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A DESFRAGMENTAÇÃO DA AMÉRICA LATINA E O BRASIL NO CENÁRIO INTERNACIONAL

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No dia 10 de agosto o Equador assumiu a presidência da União Sulamericana de Nações (UNASUL) sendo este um projeto de integração que, nas palavras do chanceler equatoriano, Fander Falconí, busca “construir, de maneira participativa e consensuada, um espaço de integração cultural, social, econômico e político entre seus integrantes, utilizando o diálogo político, as políticas sociais e a educação”.

 

Inicialmente, percebe-se que a UNASUL seguirá os passos do MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), mas com menos resultados do que este último. A UNASUL tende a se tornar mais um fórum de debates que um Organismo Internacional, pois nasceem clima tenso naAmérica Latina, com diversos conflitos a serem resolvidos na região.

Apesar das poucas possibilidades de sucesso do Órgão, fica sempre presente a questão de o Brasil, devido a sua influência, poder ser o país capaz de mediar o processo de uma integração latino-americana com sucesso.

O Brasil tem participado com destaqueem reuniões de Cúpulano âmbito de Grupos como o G-8, G-20, BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ONU (Organização das Nações Unidas) eem suas agências, entre outros organismos internacionais eem diversos países, sendo qualificado como o líder da América Latina.

Nos últimos anos o país tem sido noticiado pela mídia internacional por sua articulação em reuniões e acordos de cooperação com vários países (e a ampliação da cooperação sul-sul),em diversos âmbitos, para angariar adeptos que o apóiem em sua pretensão de obter mais força no cenário internacional e, assim, pleitear de forma segura um lugar no Conselho de Segurança da ONU, com direito a assento permanente e veto, bem como mais poderem Organizações Financeiras Internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Pode-se afirmar que a liderança brasileira na América Latina é um tipo de ilusão de ótica, isto é, uma percepção não realista sobre uma determinada imagem que, quando investigada de perto e com profundidade, mostra não ser aquilo que parecia.

A razão que leva a ilusão da liderança brasileira é a sua projeção de força ou importância internacionalmente reconhecida, surgida por sua capacidade de articulação.

Observa-se que este poder ilusório é um fator positivo nas negociações comerciais bilaterais com outros países (obtendo maior sucesso fora da América Latina), traduzindo-se neste momentoem algo concreto pelainfluência e estabilidade que apresenta. Fato conseguido na medidaem que reforça acordosinternacionais e mantém boas relações no cenário mundial, o que traz mais confiança ao investidor que deseja realizar negócios no Brasil. Ou seja, a aparente imagem de que o Brasil possui peso cada vez maior nas relações internacionais beneficia as relações comerciais, comprovando que está correta a expressão dos profissionais de comunicação sobre o peso da imagem na negociação: “Imagem é Tudo”. Porém, no âmbito político, está transparente que a projeção de poder do Brasil continua presa na retórica, sem traduzir-se em execução de fato.

Como exemplo, há o problema do MERCOSUL. Ele é um Bloco inacabado, que ainda não alcançou o que se propôsem seu principal âmbitode competência: o comércio. O Bloco não conseguiu ser um fator unificador para mitigar a crise financeira, enfrentando os países-membros mais divergência do que convergência e, exatamente por isso, não se ouve a posição do MERCOSUL sobre a crise financeira e econômica global.

A União Européia se pronunciou, o G-20, o G-8, ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), a APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), a ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas), diversos Organismos da ONU, entre outras Organizações Internacionais se posicionaram e apresentaram planos de combate à crise, porém, o MERCOSUL não divulgou nenhuma posição sobre ações conjuntas a serem adotadas pelo Bloco. Isso denota que ele ainda carece de instâncias, ou mecanismos reais, com influência supranacional, para poder negociar e efetivar políticas comuns.

As suas carências na área comercial se repetem na área política com a desintegração interna, ocasionando o seu não-funcionamento como grupo homogêneo e convertendo-o apenas numa rede de cooperação, que age na escala intergovernamental, mas nunca como um Bloco capaz de mediar conflitos.

O Brasil em sua busca por mais força no cenário internacional tem deixado de lado sua projeção na América Latina como um líder concreto, capaz de mediar conflitos e de continuar o processo de integração ainda inacabado.

Entende-se que os interesses são diversos e contrários na região latino-americana e vivemos, na atual conjuntura, uma enorme fragmentação neste espaço do globo, sabendo-se que qualquer ação deve ser realizada com cuidado e atenção, porém, para um país que almeja um lugar como membro permanente no Conselho de Segurança da ONU, o poder aparente não é o bastante.

O Brasil, caso venha a tomar medidas claras para conseguir o êxito de seus pleitos na arena internacional, deverá emergir nos próximos anos como um ator que efetivamente faça mediação dos conflitos existentes na região para torná-la coesa. Assim, a sua posição de importância significativa na América Latina poderá ser usada como argumento chave para torná-lo membro permanente do Conselho de Segurança, pretensão tão almejada pelo país.

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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