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Analistas apontam semelhanças entre a campanha de Humala e a de Lula, em 2002

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Os analistas internacionais estão apontando semelhanças entre as campanhas eleitorais do candidato à “Presidência da República” peruana Ollanta Humala e aquela utilizada pelo “Ex-Presidente da República” brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Os observadores apontam que o peruano está adotando posturas semelhantes; promessas de realizar um pacto com todos os setores da sociedade (divulgou o texto “Compromisso com o Povo Peruano”, que está sendo considerada uma versão do “Carta ao Povo Brasileiro” de Lula); mudança de visual para afastar a imagem de revolucionário (não está mais aparecendo com roupas vermelhas); slogan semelhante ao de Lula, aparecendo seguidamente a citação de que “a esperança vai vencer o medo”; está evitando discursos sobre temas polêmicos que podem comprometê-lo; está evitando atacar os adversários, adquirindo imagem equilibrada; está reconhecendo o crescimento do país com discursos de incentivo ao capital para não afastar os investidores; está concentrando as críticas na falta de distribuição de renda, para onde voltará suas atenções, com promessas de inclusão social pela via reformista e está evitando ser associado a Hugo Chávez, que lhe trouxe problemas nas eleições de 2006.

Os especialistas afirmam que suas chances tem aumentado seguidamente, devido as fracas campanhas dos adversários, pois está assumindo o papel de “esquerda moderada”, “reformista”, acalmando as classes mais altas, sem afastar o grosso de seu eleitorado composto principalmente de cidadãos pertencentes às classes mais baixas.

Ademais, tem se mostrado como um nacionalista, apresentando discursos de defesa da soberania e dos cidadãos peruanos, como foi a declaração de que responderia de forma igualitária em relação ao tratamento dos peruanos no Chile. Esta postura tem agradado setores que não se posicionam ideologicamente e exigem  a defesa dos interesses nacionais.

Como as semelhanças entre as campanhas de Humala e Lula são muito grandes, aventou-se a possibilidade de brasileiros estarem cuidando de seu “marketing político”. A suspeita foi reconhecida por parte do candidato, ao afirmar que Luis Favre e Valdemir Garreta estavam trabalhando no processo eleitoral. O candidato, no entanto, negou qualquer interferência do “Partido dos Trabalhadores” (PT) brasileiro no processo.

Segundo afirmou, “Luis Favre e Valdemir Garreta estão trabalhando com o comando da campanha. Eu poucas vezes falei diretamente com eles”, recusando intromissão estrangeira nos assuntos internos do Peru. Completou: “Não há nada disso, não aceitamos intromissão estrangeira de nenhum país. Não aceitamos isso nem de governos nem de partidos políticos”.

Sua declaração foi respaldada pela embaixada brasileira no Peru que declarou: “O governo do Brasil não tem conhecimento disso. Quero enfatizar que um princípio básico de nossa política internacional, da política externa, é não interferir em assuntos internos de outros Estados, principalmente dos países tão amigos como o Peru, não participamos, não nos metemos”.

De acordo com observadores, é possível que este seja realmente o caso, tratando-se de serviços terceirizados de profissionais da área do “marketing político” e não de interferência brasileira em assuntos peruanos. Mesmo porque, segundo alegam, não se sabe qual será o comportamento do candidato com relação as grandes empresas brasileiras que tem bilhões de dólares investidos no país, caso ele seja eleito.

Se ele seguir os discursos nacionalistas apresentados haverá riscos de grandes perdas para elas. Por essa razão preferem apostar que não há envolvimento do governo brasileiro no processo nem do “Partido dos Trabalhadores”, embora ressaltem que o fato não passou despercebido pelas autoridades brasileiras, nem pelas lideranças do PT, já que homens próximos se encontram chefiando a campanha de Humala e há afinidade ideológica entre eles.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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