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No início do século XXI, a Índia e a China entraram em uma fase de melhoras em suas relações, tanto econômicas, quanto diplomáticas. Porém, estão entrando em ma nova fase: uma “guerra fria” em termos econômicos no continente africano, desenhando uma configuração geopolítica na região.

 

A economia foi o principal fator impulsionador da melhora das relações entre os dois gigantes emergentes ao longo dos últimos nove anos, registrando que, no ano 2000, as relações comerciais entre ambos os países apresentaram a marca de US$ 3 bilhões e, no final do ano passado (2008), a marca chegou a US$ 51 bilhões.

Os contatos entre Índia e China não se limitaram apenas ao crescimento das relações comerciais, mas também no campo diplomático e militar. Em dezembro de 2007, na cidade de Kunming, no Sul da China, militares dos dois países participaram de uma série de exercícios militares, contando com a presença de mais de 100 profissionais de cada lado.

Em dezembro de 2008, foi realizada a segunda parte dos exercícios militares conjuntos, desta vez realizada em território indiano, na cidade de Belgaum. No ano passado (2008), o tema para a realização desses exercícios foi o combate ao terrorismo e a luta contra a insurgência.

Foram os primeiros exercícios militares conjuntos realizados na história dos dois países. Antes, esse tipo de preparação era impossível de ser realizada, pois, desde a guerra travada entre Índia e China, em1962, acooperação militar e outros assuntos militares eram descartados.

Apesar desse curto renascimento de aproximações apresentado nesses últimos anos, o clima voltou a mudar em 2009 após a tentativa chinesa em expandir sua influência econômica e militar na África.

Em análise de conjuntura publicada no site do CEIRI, no dia 9 de novembro, titulada  “BRICEM DISPUTA PELAÁFRICA”, foi apresentada a atuação dos membros do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) no continente africano e, entre as quatro nações, Índia e China ,hoje, são as que tem maior destaque na região.

O continente africano se tornou um campo básico de disputa econômica entre os dois países. A China começou a se aproximar de forma mais aprofundada no continente há uma década, apostando nos investimentos baseados em empréstimos com condições excepcionalmente favoráveis para o desenvolvimento de fortes relações comerciais.

Esse país aposta no desenvolvimento dos países africanos, assim como foi apresentado em análise de conjuntura publicada no site do CEIRI no dia 2 de dezembro titulada “NEOCOLONIALISMO: O FUTURO DAS RELAÇÕES SINO-AFRICANAS” e a tendência das relações sino-africanas é de expansão para os próximos anos.

A Índia, por sua vez, não demorou a entrar no jogo da influência econômica neste continente. Os indianos entraram com o desejo de competir e limitar a liberdade de movimentos dos chineses naquela região. A Índia, hoje, é o que possui o maior número de projetos em termos de Investimento Estrangeiro Direto (IED) na África, com 130 projetos seus, contra 86 da China.

Embora haja um número de projetos maior do que da sua concorrente, os investimentos indianos na África chegam apenas a US$ 25 bilhões, contra os US$ 55 bilhões investidos pela China. No entanto, a Índia se move com rapidez para alcançar os chineses nos investimentos, mas ainda não está sendo o suficiente para competir com igualdade.

Na cúpula entre Índia e os líderes dos países africanos, o país prometeu, em 2008, créditos em forma de “ajuda econômica”, aproximando-se dos US$ 6 bilhões, porém esta promessa não foi cumprida até o momento.

A China foi além. Em resposta a promessa indiana, liberou US$ 10 bilhões para África, no final do mês de novembro de 2009. Quase o dobro da promessa indiana. Além disso, está em vias de perdoar as dívidas que os países mais pobres do continente têm consigo, de acordo com a afirmação o presidente chinês, Wen Jiaobao, feita durante o “Fórum de Cooperação China-África”, realizado no dia 8 de novembro de 2009.

Durante o Fórum uma série de acordos foram firmados entre chineses e países africanos para a exploração dos recursos naturais, garantindo-lhes, a realização de obras de infra-estrutura.

Nesta “Guerra Fria” entre China e Índia no continente africano os indianos estão crescendo, mas os chineses estão em grande vantagem, pois a sua aposta sobre o continente está sendo vantajosa para o “Dragão Asiático”, já que este não para de crescer e já está construindo campos de ação para o futuro breve.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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