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Atual governo de Honduras abre espaço ao diálogo, mas sem abrir mão de seu posicionamento

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O atual presidente hondurenho, Roberto Micheletti, abriu a possibilidade de diálogo na próxima semana com a delegação da OEA (Organização dos Estados Americanos), que havia sido impedida de entrar no país, uma vez que se recusava a solicitar autorização do governo, por não reconhecê-lo.

 

Roberto Micheletti anunciou que poderá encontrar os representantes da OEA, da mesma forma que autorizou a entrada dos parlamentares brasileiros no seu país, para verem a situação na embaixada do Brasil.

O governo também está revendo a declaração de que os brasileiros deveriam decidir em dez dias o status de Manuel Zelaya (ex-presidente afastado) na embaixada brasileira, senão tomaria uma medida judicial. Esta foi à declaração que trouxe apreensão ao Brasil e levou a sociedade internacional a reiterar as exigências de que o atual governo deve respeitar as convenções internacionais.   

Na atual conjuntura, as declarações de Micheletti são de que poderá rever posicionamentos, como a retirada do “estado de sítio”, diante das solicitações dos candidatos presidenciais nas eleições de 27 de novembro de 2009, mas que manterá fechados os dois meios de comunicação que estão incitando o povo à violência.

Além disso, declarou que se for solicitado pelo povo, pelo Congresso e pela Corte Suprema ele renuncia. Isso tem sido anunciado pela mídia internacional como uma declaração de perda de força.  

No entanto, diante da conjuntura, com a fragmentação dentro da OEA, estando agora indefinida a postura da instituição a respeito do reconhecimento do resultado do pleito eleitoral, o governo de Micheletti percebe que pode recuar, sem perder poder.

Além disso, com o distanciamento nas posições de Brasil e EUA está dando ao governo hondurenho tranqüilidade para buscar formas de se manifestar perante a comunidade internacional, algo que foi negado até o momento.

Os dois países se mostraram antagônicos em relação a Honduras na reunião da OEA e da ONU, apesar de as declarações oficiais serem de convergência. Algo que não está ocorrendo, inclusive recebendo, os brasileiros, críticas diretas e explícitas dos representantes norte-americanos, que deixaram claro que nosso governo acabou sendo responsável pelo problema momentâneo em Honduras.

O tempo que resta a Zelaya para buscar uma saída é de dois meses. Nesse sentido, é possível que ocorram manifestações e Micheletti acabe enrijecendo a postura novamente e depois se afaste do governo, mas nada garante que aquele que assumir interinamente não dê seqüência a estratégia adotada: adiar seguidamente as reuniões com a sociedade internacional, e quando ocorrerem não chegar a resultados concretos, para ganhar tempo, já que, se conseguir realizar a eleição, terá alcançado a vitória.

A Zelaya resta tentar demover o governo brasileiro dos impedimentos para se manifestar da embaixada e voltar a fazer discursos para incitar a parte do povo que o apóia, o que obrigará o uso da violência por parte do governo.

Após o retorno dos parlamentares, o posicionamento brasileiro poderá adquirir uma postura diferente e, se isso ocorrer, também se modificará o posicionamento do governo Micheletti diante dos representantes da OEA e a sua condução da crise. O triunfo de Micheletti será conseguir realizar as eleições em 27 de novembro.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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