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Ahmadinejad chega ao Brasil sob protestos e gerando questionamentos sobre os ganhos do Brasil com sua visita

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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad,  recém reeleito sob acusações de fraude e passando por críticas da sociedade internacional devido à adoção de violência contra manifestações opositoras, chegou hoje, dia 23 de novembro, ao Brasil, para uma visita de um dia, durante o qual realizará encontros com as autoridades políticas brasileiras: o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; o Presidente do Senado, José Sarney e o Presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

Acompanhando Ahmadinejad, chegou ao país  uma comitiva composta por 200 empresários no total de 300 pessoas, uma vez que também estarão políticos e assessores do presidente.

As manifestações começaram a ser feitas, colocando nas ruas entidades e instituições defensoras dos Direitos Humanos, dos direitos das mulheres, dos homossexuais e por entidades judaicas que têm expressado seu posicionamento contra a presença do líder iraniano, devido ao fato de este negar o holocausto judeu e pregar a destruição do Estado de Israel, mesmo que por meio de uma guerra de extermínio.

Nos EUA, lideranças já estão se pronunciando a respeito da visita de Ahmadinejad e têm dito que o Brasil perderá o respeito que está adquirindo no cenário internacional, pois a recepção do nosso governo poderá ser vista no mundo como uma legitimação do atual governo e regime do Irã, prejudicando os objetivos políticos da política externa brasileira.

O presidente da República do Brasil tem anunciado que a visita do iraniano irá significar o reforço das relações comerciais com o Irã, podendo quadruplicar esse contato e chegar à casa dos 15 bilhões de dólares, o que trará benefícios na agenda comercial e na diversificação das relações comerciais do Brasil com o mundo.

Além disso, tem reiterado que a vinda deste líder após as visitas dos líderes israelense e palestino, Shimon Peres e Mahmoud Abbas, respectivamente, pode significar que o Brasil terá um papel importante no processo de pacificação do Oriente Médio, deixando de ser um espectador para ser um protagonista, qualificando-se como mediador.

Os assessores do presidente brasileiro têm solicitado que este não faça referências às questões polêmicas, que reforce as diferenças entre os dois países e suas culturas para deixar claro que ambos não se confundem e apenas desenvolva os pontos comuns. Depositam esperança especial na capacidade de Lula de tornar informais os encontros que tratam dos temas complicados.

Eles têm solicitado, em especial, que o presidente discurse sobre a defesa do direito a um programa nuclear; que se faça a crítica às grandes potências; que defenda os países emergentes e amenize as manifestações que ocorrerão no país, ao longo do dia.

Ahmadinejad anunciou que vai propor um programa nuclear conjunto entre Brasil e Irã. Sabe-se que ele irá se posicionar a favor de o Brasil receber uma cadeira como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Analistas têm apontado que, independente dos acordos comerciais que possam ser firmados, a imagem do Brasil na sociedade internacional sairá arranhada, pois não há esperanças de que a postura, ou declaração brasileira, altere qualquer posicionamento do iraniano.

Ademais, também não se acredita que os brasileiros possam ser chamados para atuar como mediadores de um processo de pacificação complexo como o do Oriente Médio, depois da participação e posição brasileira na crise de Honduras, quando houve críticas a respeito do fato de o Brasil ter se posicionado, ao invés de ser imparcial, diante de um problema sobre o qual teve a oportunidade se agir como mediador.

Sendo assim, alguns analistas têm afirmado que o Brasil não obterá ganhos com essa visita, principalmente pelo fato de o Irã poder viver em breve uma agitação e desestabilização política, colocando o Brasil sob um foco que não lhe trará benefícios.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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