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O líder norte-coreano, Kim Jong II iniciou sua visita à China no início desta semana. Foi a primeira vez que ele saiu de seu país após sofrer problemas de saúde, em 2008. A visita ao país vizinho neste ano tem um aspecto diferente de sua última visita feita em 2006, quando só foi confirmada à imprensa internacional no momento em que ele retornou à Coréia do Norte.

 

Os motivos da visita à Beijing este ano estão atrelado a objetivos importantes para Pyongyang: (1) o desenvolvimento de um pólo comercial em seu país e (2) conversar sobre o auxílio econômico chinês para o desenvolvimento norte-coreano.  Esses pontos são importantes, uma vez que a Coréia do Norte sofre com sanções econômicas internacionais por causa de seu “programa nuclear”.

A situação norte-coreana ainda é mais complicada, pois suas negociações com os Estados Unidos foram encerradas, desde o segundo teste do seu arsenal nuclear, realizado no ano de 2009. Suas relações com a Coréia do Sul estão cada vez mais tensas e isso influiu na redução comercial entre os dois países, prejudicando ainda mais Pyongyang, uma vez que empresas sul-coreanas têm fábricas instaladas, além de algumas agências de turismo, contribuindo como fonte de renda e emprego para os norte-coreanos.

Tendo esses fatos, Kim deve recorrer à ajuda chinesa, um Estado que sempre manteve relações estáveis com os norte-coreanos.  Aproveitando-se das boas relações, a “República Democrática da Coréia” (RPDC – Coréia do Norte) deve buscar investimentos para desenvolver seu complexo industrial nas proximidades de Sinuiju, em seu território.

O projeto em Sinuiju, que foi iniciado com um “Acordo de Cooperação” entre as duas Coréias, trata de desenvolver Infra-estrutura para a cidade se tornar um pólo comercial e ser uma referência no país, com tentativa de atrair investimentos e mudar a imagem perante a comunidade internacional.

Ainda no tema da cooperação que há entre as duas Coréias, o “Projeto Monte Kumgang”, um projeto para desenvolver o turismo no país, também foi suspenso devido às tensões nas relações entre Pyongyang e Seul.

Estudiosos asiáticos vêem a visita de Kim para o presidente chinês Hu Jintao como uma tentativa de encontrar empresas chinesas interessadas em continuar com os projetos e desta forma reerguer a sua economia. Embora os interesses dos norte-coreanos em Beijing sejam claros, não foram divulgadas informações oficiais pelo governo norte-coreano sobre tal assunto.

Para o professor Wei Zhijiang, “Vice-Diretor de Estudos Coreanos da Universidade Sun Yat-Sem da China”, “a economia norte-coreana tem deteriorado e não existe outra opção para o país a não ser reforçar os laços diplomáticos com a China“. Seguindo a mesma linha,  Kim Yong-Hyun, um estudioso sobre a Coréia do Norte da “Universidade Dongguk”, em Seul afirmou que “a Coreia do Norte tem necessidade de alguns avanços, devido ao fato de o seu isolamento se ter reforçado no cenário internacional e os problemas econômicos acentuados“.

Com a busca por ajuda chinesa e devido à imagem positiva que o “dragão chinês” tem para a RPDC, o presidente chinês Hu Jintao tentará usar destas necessidades norte-coreanas como forma de barganha para trazer a Coréia do Norte de volta as negociações sobre o fim do seu “programa nuclear”, buscando obter uma resposta definitiva do líder norte-coreano durante sua estadia em Beijing.

A Agência sul-coreana Yonhap, sem citar fontes, afirmou que Kim demonstrou disponibilidade para retomar as negociações junto ao grupo dos seis: China, Estados Unidos, Coréia do Sul, Japão, Rússia e a própria Coréia do Norte.

As negociações sobre tal programa estão paralisadas desde o ano passado e a “comunidade internacional” mantém as sanções econômicas para que o país retome as negociações e ponha fim ao seu “programa nuclear”.

A China terá um papel importante para tornar possível o retorno destas negociações. De todos os países que tentam negociar com o governo de Kim Jong II, nenhum deles têm maior respeito do líder norte-coreano que os chinês. Resta agora saber quais serão as estratégias do governo de Beijing para continuar mantendo relações estáveis com a Pyongyang e trazê-la de volta à mesa de negociações.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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