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Apesar das ameaças de guerra civil a campanha presidencial em Honduras se mantém

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A campanha presidencial em Honduras se mantém, apesar das declarações da Frente para a Resistência de que manterá seu posicionamento e não reconhecerá as eleições do país, a qual ocorrerá em 27 de novembro deste ano.

 

O risco de uma guerra civil é constante, principalmente devido a dois fatores:

1. O apoio que a sociedade internacional tem dado à oposição, recusando espaços para que o governo de Roberto Micheletti, atual presidente hondurenho, exponha e discuta perante a comunidade internacional os fatos que levaram ao afastamento do Manuel Zelaya, presidente afastado. Esse apoio tem se manifestado, principalmente, pelas declarações de lideranças e governos pelo mundo de que não reconhecerão as eleições, exceto se ela ocorrer após o retorno de Zelaya ao país, reassumindo seu cargo, e pelas pressões realizados por intermédio do congelamento de acordos, tratados e fornecimento de recursos à Honduras.

2. O segundo fator que tem gerado grande pressão sobre Roberto Micheletti é a posição neutra dos EUA, até o momento. Apesar de comungar da opinião da comunidade internacional, o governo norte-americano tem se mostrado neutro e ficado na expectativa do desenrolar do processo. Ou seja, embora o discurso seja o de apoiar as manifestações contra Roberto Micheletti, os norte-americanos, tradicionais defensores da democracia, dão indícios de que vêem que os fatos ocorridos não configuram um golpe de estado, sendo uma situação específica, que requer maiores análises para uma tomada de decisão. A posição de neutralidade, contudo, tem dado forças à oposição do país e levado às lideranças da América do Sul a se pronunciar de forma crescentemente incisiva sobre a questão.

Diante das declarações feitas por Zelaya de que irá retornar ao país e dos anúncios de Micheletti, de que se Zelaya o fizer será julgado, a crise seguirá num afunilamento, cujo cenário mais provável é o crescimento da violência tanto da oposição por parte, quanto por parte da do governo atual.

São indícios de que se configura uma guerra civil, caso, encerradas as eleições, o posicionamento da sociedade internacional se mantiver, pois será legitimada a interferência direta do presidente da Venezuela, que se mostrou o mais interessado no processo hondurenho desde o momentoem que Zelayaassumiu que estava ao lado dos bolivarianos, na América Latina.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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