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AHMADINEJAD MANTERÁ PROGRAMA NUCLEAR E VOLTA A AMEAÇAR ISRAEL, AUMENTANDO A INSTABILIDADE NA REGIÃO

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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad reiterou que manterá o “programa nuclear” de seu país, mesmo após as sanções que vem sofrendo da “Comunidade Internacional”. A “União Européia” (UE), os EUA e o Japão também aplicaram mais sanções de forma unilateral, além da “Quarta Rodada” que foi aprovada pelas “Nações Unidas” (ONU).

 

A situação econômica do país está em processo de degeneração e, em resposta, o governo está enrijecendo o regime político. Nesta semana, anunciou a condenação à morte da jornalista iraniana Shiva Nazar-Ahari, que foi presa em dezembro de 2009.

Ela sofreu várias acusações: “conspiração contra a segurança nacional, propaganda contra o regime, perturbação da ordem pública” e, estrategicamente, também pelo crime de “moharebeh(“Inimiga de Deus”), pelo qual recebe automaticamente a pena de morte e garante o apoio dos setores mais conservadores da população.

A jornalista, que tem 26, foi detida durante os protestos contra a reeleição de Ahmadinejad e solta logos depois, mas voltou a ser presa quando tentou ir ao enterro do líder Hosein Ali Montazeri, um símbolo da oposição ao regime, mesmo tendo sido um dos discípulos do Ayatolá Khomeini, o líder da “Revolução de Iraniana”, ocorrida em 1979.

Analistas afirmam que a situação da jornalista é complicada e não se acredita que o governo mudará de posição, apenas esperará um momento propício para aplicar a pena, pois vive o problema de manter o controle da população do país, que está dividida e em processo de ebulição, apesar do apoio que ainda recebe de setores significativos da sociedade.

Estes observadores estão questionando a insistência do governo iraniano em manter o “programa nuclear” e em não aceitar que a “Agencia Internacional de Energia Atômica”  (AIEA) faça as vistorias necessárias. Eles têm destacado que, com as sanções aplicadas, o declínio econômico está acelerando, por isso, a ação mais lógica, em termos de relação de custo e benefício, seria voltar à mesa de negociações, exceto se o projeto realmente tiver o fim bélico. Este ponto tem reforçado as suspeitas de que o objetivo principal é a produção da “bomba atômica”.

Para completar o quadro, Ahmadinejad tem anunciado que, no caso de um ataque ao seu país, o Estado de Israel sumirá do mapa, numa ameaça que também tem gerado especulações sobre a possibilidade de que o processo de aquisição de meios para produção de armamento nuclear esteja próximo de se completar.

Logo após o anúncio de que se buscava um caminho para a pacificação do Oriente Médio, com a nova proposta de criação de um Estado palestino em convivência pacífica com Israel, o iraniano solicitou aos palestinos que não abandonem às armas e recusem a proposta feita em reunião ocorrida entre Israel, a “Autoridade Palestina” e EUA.

Observadores estão afirmando que a aposta de Ahmadinejad está, primeiro, que o conflito se espalhe pela região, aumentando o “Teatro de Operações” e as “frentes de combate”. Esta também era uma aposta de Saddam Hussein, do Iraque. Ou seja, trabalha pelo estabelecimento das condições para a disseminação da guerra, algo que pesará nos cálculos dos estrategistas dos Estados Unidos.

Deseja que um conflito na região seja expandido para todo o Oriente Médio. Para tanto necessita que os palestinos entrem em confronto com os Israelenses, no território destes. Caso isso ocorra, aumentam as possibilidades de o conflito se expandir e gerará um custo que, certamente, não será assumido pelo estadunidenses.

Depois Ahmadinejad aposta em criar um ambiente para que um confronto contra o seu país exija dos EUA uma guerra de ocupação, pois sabe que, nestas condições, a economia norte-americana não resistiria e a sociedade estadunidense se voltaria contra.

O presidente o Egito, Hosni Mubarak, fez discurso ontem a noite (domingo, dia 5 de setembro) mostrando preocupação com a situação na região do Golfo Pérsico e também, indiretamente, apresentou suspeitas de que o Irã tem ambições bélicas em relação ao seu programa.

Em suas palavras, “Nossa celebração ocorre no momento em que nosso mundo árabe e muçulmano atravessa tempos difíceis (…), entre o que ocorre no Afeganistão, no Paquistão, no Iraque, no Líbano, no Sudão, na Somália e os novos perigos que surgem na região do Golfo e ameaçam a estabilidade”.

A preocupação maior se expressa no fato de o mundo islâmico ser dividido, já que xiitas e sunitas mantém o comportamento bélico entre si. A Arábia Saudita e vários outros países árabes (o Irã não é árabe, mas ariano) discutem o apoio dos iranianos aos grupos extremistas, em especial ao Hezbollah, mas também ao Hamas, tentando evitar qualquer processo de pacificação na região.

Os norte-americanos estão buscando uma costura política, diplomática e estratégica para permitir a ação adequada no momento do conflito, caso ele não possa ser evitado. Para tanto, estão negociando com a Turquia e solicitando que esta assine as sanções contra os iranianos.  Possivelmente estão trabalhando para realizar acordos econômicos que sejam compensadores.

A situação do região está critica e os riscos estão aumentando. Segundo os especialistas, a forma de antever o momento em que poderá iniciar o conflito passa pelo entendimento da estratégia que será adotada pelos EUA e, neste caso, a retirada do Iraque e do Afeganistão, precisam ser equacionadas dentro de um reposicionamento de tropas e costura de alianças. Quando este ponto estiver configurado, dificilmente uma ação do Irã não será respondida imediatamente.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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