LOADING

Type to search

Share

O ano de 2010 será bem agitado para os planos dos Estados Unidos em sua política para a Ásia. No final do ano de 2009 o presidente norte-americano, Barack Obama, visitou alguns países da Ásia Oriental como a Coréia do Sul, Japão e a China para estreitar laços comerciais e diplomáticos, tendo em vista não perder influência na região.

 

Obama se deparou com a necessidade de repensar as relações dos Estados Unidos com a Ásia Oriental, pois o Primeiro Ministro do Japão, Yukio Hatoyama, busca maior integração dos 10 Países-Membros* da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês) com o Japão, China e Coréia do Sul, além de fomentar a criação de uma moeda comum, dispensando o dólar em transações comerciais e não mede esforços para estreitar relações com a China, que ocupou a posição dos Estados Unidos como maior parceiro comercial do Japão.

Enquanto os Estados Unidos (EUA) buscam melhorar e intensificar a relação com a Ásia, principalmente com a China e o Japão, as nações asiáticas estão se movimentando de forma a diversificar suas relações comerciais para não depender apenas dos EUA. Atualmente, o governo norte-americano tem forte rejeição da população de algumas regiões do Japão, sendo este um fator que dificulta as relações diplomáticas e comerciais com o país e, em contrapartida, os EUA observam a China estabelecendo novos parceiros diplomáticos e comerciais em um plano de longo prazo e com vistas a se tornar uma Superpotência.

Nesta conjuntura é importante observar, ainda que brevemente nesta análise, o panorama das relações entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) sob a perspectiva chinesa.

A China enfrenta, atualmente, algumas divergências diplomáticas e comerciais com a Índia, estando em um momento de “Guerra Fria”, como apresentado em análise de conjuntura publicada no site do CEIRI, dia 21 de dezembro de 2009, com o título “A ‘GUERRA FRIA’ DA CHINA E ÍNDIA”. Apesar deste clima tenso, a relação entre os dois países está apresentando importantes progressos.

A relação entre os chineses e a Rússia também vem progredindo, mas sem grandes destaques, diferente do que ocorre nas relações entre Brasil e China.

Embora o Brasil e a China sejam concorrentes no plano do comércio, as relações comerciais e diplomáticas entre ambos cresceram significativamente em 2009 devido à crise econômica internacional. Para os EUA essas conexões podem trazer preocupações futuras, pois as relações sino-americanas divergem em diversos temas, desde as mudanças climáticas, até as questões políticas.

Para contornar as constantes divergências, o presidente norte-americano, Barack Obama, durante sua visita à China, se recusou a encontrar-se com Dalai Lama, líder espiritual tibetano, considerado um líder separatista por Beijing (China). Obama também teve de se posicionar quanto à questão de Taiwan, na política “uma só China”, sem poder reconhecer Taiwan como um Estado e nem interferir em sua política interna. Esses fatos demonstram os objetivos dos Estados Unidos em estreitar laços com a China.

Historicamente, os norte-americanos e os japoneses foram grandes aliados de Taiwan, apoiando sua independência, porém, atualmente esse apoio, tanto por parte dos EUA quanto por parte do Japão, tende a diminuir devido as relações comerciais destes países com os chineses.

Por isso, ano de 2010 iniciou com fortes críticas ao governo norte-americano, quando um grupo empresarial acusou Obama de comprometer a segurança de Taiwan para fortalecer os laços entre os EUA e a China continental.

A Organização dos Empresários Americanos, que tem como presidente Paul Wolfowitz, ex-presidente do Banco Mundial e ex-subsecretário americano de Defesa no governo de George W. Bush (2001-2009), defendeu a venda de armamentos dos EUA para Taiwan, uma vez tendo sido demonstrado o interesse taiwanês em comprar 66 caças Lockheed Martin F-16 C/D, para atualizar a sua atual frota de F-16.

O governo chinês se posiciona fortemente contra a venda de armamentos para Taiwan. De acordo com declarações de Hammond-Chambers, presidente do Conselho de Negócios EUA-Taiwan, os departamentos de Estado e de Defesa dos EUA têm interesses em manter as relações com os taiwaneses, mesmo que apresente complicações em seus vínculos com a China.

Infelizmente, esse esforço enfrenta resistência de uma Casa Branca que claramente vê Taiwan como um obstáculo aos interesses americanos na Ásia“, escreveu Hammond-Chambers no relatório anual datado no dia 31 de dezembro de 2008 e distribuído no dia 01 de janeiro de 2010.

Obama, assim como seu antecessor George W. Bush, retardou a apresentação ao Congresso norte-americano propostas relacionadas à venda de armas para Taiwan, alegando receio de perturbar a reaproximação entre China e Taiwan e evitar atritos com Beijing.

Desde o ano de 2007, George W. Bush iniciou uma prática de limitar a venda de armas para Taiwan. Hammond-Chambers afirmou que se não conseguir um apoio do congresso para desfazer esse bloqueio, a falta de venda de armamentos estará “enfraquecendo significativamente a modernização da Força [militar] de Taiwan” e “se o governo Obama bloquear o fornecimento de F-16 para Taiwan, a China terá uma vitória importante sobre Taiwan, sem disparar um tiro“, disse o presidente do Conselho.

As relações dos Estados Unidos com esses dois países poderão ser tensas no decorrer deste ano de 2010. Tudo vai depender das opiniões e das posições tomadas pelo governo norte-americano quanto à questão.

Desde que Ma Ying-jeou, do Partido Nacionalista (KMT), assumiu o governo de Taiwan, no ano de 2008, as relações entre as duas Chinas vem melhorando com a realização de uma série de acordos comerciais e investimentos taiwaneses na China e de investimentos chineses em seu país.

Atualmente a China é o maior parceiro comercial da “Ilha de Formosa”, com as relações entre governantes de ambos os lados ocorrendo de forma mais delicada e cautelosa para que não ocorram atritos que possam prejudicar a economia taiwanesa e nem os esforços de aproximação diplomática feita por Beijing.

A relação entre os dois lados do estreito de Taiwan se encontra em um período histórico. Segundo Jia Qinglin, membro permanente do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCH) e presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCH), o desenvolvimento pacífico das relações entre os dois países estão apresentando resultados satisfatórios.

—————————————————————————————————————————————-

* Brunei Darussalam, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Vietnam.

Tags:
Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!