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Aumentam as manifestações no Afeganistão em represália à queima do Corão

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As manifestações no Afeganistão estão aumentando e chegando à situação de extrema violência devido à revolta contra a queima de um exemplar do Corão, ocorrida em 20 de março deste ano, 2011, nos EUA.

Neste dia, o pregador Wayne Sapp simulou um julgamento contra o “Livro Sagrado” dos muçulmanos, sob orientação do pastor Terry Jones, do “Dove World Outreach Center”, em Gainesville, na Flórida.

Jones foi o pastor que em setembro do ano passado (2010) anunciou que queimaria vários exemplares do Corão em público, como manifesto contra as violências, “radicalismo” e imposição de uma pauta que os muçulmanos estavam colocando à sociedade norte-americana, uma vez que se previa a construção de uma Mesquita nas cercanias do local em que foram atacadas as “Torres Gêmeas” do “World Trade Center”.

Na época, este pastor conseguiu ser persuadido por autoridades dos EUA e mundiais a não executar o ato, tendo elas mostrado que sua atitude levaria a uma escalada de violência sem controle por todo o Oriente Médio e norte da África. Naquele momento, o pregador anunciou que não mais o faria, renunciando definitivamente à ação.

Por esta razão, observadores acreditam que a queima de um exemplar do Livro feita por Sapp, sob a testemunha Jones, foi uma estratégia realizada para que o pastor não retrocedesse em sua promessa. Por isso, ele também está sendo responsabilizado pelo ocorrido no dia 20 de março, tanto quanto o pregador que executou a sentença após afirmar que “Alcorão tinha sido considerado culpado. (…) Culpado de causar morte, estupro e terrorismo”.

O mundo está apreensivo com as respostas que virão e pela maneira como o ato será usado pelos rebeldes, manifestantes, radicais e lideranças nos Estados em crise nas nações árabes e no Oriente Médio, embora a notícia sobre o acontecido tenha sido pouco disseminada, imediatamente após o ocorrido.

Neste momento, o processo de resposta dos muçulmanos está em andamento no Afeganistão com uma revolta que já causou várias mortes e feridos ao longo dos últimos dias, tendo sido informado que os revoltosos radicais estão assassinando nacionais e estrangeiros, como ocorreu na sede da ONU no país, a qual foi dominada com execuções de civis e militares. Houve denúncias de que funcionários estrangeiros das “Nações Unidas” foram “degolados”.

Da mesma forma, circulam notícias de que tropas do governo estão atirando contra o povo. Grupos dentro do país aproveitaram da atitude do pastor para se manifestar contra os ocidentais, denunciando que os funcionários das “Nações Unidas” e os estrangeiros presentes no território apenas criaram uma rede de corrupção usada em proveito do atual líder no poder, o presidente Hamid Karzai, sendo esta a explicação apresentada pelos manifestantes para justificar a fúria contra a ONU. Segundo alegam, os recursos disponibilizados para o Afeganistão não beneficiaram o povo, mas aos grupos no poder com apoio externo.

Karzai solicitou ao presidente dos EUA, Barack Obama, que este punisse os responsáveis pela queima do Corão. Obama condenou veementemente a atitude, manifestando repúdio pelo ato, mas se acredita que nada poderá ser feito devido aos direitos que o grupo religioso tem, algo que é respeitado nos EUA.

O mandatário estadunidense ficou também com o problema de responder às ações dos manifestantes afegãos, por isso está vendo ser limitada qualquer ação imediata. Suas declarações, feitas no sábado, dia 2 de abril, foram: “A profanação de qualquer livro sagrado, incluindo o Alcorão, é um ato de extrema intolerância e fanatismo. No entanto, atacar e matar pessoas inocentes como resposta é atroz, e uma afronta à decência e à dignidade humanas. Nenhuma religião tolera a matança e a decapitação de pessoas inocentes, e não há justificativa para semelhante ato desonroso e lamentável”.

Ou seja, diante dos radicalismos de ambas as partes, ele se viu obrigado a evitar maiores incentivos à extremismos. No entanto, analistas acreditam que os desdobramentos serão maiores e poderão dar outro estímulo às rebeliões que estão ocorrendo na região do Oriente Médio.

De qualquer forma, vário observadores estão se perguntando o que levaria os pastores a realizar tal ato neste momento de grande violência nas sociedades árabes e muçulmanas. Indagam sobre a quem beneficiaria trazer mais este conteúdo para as manifestações dos muçulmanos no Oriente Médio e no norte da África, supondo que os pastores não agiram sozinhos, mas foram e estão sendo estimulados por um terceiro, ou por algum grupo.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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