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A QUESTÃO DO ACORDO MILITAR ENTRE COLÔMBIA E EUA (PARTE 2).

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Após a reunião com Morales, presidente da Bolívia, Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, viajou para o Chile e irá em seguida à Argentina e está realizando essas reuniões hoje. Amanhã conversará com o presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e logo depois irá ao Uruguai, para conversar com Tabaré Vasquez. A tendência é que receba apoio de Uruguai e Chile, que estão se aproximando dos EUA; que seja recusado pela Argentina e receba declarações de condenação do Brasil, mas se espera que, no futuro, o Brasil tenda à neutralidade, independente do que vá anunciar.

 

Deve-se, contudo, ressaltar as declarações do Assessor Marco Aurélio Garcia de que se pode estar reeditando os passos da Guerra Fria. A declaração pode estar correta, mas com as diferenciações típicas da atual conjuntura. Realmente o continente está bipolarizado em dois centros ideológicos. Esses centros, contudo, não são os EUA e uma outra superpotência,  mas dois atores regionais: um que deseja ser o condutor da política internacional na região (a Venezuela) e outro que tem agido para sobreviver diante das ameaças do primeiro (a Colômbia). Os demais atores estão a reboque das ações do primeiro e reações do segundo, principalmente com os passos neutros de Brasil o grande ator que poderia agir como o regulador do sistema, mas não tem priorizado esse comportamento.

Ademais, se observado no conteúdo ideológico, a reedição da Guerra Fria se iniciou com os anúncios e investimentos pelo triunfo do que foi denominado “Socialismo do Século XXI”, quando a Venezuela buscou uma denominada terceira via, com viés indigenista, tanto que conseguiu unir parte significativa dos setores indígenas do continente em torno de sua idéia. A metodologia, contudo, se aproximou mais do modelo socialista da década dos 50 do século XX e, hoje, continua com a Colômbia como contraposição tanto ideológica, como metodológica.

O acordo militar incomoda ainda pelo fato de dar aos colombianos um poder de fogo para, no futuro poder agir na preservação do equilíbrio militar do continente, algo que a atual política externa dos EUA tem evitado esboçar e assumir. Casos como o de Honduras poderão ter, no futuro, um suporte colombiano sem que, com isso, os norte-americanos sejam acusados de interferência nos assuntos internos dos países do continente. Isso poderá ser efetivado já de imediato. Anúncios foram feitos de que o atual governo hondurenho fez reuniões na Colômbia, tendo sido recebido diretamente pelo presidente Álvaro Uribe, e recebeu duras críticas dos governos da Venezuela e do Equador pelo fato. O mesmo fez a Nicarágua, que, no momento, também está anunciando a associação militar dos colombianos como inadequada ao continente. Não se pode ignorar que o território nicaragüense é visto como possível base para as ações de Manuel Zelaya, ex-presidente afastado de Honduras.

As exigências que estão sendo feitas a Álvaro Uribe é de que dê esclarecimentos a todos na reunião de cúpula da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) que será realizada dia 10 de agosto, segunda-feira próxima, em Quito, no Equador. Morales vai propor que todos os membros recusem a presença de bases estrangeiras na região. A questão não produzirá efeitos, apesar de se poder prever que a resposta seja aceita por maioria, recebendo a recusa de Colômbia e Peru, e provável neutralidade de Uruguai e Chile e Brasil, mesmo os três aceitem a proposta.

Independente dos resultados do conjunto de reuniões que o presidente da Colômbia está realizando em suas viagens, as bases dos EUA serão instaladas e significarão um fator de equilíbrio na região, mesmo que o fato seja usado, no futuro, como elemento de discurso para levar a confrontos armados no subcontinente sul-americano.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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