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AGORA, O OBJETO DE DISPUTA PARA ZELAYA COMEÇA A SER O FATOR TEMPO

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As ações realizadas pelo ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, demonstram que a situação continuará indefinida. A estratégia, contudo, mudou. Zelaya está tentando fazer com que o “ganho de tempo” lhe seja favorável, ao contrário do que ocorria antes. Caso não consiga controlar essa condição, certamente sairá derrotado.

No primeiro momento, jogou com a sociedade internacional e recebeu apoio de governos e instituições, especialmente daqueles Estados diretamente relacionados com o ex-presidente, casos específicos da Venezuela, Equador e Nicarágua.

 

Esperava-se que a pressão internacional iria obrigar o atual presidente, Micheletti, a renunciar e a aceitar os termos da retomada do poder por Manuel Zelaya. A resistência do governo em exercício foi além do que se supunha e, hoje, os focos de ação do grupo afastado são outros, embora ele já tenha percebido que o principal instrumento para alcançar o que pretende precisa ser o mesmo.

Devido ao fato de o ex-presidente não poder retornar ao país, a mobilização interna de segmentos da população está sendo feito por membros do Partido Liberal, partido pelo qual foi eleito, e por intermédio de sua esposa, que se encontra em Honduras, agindo nesses grupos para exigir o retorno de seu marido ao governo.

Como ambos contam com o apoio da mídia internacional, que interpreta e divulga o afastamento de Zelaya como “golpe de estado” sem apresentar espaços para a versão de Micheletti, os afastados insistirão em realizar manifestações e fazer marchas. Assim, as mobilizações forçarão a adoção de medidas repressivas mais intensas das forças policiais e essas imagens poderão ser usadas contra o atual governo, pela forma como podem ser divulgadas, ou seja, sem questionamentos e sem apresentar as incitações contra as forças de segurança, que certamente podem ser feitas pelos manifestantes para obrigá-las a agir.

O próprio presidente Micheletti manifesta surpresa com o que tem chamado de “desconhecimento da realidade do país”, afirmando o estado de normalidade, tanto que foi suspenso o toque de recolher em quase todo o território, exceto em regiões de fronteira que podem ser usadas para a entrada do ex-presidente com o objetivo de criar situações de confronto.

Os anúncios de mobilização maciça, com marchas que sairão de sete pontos do país estão previstos para quarta-feira, dia 5 de agosto. Até o momento, as previsões feitas por Zelaya não se confirmaram. Casos expressivos foram: o seu estacionamento na fronteira entre Nicarágua e Honduras e a entrada no país.

É possível que também não ocorram essas mobilizações da forma como estão sendo faladas, mesmo com a ampla divulgação pela mídia estrangeira apenas dos fatos a respeito do ex-presidente, ignorando quaisquer notícias e acontecimentos pró-governo em exercício.

Para que o tempo corra a favor do ex-presidente Zelaya, as manifestações terão de ser radicais, mesmo que não tenham a dimensão e extensão que será anunciada. Com isso, a mídia poderá ser mantida como a principal arma para forçar o mundo a acatar apenas o posicionamento do ex-presidente, exigindo a renúncia de Micheletti. Bastará que as forças de segurança respondam às provocações violentas que devem estar nos planejamentos táticos de alguns grupos de manifestantes.

A última proclamação feita para beneficiar o ex-governante afastado veio do Equador, quando Rafael Correa afirmou que foi acordado entre os membros do MERCOSUL que não reconhecerão nenhum governo eleito no pleito que se anuncia. Só aceitarão um governo, após o retorno do presidente afastado.

Até o momento o fator decisivo para finalizar a crise não tem se apresentado: o posicionamento explícito dos norte-americanos.  Por isso, eles são outros que, independente dos resultados, poderão sair com perdas significativas desse processo. Tanto em termos de capacidade política, quanto de capacidade diplomática, além de deixarem transparente que estão frágeis na manutenção do controle e influência sobre uma região que está em sua zona de influência direta.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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