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A visita ao Brasil do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ocorrida na quarta-feira, dia 28 de abril, foi pouco tratada na mídia brasileira, dando-se ênfase apenas ao conjunto de 21 acordos bilaterais acertados entre os dois países. Eles passam por vários setores, desde a agricultura até o mais importante na atual conjuntura, que é o setor energético, graças à crise de abastecimento pela qual passam os venezuelanos.

Durante a coletiva de imprensa a situação teve momentos de tensão quando Chávez foi indagado sobre quando pretendia deixar o poder. Em síntese, o presidente venezuelano respondeu que era uma questão constitucional em seu país, mas que não tinha pretensões para tanto, pois segue a vontade do povo e ele não tem sucessores, acrescentando que não há eleições previstas para tão cedo. Na tocou no ponto de as Emendas constitucionais para garantir indefinidamente sua permanência no poder foram realizadas por ele e seus representantes no Legislativo venezuelano.

Em sua defesa fez comparações entre a continuidade de poder na Venezuela com a continuidade do poder em alguns países na Europa, falando acerca das monarquias, onde o chefe de Estado perdura no cargo, além de citar a possibilidade de continuidade por processo eleitoral dos primeiros ministros de vários países.

Ao fazer tais comparações, Chávez manteve a postura comum na América Latina de reduzir a democracia à existência pleito eleitoral universal e confundir regimes políticos com formas de governo, sistemas de governo, ou regimes de governo. Usa, assim, conscientemente, ou não de retórica para afastar o questionamento acerca da concentração e centralização do poder, respaldados pelo continuísmo no cargo, algo que não tem relação direta com governos Monárquicos e o sistema parlamentarista. O argumento resume-se, assim, a uma manobra para justificar a tendência adotada se manter na Presidência e aumentar a concentração de poder.

A imprensa falou pouco de um elemento importante da visita do venezuelano: o encontro à porta fechada que teve com o presidente Lula. Apesar dos afagos realizados por ambos os mandatários, concretizado nos discursos e nos acertos dos vários Acordos entre os Presidentes, acredita-se que nesta reunião podem ter sido discutidas questões que tem dificultado os investimentos na Venezuela, graças ao não cumprimento das metas estabelecidas por Chávez, bem como pelo fato de estarem ocorrendo atrasos nos pagamentos a serem efetuados as várias empresas que investiram no país, que receberam estímulos para entrar na Venezuela e, no momento, não estão recebendo a contraparte do venezuelano.

Outro tema que se acredita ter sido debatido são as declarações do venezuelano como pró Dilma Roussef. Os responsáveis pelo marketing político da candidata do governo na eleição presidencial de outubro de 2010 afirmam que ela será prejudicada com as constantes declarações de Chávez.

Outro tema, que se supões ter sido tratado é um provável pedido direto do venezuelano para que o Brasil tenha postura pró-ativa em relação à aprovação paraguaia para o ingresso da Venezuela no Mercosul. Ao longo de maio será possível verificar com clareza os teores da conversa realizada às portas fechadas.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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