não apenas nas relações comerciais entre os dois países (China e Brasil), mas, internamente, na população chinesa, despertando interesses pelo país.

 Na China os investimentos no aprendizado dos idiomas português e espanhol estão sendo ampliados. O objetivo é facilitar a comunicação, as negociações e fomentar o turismo, estimulando os chineses a visitar outros países além dos asiáticos e centrando foco aqui na América.

O Governo também irá aumentar os investimentos na “Zona de Administração Especial de Macau” (RAEM) para aquecer ainda mais os investimentos nos países de língua portuguesa. Isso significa que, na América tenderá a aumentar ainda mais as relações com o Brasil. Usará para tanto de uma plataforma onde a facilidade em negociações e comunicação seja um diferencial para atender aos interesses de ambos. Tem ficado claro que tais relações têm grande importância, pois atendem as perspectivas dos brasileiros no mercado chinês e asiático e da China para auxiliar na sua entrada no subcontinente latino-americano. Isso fica claro no fato de muitas empresas chinesas utilizarem o Brasil como um porto de entrada para seus produtos e, depois, distribuí-los aos países vizinhos na América.

Os chineses também têm boas relações com outros países da região. Durante o ano de 2009 ocorreram ações para aumentar o relacionamento com os sul-americanos, com os quais se observaram resultados positivos nas relações bilaterais, em especial com a Argentina, Chile, Bolívia. Acredita-se que se necessita apenas de tempo para fortalecerem-se tais relacionamentos.

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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