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A CRISE NO EGITO E A INCOERÊNCIA EUROPÉIA

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O diário de Praga “Hospodá?ské Noviny” anunciou: “Caos no Egito: mercados em baixa, petróleo em alta”. O diário indicou que as Bolsas da Europa foram atingidas pela crise egípcia, porque alguns investidores internacionais as consideram mercados ainda em desenvolvimento e, por isso, frágeis.

 

A alta probabilidade do caos no Egito provocar o fechamento do “Canal do Suez”, por onde transita 2,6% da produção mundial de petróleo, fez com que os investidores entrassem em pânico e começassem a vender ações para evitar perdas futuras.

O preço do petróleo está no seu valor mais alto dos últimos dois anos: 100 dólares o barril.  É igualmente esperado um aumento mundial do preço dos produtos alimentares e dos têxteis, pois o Egito é o principal importador mundial de trigo e o principal exportador de algodão.

Além do papel do Egito como rota de transporte do petróleo, o temor de que a turbulência se espalhe para produtores maiores pode influenciar mais o mercado. A Argélia, importante produtora de petróleo e gás natural, tem enfrentado nas últimas semanas protestos anti-governo parecidos com os que tomaram conta do Egito.

Na quarta-feira, 2 de fevereiro, diante dos desafios impostos pela elevação do risco político associado ao Egito e a Tunísia, os eurodeputados debateram a situação destes países com a “Alta Representante para a Política Externa da UE”, Catherine Ashton.

Vários deles criticaram a ausência de uma voz única da UE sobre os protestos, a falta de um apoio claro aos manifestantes e a demora de Ashton em se manifestar. Outros pediram a revisão da política européia de vizinhança em relação aos países do Mediterrâneo e defenderam a saída do presidente do Egito, Hosni Mubarak, do governo.

A “Alta Representante” declarou que as prioridades nas relações UE-Tunísia serão revistas “para adaptá-las às necessidades sociais” e a ação das ONG e de outras organizações da sociedade civil serão apoiadas.

No que diz respeito ao Egito, Ashton declarou que se preocupa com a instabilidade no país, solicitando às autoridades egípcias “libertar os manifestantes pacíficos que foram detidos”, a garantia da liberdade de expressão e o fim das restrições no acesso à internet. A baronesa Ashton também solicitou ao governo egípcio que estabeleça um diálogo com todas as forças políticas e avance rapidamente nos preparativos para as eleições.

Sem uma orientação estratégica clara, ainda que o “Parlamento Europeu” tenha dedicado uma sessão à crise que se alastra pelo “Oriente Médio”, nenhuma ação significativa foi definida e nem sequer foi citada a “União para o Mediterrâneo”, que desmorona por não se mostrar útil, já que não apresenta propostas e nem realiza ações.

Caracterizado como um Bloco de cooperação estratégica, econômica e cultural, a “União para o Mediterrâneo” foi criada em Paris, em 13 de julho de 2008, partindo de uma iniciativa do presidente francês, Nicolas Sarkozy com o objetivo de aproximar a Europa, a África e o Oriente Médio. Posteriormente o Bloco deixou de ser restrito aos países com acesso ao “Mar Mediterrâneo”, sendo ampliado para todas as nações da “União Européia” visando fomentar a paz, a democracia e o bem-estar na região.

Hoje, a União inclui os 27 países-membros da “União Européia” e as 17 nações parceiras: Argélia, Marrocos, Tunísia, Mauritânia e Egito (do norte da África); Albânia, Bósnia e Herzegóvina, Croácia e Montenegro (países balcânicos); Jordânia, Síria, Líbano, Israel, e territórios palestinos (do Oriente Meio), além da Turquia e de Mônaco.

A questão é que o presidente egípcio, Hosni Mubarak, é co-presidente da “União para o Mediterrâneo” e nenhum diálogo por este mecanismo foi acionado pela “União Européia”. No dia 2 de fevereiro o “Parlamento Europeu” defendeu o seu afastamento do governo egípcio, mas não mencionou a saída de Mubarak da co-presidência da “União para o Mediterrâneo”, o que vários analistas têm destacado como sendo, no mínimo, uma incoerência.

Nesta conjuntura de uma Europa que reage com atraso, dispersa, dividida, evitando se impor, fica exposto o fracasso do Projeto europeu de se firmar como um líder coeso no cenário internacional, capaz de ser um mediador em épocas de crises como as que estão ocorrendo no Oriente Médio e no norte da África.

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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