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ANALISTAS APONTAM: CRISES NAS NAÇÕES ÁRABES E ISLÂMICAS ESTÃO FAVORECENDO O GOVERNO DE HUGO CHÁVEZ

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Os analistas internacionais estão apontando que as crises nas nações árabes e no Oriente Médio estão favorecendo o governo de Hugo Chávez, na Venezuela. A situação tem sido vista de três perspectivas: (1) econômica; (2) mobilizadora e (3) propagandística.

As crises políticas têm gerado aumento do valor do barril de petróleo (acima dos 100 dólares). Como a Venezuela é um país cuja economia depende na quase totalidade da produção de petróleo e é uma das grandes produtoras mundiais, o aumento do seu preço está trazendo divisas aos venezuelanos, ao ponto de dar fôlego ao Governo Chávez, não previsto neste momento em que a oposição venezuelana o tem confrontado e se mostra disposta a seguir até às últimas conseqüências para impedir que o atual mandatário continue no poder, fato que tem levado os observadores internacionais a apontar que em breve haverá uma grave crise política no país.

 

De acordo com os especialistas, Chávez, com os recursos que refluem à Venezuela, começa a fazer investimentos para evitar as perdas de apoiadores nos setores que são a base de seu regime e estavam abandonando o mandatário e seu partido, o “Partido Socialista Unido de Venezuela” (PSUV).

O fôlego econômico e financeiro está sendo acompanhado da concretização do denominado “Pólo Patriótico”, a Frente que o apoiará até o momento da eleição, em 2012.  O PSUV começou no dia 21 de fevereiro a fazer os debates para configurar as “cinco linhas estratégicas” que regerão os trabalhos do grupo, visando evitar o crescimento da oposição e configurar uma proposta de governo. Os debates começaram pelos bairros nas cidades do país e se pretende que chegue a um encontro nacional, quando serão ativadas as diretivas e feita a chamada para que ele denomina como “mobilização permanente”.

Seus ministros estão correndo à mídia para apresentar as alegadas conquistas do Governo. Como tática ressaltam as sociais e esquivam-se de mostrar as possíveis outras escolhas econômicas que poderiam ter sido feitas para gerar os mesmo resultados, sem as perdas que o modelo chavista gerou e continua gerando. Além disso, insistem nas comparações com os governos anteriores da Venezuela no tópico da inclusão social.

Exemplo desta atuação foi a declaração do deputado Jesús Farías, integrante da “Comissão de Finanças”, que afirmou ter a pobreza passado de 70%, em 1998, para 26%, em 2010, da mesma forma que a pobreza extrema caiu de 40% para 7,1%, no mesmo período. A justificativa que apresenta para os fracassos são “as causas incontroláveis”. Em suas palavras: “Nos últimos dois anos, pese ao decréscimo econômico por causas que escapam ao nosso controle, como a crise internacional e a mudança climática, conseguimos manter os indicadores sociais”.

Outro exemplo da aplicação da tática é a declaração do ministro venezuelano de “Ciência, Tecnologia e Indústrias Intermediárias”, Ricardo Menéndez, durante um pronunciamento feito na “Assembléia Nacional” (AN). Afirmou: “aí estão os recursos dos venezuelanos, estão no investimento social, no resgate da condição de vida de um povo”.

Apesar destes discursos, os dados apontam que várias indústrias venezuelanas que foram estatizadas, como as de ferro, aço e alumínio, declinaram suas produções. Segundo os líderes sindicais do país, isto se deu devido aos vários erros cometidos pelo governo e por seu regime.

De acordo com Pedro Acuña, o dirigente sindical da Sidor (uma siderúrgica que já foi a maior da zona andina e caribenha, cuja produção em 2007 era 4,3 milhões de toneladas de aço líquido): “A destruição de Guayana é total. Retrocedemos uns 40 anos”. Todos as lideranças convergem para a opinião de que isto foi gerado pela má gestão, pela corrupção, pelo favoritismo político e pela pouca manutenção dos equipamentos.

Neste confronto entre os discursos governamentais e os fatos apresentados pela oposição, a vantagem está para o Governo, graças aos recursos extras que estão surgindo com as crises nos países árabes e islâmicos.

Além disso, Chávez tem aproveitado do acontecimento no “Norte da África” e no “Oriente Médio” para usá-lo como mobilizador da população venezuelana, reforçando as declarações contra o que afirma ser o “imperialismo das grandes potências” e atacando diretamente os EUA. Neste sentido, na propaganda feita, está atribuindo a culpa da situação também aos ocidentais. Para complementar está defendendo os líderes aliados da região e buscando parceria com aqueles que configuram o que considera ser uma espécie de linha de frente contra os norte-americanos.

O apoio a Muammar Kadhaffi segue neste sentido e é explícito, ao ponto de declarar que a mídia internacional está deformando as notícias para acusá-lo, juntamente com outros líderes que estão sendo depostos, com o intuito de justificar uma intervenção, que beneficiará o chamado “imperialismo ocidental”.

Em suas palavras: “Sim, apoiamos o Governo da Líbia, a independência da Líbia, queremos paz para a Líbia e temos que nos opor decididamente às pretensões intervencionistas. Eu não posso dizer que apoio, que estou a favor ou aplaudo qualquer decisão que tome qualquer amigo meu em qualquer parte do mundo, não, (porque) estou à distância (…) Queremos paz no mundo e temos que opor-nos a pretensões intervencionistas”.

Indiretamente, tentou ainda explicar como a imprensa manipula a informação: “Condenam de imediato a Líbia. Ficam calados com o bombardeio e os massacres no Iraque e no Afeganistão, não têm moral então para condenar ninguém. (…). Desde aqui, com este coração por Kadhafi, pela Líbia, uma oração pela paz e oxalá consigam, como nós, que tivemos golpes, guerras civis e intervencionismos, conseguimos”.

Para completar, no domingo, dia 27 de fevereiro, Hugo Chávez conversou com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, sobre as ameaças externas que os dois alegam estar sofrendo seus países, bem como sobre o que afirmam ser incitações vindas de fora para que suas populações ajam contra os respectivos governos.

Para responder às alegadas ameaças, acordaram uma aliança contra as “conspirações das potências imperialistas”. Nas palavras de Ahmadinejad: “O Irã e a Venezuela, através de posições idênticas, defendem os direitos de todas as nações”. Ou seja, usam como propaganda que eles são a “defesa” contra os intervencionistas no mundo.

Esta postura tem servido ao mandatário venezuelano para garantir a mobilização do segmento que lhe apóia em seu país, naquilo que ele tem chamado de “luta pelo socialismo do século XXI”. Mas,  este não é o ponto mais importante, pois, independente da guerra de propaganda que está fazendo, os riscos são muito grandes, já que está se identificando no grupo das personagens tidas como as mais desrespeitosas aos “Direitos Humanos” da atualidade. E isto está sendo visto pelos opositores em seu país.

Por essa razão, o ponto essencial está nos recursos que estão entrando na Venezuela devido ao aumento do preço do petróleo, que, se for prolongado por muito tempo, lhe permitirá recompor o caixa do Governo, ao menos para garantir o apoio das classes que lhes dão suporte político.
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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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