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A questão da recusa do Irã à proposta de Lula

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O governo do Irã recusou a proposta do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de receber como asilada à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, sob a acusação, principalmente, de adultério e assinato, além de outros.

De acordo com o divulgado na Mídia internacional, o porta-voz do “Ministério das Relações Exteriores” iraniano, Ramin Mehmanparast, manisfetou a opinião de seu governo, afirmando que há erro de percepção do presidente Lula. Em suas palavras, “Que eu saiba, [o presidente Luiz Inácio Lula] da Silva tem uma personalidade muito humana e emotiva e provavelmente não recebeu informações suficientes sobre o caso”.

Os Estados Unidos se posicionaram positivamente com relação à proposta brasileira, anunciada em discurso feito pelo Presidente do Brasil na cidade de Curitiba (Estado do Paraná, Brasil). O porta-voz do “Departamento de Estado” norte-americano, Philip Crowley, afirmou que, “Se o Brasil está disposto a aceitá-la, esperamos que o Irã considere isso como um gesto humanitário. O fato de o Brasil demonstrar atitude indica vontade de resolver e esperamos que o Irã escute”.

A questão trouxe especulações acerca do desdobramento deste diálogo. Os familiares da condenada declararam à mídia que o governo iraniano não poderia recusar um pedido do Brasil, dando a dimensão da considerada amizade existente entre os dois países, quando não, expressamente entre os dois Presidentes, já que o próprio presidente brasileiro se referiu a Mahmoud Ahmadinejad, com “meu amigo”, ao fazer o pedido.

O governo iraniano tem afirmado que as condenações à morte em seu país apenas cumprem as determinações da justiça e estão de acordo com os preceitos morais e religiosos, razão pela qual não podem aceitar.

Além disso, fontes governamentais afirmaram que o estão considerando a atitude do brasileiro uma interferência em relação à política interna do Irã, demonstrando que não gostaram da solicitação feita.

No caso da aceitação do asilo, o regime iraniano poderá ser obrigado a ter de negociar outros casos e a rever seu posicionamento, algo que afetará às estruturas do Estado e os fundamentos do regime político.

No caso brasileiro, está posta a situação de ser visto na prática os limites de negociação estipulados por Teerã, contrariamente ao que tem sido dito por representantes do Brasil, quando afirmaram que os iranianos estão prontos a dialogar sobre questões que afetam à “Comunidade Internacional”, mas não são dadas oportunidades.

De acordo com observdores nternacionais, neste caso, fica explícita e quase validada a interpretação das grandes potências mundiais de que o Brasil está sendo usado pelo Irã e ele será descartado quando interesses iranianos tiverem sido atingidos.

Ainda segundo os analistas internacionais, resta ao governo brasileiro tentar uma negociação política para transformar a situação e sair como vitorioso, já que, caso consiga demover os iranianos da recusa em conceder o Asilo à condenada, poderá usar o acontecimento para consumo interno eneste momento de eleições presidenciais. Ou seja, como forma de responder aos críticos da política externa do atual governo, que tem sido avaliada como equivocada.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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