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Analistas afirmam que Barak Obama está criando nova imagem dos EUA na América Latina

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A imprensa latino-americana tem insistido na análise de que o atual presidente dos EUA, Barak Obama, está criando uma nova era de relacionamentos com a América Latina. Os fatos apontados são os de maior divulgação na mídia: o apoio ao reingresso de Cuba na OEA; o governo ter anunciado o fechamento da prisão da Base Naval de Guantánamo; a reaproximação diplomática com a Venezuela; a reaproximação com o Brasil; o comportamento do governo em relação à crise hondurenha e a dedicação do governo dos EUA em investimentos na diplomacia para região.

 

Algumas questões precisam ser dimensionadas para não desviar a atenção do primordial: os EUA não podem perder o espaço que adquiriram no cenário internacional, principalmente neste momento de crise, pois deixarão sua economia sob risco de não conseguir recuperação.

Faz alguns anos que analistas norte-americanos e assessores de seus seguidos governos têm acenado com a distensão em relação a Cuba, para que os norte-americanos não percam espaço econômico quando ocorrer a mudança de regime, algo possível em futuro breve. Assim, tanto o fechamento da prisão em Guantánamo, quanto o apoio ao reingresso dos cubanos na OEA se inserem nessa lógica.

Já  as ações de Obama para a Venezuela demonstram mais elementos. Primeiro que o presidente dos EUA está bem assessorado, com informações sobre o peso de suas atitudes em relação a Hugo Chávez, bem como com atividades intensas na área diplomática, tendo Departamento de Estado trabalhado nas várias regiões do continente e nos muitos setores (econômico, comercial, desenvolvimento, militar, tecnológico etc.), investindo naquilo que os norte-americanos melhor fazem: negócios. Também na arte que eles mais desenvolveram ao longo de sua história: negociação.

As ações de Obama foram realçadas até o momento pela mídia internacional pelo fato de o atual presidente dos EUA estar investindo sério na governança global. Mas não se pode esquecer que o momento exige esta atitude pela crise que a economia do país está passando.

Ademais, em nada este comportamento se afasta da forma de se conduzir do Partido Democrata. Jimmy Carter (presidente dos EUA de 1977-1981, eleito pelo Partido Democrata) agiu da mesma maneira, na década de 70, e, curiosamente, o mundo passava por outra crise de proporções tão grandes quanto a atual: a do petróleo. Investiu na governança global, investiu nas aproximações com países considerados inimigos, investiu no relaxamento em relação aos países do Oriente Médio e em relação ao Irã, bem como adotou maior tolerância para com os países da América Latina. Sem esquecer que foi em seu governo que se iniciou a política de criar condições para empréstimos bancários visando à aquisição de moradias para pessoas de baixa renda, sem garantias de saldar a dívida. Ou seja, foi no seu governo que se iniciaram as políticas geradoras da bolha imobiliária, estopim da atual crise internacional, emergida no meio do ano passado (2008).

Guardadas as devidas proporções, temos o mesmo método, aplicado pelo mesmo partido, curiosamente, com conjuntura equivalente, embora as estruturas das economias nacionais e internacionais de hoje sejam distintas das da década de 70. Esta parece ser a novidade: estrutura diversa nos períodos, mas com conjuntura equivalente (ou seja, coisas diferentes produzindo mesmo efeito). 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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