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EUA E RÚSSIA ESTUDAM MAIS AVANÇOS DAS RELAÇÕES BILATERAIS, COM POSSÍVEL ALIANÇA ESTRATÉGICA

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Desde quarta-feira, dia 9 de março, o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, encontra-se em Moscou, , para reunião com o presidente da russo, Dmitri Medvedev, e o com o primeiro-ministro, Vladmir Putin, para tratar da visita que o presidente dos EUA, Barack Obama, fará ao país e retomar os diálogos, visando  intensificar as relações bilaterais entre os dois países.

 

O ponto chave para os russos é o apoio norte-americano para a entrada do seu país na “Organização Mundial do Comércio” (OMC), no entanto muitas outras questões serão tratadas.

Especialista têm afirmado que a aliança estratégica entre os dois países já têm sido aguardada faz certo tempo como forma de permitir o equilíbrio geopolítico e geoestratégico na Europa e na Ásia*, algo respaldado pelo Acordo do “Novo  START”, as discussões sobre o “escudo antimísseis” na Europa e pelas abordagens conjuntas em aspectos da política externa de ambos os países, levando a posições de apoio direto, quando não, ao menos de neutralidade, mesmo afetando interesses próprios (caso do Irã é exemplo), para garantir a aproximação constante entre os dois Estados.

Medvedev tem sido explícito ao anunciar o desejo de estabelecer as “relações estratégicas” e declarou que “As relações econômicas estão atrasadas em relação às políticas. Nesse sentido, a ausência da Rússia na OMC é um obstáculo”, afirmando ainda: “Espero que o processo (para ingressar na OMC) termine este ano com um apoio mais ativo por parte dos EUA”.

O problema atinge diretamente a possibilidade de atrair “investimentos diretos” para a Rússia, pois não há garantias às empresas investidoras de que poderão contar que a produção neste país terá acesso ao mercado mundial, ficando restrita ao mercado russo. Neste sentido a ausência na OMC é um grande obstáculo dentro do planejamento estratégico do atual presidente, Dmitri Medvedev, que tem como uma das metas inserir concretamente a Rússia na cadeia produtiva global.

Sabedor da necessidade de desenvolvimento tecnológico para dar o salto econômico, o Presidente tem apostado nas parcerias para a construção do “Parque Tecnológico de Skolkovo”, bem como nas estratégias de captação de capital externo, mas isto se configura como uma etapa do planejamento geral.

Com os europeus, a Rússia já está entabulando Acordos e parcerias, recebendo aporte de grandes empresas, em especial da Alemanha e Itália, mas, especialistas apontam que os russos sabem ser a Europa (uma vez unificada) um vizinho com o qual se pode ter relações comerciais proveitosas e pacíficas, mas pode demorar para serem os parceiros estratégicos uma vez que os interesses russos podem se contrapor aos deles, a menos que haja uma integração completa de suas economias, cenário muito distante.

Os EUA aparecem neste ambiente como o parceiro adequado, já que eles têm interesse em equilibrar o sistema internacional e a Rússia é um “pino geopolítico e geoestratégico”, pois esta é uma ponte entre dois continentes em constante crescimento, mesmo com a crise que a Europa tem atravessado.

Os problemas para Medvedev são maiores, no entanto. Internamente, há necessidade da reforma política pela qual tem trabalhado, tentando reorganizar as instituições, o “sistema político”, o “sistema partidário” – para acabar com o controle monopolístico das instituições pelo “Partido Rússia Unida” e o controle do poder por um pequeno grupo de líderes**, razão pela qual seus triunfos em Política Externa são vistos como essências para garantir sua liderança diante da população, recursos e força, ante os demais lideres, dando-lhe suporte para implementação do projeto de reforma e modernização do país, além de conseguir criar as condições para salto econômico.

Para obter o apoio norte-americano será necessária revogação nos EUA da emenda Jackson-Vanik***, considerada pelos russos como um resto da “Guerra Fria”, já que a “União Soviética” não existe mais. Analistas apontam que a tendência é de que as relações entre os dois países cresça por necessidades mútuas, ao longo dos próximos anos do governo Obama.

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* O termo técnico geopolítico adotado preferencialmente pelos geoestrategistas: Eurásia.

** No Brasil, este fenômeno é denominado “caciquismo político”.

*** A Emenda foi imposta em 1974 pelos EUA em represália aos impedimentos que a União Soviética colocava à emigração judaica.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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