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AS TENSÕES NA PENÍNSULA COREANA E A INSTABILIDADE NO LESTE ASIÁTICO

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O leste asiático vive um ano tenso, com sua segurança ameaçada devido às tensões na península coreana, onde, após o incidente da Corveta militar sul-coreana “Cheonan”, a “Paz” entre as Coréias ficou sob risco.

A Corveta  naufragou no “Mar Amarelo” em março deste ano (2010), resultando na morte de 46 marinheiros. A “guerra psicológica” travada entre os dois Estados e entre os aliados de Seul contra Pyongyang tem aumentado as tensões entre os dois vizinhos na península.

 

No mesmo período, a relações entre Estados Unidos e China, ficaram estremecidas com o anúncio  da venda de armas norte-americanas para Taiwan, logo após a visita do Dalai-Lama ao país ocidental. Também houve abalos com os desentendimentos entre a empresa norte-americana Google e o governo chinês, que ganhou status de conflito de relações exteriores entre os dois países. De forma diplomática, estadunidenses e chineses resolveram seus impasses, sem causar grandes problemas entre os dois Estados.

As atenções do globo também se voltaram para os diálogos das potências ocidentais juntamente com a Rússia, o Japão, a Coréia do Sul e a China para trazerem a Coréia do Norte de volta às negociações sobre seu programa nuclear.

O processo encontrou intensas barreiras, principalmente após o governo norte-coreano se recusar a retornar à mesa de negociações, responsabilizando os Estados Unidos por tal postura. Segundo avaliaram, estes mantiveram uma linha argumentativa centrada nos malefícios para a estabilidade e a paz causados pelo “programa nuclear” do país asiático e não propiciaram elementos e argumentos adequados para que retornassem às negociações.

Com relação ao caso da Corveta, o governo norte-coreano nega o seu envolvimento e afirma que os Estados Unidos e os “traidores do Sul” (Coréia do Sul) estão “armando” para afetar a respeitabilidade da Coréia do Norte frente as nações.

Após o incidente, a principal medida identificada foi o conjunto de sanções da Coréia do Sul contra o norte, cortando seus laços e congelando os programas de ajuda. A Coréia do Norte sofreu forte impacto na economia e estabilidade interna por causa dessas sanções, pois a China, sua aliada histórica, e os sul-coreanos, com seus projetos de ajuda e desenvolvimento são responsáveis por grande parte da economia norte-coreana em diversos campos.

Mesmo com as fortes sanções que está recebendo, mesmo sofrendo grande pressão internacional para interromper o “programa nuclear” e mesmo depois de “pedir desculpas” aos vizinhos do sul, a Coréia do Norte manteve sua postura rígida, continuou com os argumentos de que os norte-americanos e sul-coreanos criaram as acusações e anunciou que estava pronta para revidar, caso Seul decidisse atacá-los.

A falta de um diálogo com comprometimento de todos os envolvidos favoreceu ao crescimento das tensões. Porém, segundo observadores, os exercícios militares conjuntos entre estadunidenses e sul-coreanos no Mar do Japão no final de julho estão sendo um fator determinante.

Esses exercícios não ganharam atenção apenas de Pyongyang, mas também de Beijing. O governo chinês foi contra a realização das manobras militares com forças estrangeiras no “Mar Amarelo”, pois poderiam interferir na segurança nacional da China.

Para alguns analistas, tais atividades podem despertar a atenção de outros países que não estão envolvidos no caso, como a China, que, embora tenha se declarada neutra em relação ao caso, teve que se manifestar contra as manobras próximas de seu mar territorial, já que, da sua perspectiva, a utilização deste tipo de manobra, com a finalidade de pressionar psicologicamente a outra parte, pode ter efeito contrário ou maléfico para outras nações, caso seja cometido algum erro.

Analisando os fatos e as ações dos envolvidos, transparece um dos efeitos desta pressão psicológica. Desde o anúncio de exercícios militares, o governo norte-coreano ameaçou retaliar com armas nucleares. Os  exércitos de ambos os envolvidos mobilizaram mais de 8 mil soldados do lado de Seul e aliados e o governo do norte divulgou a preparação de seus solados e civis para se protegerem de uma possível invasão.

Washington e o governo sul-coreano já divulgaram que exercícios conjuntos poderão se repetir mensalmente até que o governo norte-coreano entenda o recado acerca dos riscos de suas ações.

Fora tais exercícios conjuntos entre os aliados, as forças militares da Coréia do Sul iniciaram manobras militares unilateralmente no “Mar Amarelo”, no mesmo local onde ocorreu o naufrágio da corveta Cheonan, mas sem contar com militares estrangeiros e, por isso, sem despertar uma manifestação de Beijing, que tem parte da jurisdição destas águas.

Os militares do sul estão concentrados em operações anti submarino, mobilizando 29 navios de guerra, 50 aeronaves de combate e 4500 soldados das três forças do país: Marinha, Exército e Força Aérea.

Em contra-partida, os norte-coreanos se mobilizaram e estacionaram um sistema de mísseis terra-ar de longo alcance na região de fronteira. Segundo o jornal sul-coreano, “Chosun Ilbo”, citando uma fonte militar de seu país, os mísseis são do modelo AS-5, um potencial perigo aos aviões da “Força Aérea” sul-coreana, que sobrevoam o espaço aéreo regional.

Segundo Seungjoo Baek, do “Instituto Coréia para Análise de Defesa”, “se a Coréia do Norte realizar ações militares contra a Coréia do Sul, a Coréia do Sul irá retaliar fortemente contra os militares da Coréia do Norte”. Ainda em suas declarações, acompanhadas por outros analistas de defesa, apesar de ter o quinto maior exército do mundo, a Coréia do Norte, não resistiria um combate longo por falta de recursos para se manter em condições de combate, além do fato de não ter um aliado para lhe fornecer suprimentos e armamentos caso este possível conflito dure entre três e seis meses. “Esses exercícios servirão como oportunidade para completar nossa preparação de combate, de modo a podermos prever a provocação do inimigo”, acrescentou Baek.

Ao norte,  a rede estatal de noticias do país, a KCNA, faz divulgações para a população civil, afirmando que o Exército adotou “uma resolução decisiva para conter com uma forte reação física os imprudentes disparos navais projetados pelo grupo de traidores”.

As ações militares entre coreanos e aliados também foram acompanhadas, embora não oficialmente, por uma mobilização na China, com exercícios militares entre forças de diferentes regiões chinesas. Por coincidência, neste ano, as manobras ocorreram em terra, na província de Shandong, região próxima do “Mar Amarelo”, reunindo mais de 12 mil militares.

Contraditoriamente, em meio ao uso desta “estratégia de dissuasão” (de forma resumida, é a estratégia que se configura em apresentar a capacidade de combate, intimidando qualquer iniciativa do adversário) a Diplomacia tem diminuído e não se consegue buscar os elementos necessários para que a guerra seja evitada. Pelos costumes e disciplina coreana acredita-se que é difícil para Pyongyang negociar com aqueles a quem chama de “traidores” e, principalmente, com estrangeiros.

A China seria um dos fortes candidatos a mediar as negociações de paz para evitar a nova guerra, graças a sua relação histórica com a Coréia do Norte e também por não se posicionar a favor de qualquer dos Estados até o momento. Além disso, os chineses são vizinhos da península coreana e a cultura coreana tem elementos da cultura chinesa, o que facilita na criação de um planejamento para a resolução do impasse. O problema se concentra em como trazer a China para a mediação, já que a comunidade internacional a pressiona para se posicionar por uma das Coréias.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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