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AS AUSÊNCIAS DA ALTA REPRESENTANTE DA POLÍTICA EXTERNA EUROPÉIA GERAM DESCONTENTAMENTO NOS LÍDERES EUROPEUS E FALTA DE CREDIBILIDADE INTERNACIONAL

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Três meses depois de Ashton ter assumido o novo cargo, os elogios são praticamente inexistentes e as críticas por todos os lados.  As prioridades da “Alta Representante da Política Externa” européia, Catherine Ashton, continuam gerando um descontentamento crescente entre os governos dos vinte e sete países do Bloco.

Ontem, dia 4 de março, Ashton anunciou que “não vê necessidade” de ir à Cúpula entre a União Européia e o Marrocos, que será realizada neste final de semana, gerando críticas em diversos setores da Comunidade Européia, principalmente porque a Alta Representante começa a ser conhecida por suas ausências nos encontros que são importantes para o Bloco.

 

Desde a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, ocorrido no dia 25 de fevereiro, a presença de Ashton na primeira reunião de Ministros de Defesa da União Européia e o Secretário Geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, estava confirmada. Além disso, sua presença foi anunciada dias antes da reunião, mas no último instante a Alta Representante cancelou sua ida para ir assistir à tomada de posse do novo Presidente ucraniano, Victor Ianukovich.

O Ministro da Defesa francês, Hervé Morin, indagou: “Não é extraordinário que, esta manhã, para manifestar os laços entre a OTAN e a UE, tenhamos aqui o secretário-geral da OTAN, mas não a Alta Representante, na primeira reunião desde que o Tratado de Lisboa entrou em vigor?“.

Já o Ministro da Defesa holandês, Jack de Vries, chegou a afirmar que “a senhora Ashton fez-se notar pela ausência” e, a espanhola Carme Chacón, frisou a “lamentada ausência de Ashton”. Ainda frustrados, vários ministros lembraram que Javier Solana, o antecessor de Ashton, nunca faltou a este tipo de reuniões.

Completando os últimos “episódios de ausência”, a baronesa já tinha sido fortemente criticada pela gestão da ajuda européia ao Haiti, a começar por não se ter deslocado a Porto Príncipe logo após o terremoto, como fez a sua homóloga norte-americana, Hillary Clinton.

Como afirma o jornal “The Times”, o “vago descontentamento” em relação ao desempenho de Ashton caminha para se “transformar em crítica frontal“. Ainda de acordo com o diário londrino, este “ataque” foi iniciado pela França, que “pretendia um ministro dos Negócios Estrangeiros mais forte“, mas ele está se espalhando por todo o continente.

A recusa de Barack Obama ao convite europeu para participar da Cúpula UE-EUA, a ser realizada em maio, revela as fraquezas da Europa e a falta de credibilidade do Bloco perante o cenário internacional.

Como enfatiza o Wall Street Journal, a União tem atualmente “uma série de presidentes: o do Conselho, Herman Van Rompuy; o da Comissão, Durão Barroso; e o da presidência rotativa da União, atualmente ocupada pela Espanha“.

O Tratado de Lisboa, que deveria proporcionar um interlocutor europeu único aos outros países, acabou por multiplicá-los. “Agora que o Tratado de Lisboa está em vigor, em vez falar a uma voz, a UE fala a quatro vozes – no mínimo!”, sublinha o diário alemão Süddeutsche Zeitun.

A Revista Time, em artigo sarcástico, intitulado “O incrível encolhimento da Europa”, menospreza os mecanismos criados pelo Tratado de Lisboa, que parecem “uma paródia de tudo o que está mal na UEa, burocrática e complicada, construída na base de ‘opções menos más’ e aparentemente projetada para alimentar guerras intestinas em vez de se virar para a ação“.

A revista nova-iorquina complementa afirmando “se a Europa quer realizar os seus sonhos e os dos outros, tem de mudar a sua maneira de agir. Atuar como um bloco único dar-lhe-ia maior influência”. A Time explica que “os líderes da UE já não conseguem evitar a pergunta difícil: afinal, os seus Estados-membros – e respectivas forças políticas nacionais – querem, realmente, uma polític externa comum?”.

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Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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