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Apesar das diversas críticas, o Parlamento Europeu aprovou a nova “Comissão Européia”

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A sessão plenária do Parlamento Europeu aprovou ontem, dia 09 de fevereiro, a nova Comissão Européia, com 488 votos a favor, 138 contra e 72 abstenções.

Os “populares”, “socialistas” e “liberais” europeus apoiaram os 26 comissários, com 488 votos, maioria suficiente para a equipe iniciar os trabalhos. Os “verdes”, a “esquerda” e os “eurocéticos” rejeitaram a comissão com 138 votos. Os “conservadores” e os “reformistas” europeus não exerceram o direito de voto, contabilizando 72 abstenções.

Contudo, a nova Comissão foi aceita, mas não sem críticas. Os eurodeputados manifestaram insatisfação com as vagas respostas dos candidatos durante as audiências. De acordo com o jornal espanhol “El Mundo”, em notícia publicada ontem, o líder do “Partido Socialista Europeu”, Martin Schulz, aproveitou o encontro para lamentar a aprovação do novo grupo de comissários que, segundo ele, parecem “monges” comprometidos com o “voto de silêncio” para não esclarecer as suas posições.

A mais criticada do dia foi Catherine Ashton, a “Alta Representante da Política Externa da União Européia” e “Vice-Presidente da Comissão”, questionada, desde a confirmação de sua indicação, por sua falta de experiência para liderar estes postos de grande importância para o Bloco.

Mostre alguma idéia, lady Ashton, defenda algo! Para a senhora tudo é importante, mas não sabemos o que!”, solicitou Daniel Cohn-Bendit, líder do Partido Verde.

Por outro lado, os socialistas apoiaram a nova Comissão. Fernando López Aguilar, líder do “Partido Socialista Europeu” na Eurocâmara, justificou seu voto a favor da equipe justamente pela instabilidade econômica que vivencia a Europa e destaca que “frente à crise não podemos responder com mais crise”.

O espanhol Joaquín Almunia, “Comissário dos Assuntos Econômicos” até ontem, passando hoje, dia 10 de fevereiro, para a pasta Concorrência, não ficou isento das críticas. O eurodeputado português da “Esquerda Unitária Européia/Esquerda Verde Nórdica”, Miguel Portas, apontou o espanhol como o causador da queda nas bolsas européias ao comparar a situação da Grécia – que enfrenta uma forte crise – com a Espanha e Portugal. “O papel de um comissário não é jogar gasolina ao fogo”, alertou o eurodeputado.

Além da crise econômica, a UE enfrenta uma crise política nesta fase de transição para a aplicação do Tratado de Lisboa. Alain Lamassoure, veterano europopular francês, queixou-se na sessão plenária sobre o fato de o presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero ir aos eurodeputados em janeiro, para apresentar as prioridades da presidência rotativa do Conselho Europeu, quando o presidente do Conselho Europeu é, com o novo Tratado, Herman Van Rompuy, a quem caberia receber as prioridades da presidência rotativa.

A declaração de Lamassoure foi realizada para alertar a falta de liderança na União Européia. “Não sabemos quem leva a batuta na União Européia, como também não sabem os cidadãos europeus, nem os Estados Unidos”, afirmou o francês, em referência à suspensão da “Reunião de Cúpula” entre Washington e a União Européia pela confusão institucional. “A União necessita de um piloto”, insistiu Lamassoure.

Ao término do debate realizado na Sessão Plenária, os eurodeputados realizaram a votação aprovando a nova equipe a ser liderada pelo português José Manuel Barroso. Diego López Garrido, Secretário de Estado espanhol, felicitou ao português em nome da Presidência espanhola e dos Estados membros.

Para a Presidência espanhola, a Constituição da “Comissão Européia” é fundamental, pois durante os últimos três meses de atrasos para a formação da nova equipe, a Comissão esteve apenas atuando em algumas funções e não podia lançar propostas legislativas, logo, o Governo espanhol tinha uma estreita margem de manobra ao não contar com as propostas para sua Presidência rotativa no Conselho Europeu.

 

Veja abaixo a listas das pastas e dos novos Comissários Europeus:

 

Catherine Ashton (Reino Unido): Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Vice-Presidente da CE

Viviane Reding (Luxemburgo): Justiça, Direitos Humanos e Cidadania

Joaquín Almunia (Espanha): Concorrência

Siim Kallas (Estónia): Transportes

Neelie Kroes (Holanda): Agenda Digital

Antonio Tajani (Itália): Empresa e Indústria

Maros Sefcovic (Eslováquia): Relações Inter-Institucionais, Administração

László Andor (Hungria): Emprego, Assuntos Sociais e Integração

Michel Barnier (França): Mercado Interno e Serviços

Dacian Ciolos (Romênia): Agricultura e Desenvolvimento Rural

John Dalli (Malta): Saúde e Consumidores

Maria Damanaki (Grécia): Pesca e Assuntos Marítimos

Karel De Gutch (Bélgica): Comércio

Stefan Fülen (República Tcheca): Ampliação

Máire Geoghegan-Quinn (Irlanda): Ciência, Pesquisa e Inovação

Johannes Hahn (Áustria): Política Regional

Connie Hedegaard (Dinamarca): Mudanças Climáticas

Resposta Kristalina Georgieva (Bulgária): Ajuda Humanitária e Resposta a crises

Janusz Lewandowski (Polônia): Programação Financeira e Orçamento

Mallmstrom Cecilia (Suécia): Assuntos Internos

Günther Oettinger (Alemanha): Energia

Andris Piebalgs (Letônia): Desenvolvimento

Janez Potocnik (Eslovênia): Meio Ambiente

Olli Rehn (Finlândia): Assuntos Econômicos e Monetários

Algirdas Semet (Lituânia): Assuntos Administrativos, Auditoria e Luta Anti-Fraude

Androulla Vassiliou (Chipre): Educação, Cultura e Multilingüismo e Juventude

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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