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Avaliações da visita da presidente Dilma na China (Parte 1)

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As relações Brasil-China vem surpreendendo brasileiros, chineses e outros observadores internacionais, pelo curto tempo das aproximações (últimos 10 anos) e pelo rápido crescimento do relacionamento. Desde o início do governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva esteve em discussão a questão das exportações de commodities brasileiras e importação de manufaturados chineses, mas a viagem da atual presidente Dilma Rousseff ao país asiático pode ter aberto um novo “horizonte” para estas relações.

Antes de se pensar no pós-viagem da presidenta e dos Acordos assinados, precisam ser analisados os impasses comerciais destas duas nações antes dela. Por parte dos brasileiros, o mercado interno sofre constantes mudanças com o acréscimo de medidas de proteção comercial contra a entrada de bens e produtos manufaturados chineses que põem em risco a indústria nacional. Pelo lado chinês, a necessidade de recursos brasileiros para manter sua economia crescente, faz com que eles continuem comprando do Brasil e seu empresariado mantém o discurso de que “o empresariado brasileiro teme a concorrência externa”.

Estas discussões comerciais e dos empresários de ambos países foram apresentados no “Site do CEIRI” na “Análise de Conjuntura”: “Debate comercial entre Brasil e China: Uma discussão sem comparações” (Partes 1 e 2), no dia 9 de fevereiro deste ano.

No campo diplomático, o Brasil durante o governo Lula manteve seu interesse em ganhar apoio chinês para ocupar uma cadeira de membro permanente no “Conselho de Segurança das Nações Unidas” (CS da ONU) e a China, permaneceu com seu objetivo de ser reconhecida como uma “economia de mercado” por parte do governo brasileiro.

Os interesses chineses e brasileiros estiveram em discussão durante a reunião de Dilma Rousseff com o presidente chinês, Hu Jintao. Foi um encontro que rendeu frutos positivos, como disseram os representantes chineses, “frutos ao longo prazo”, dando a entender que a cooperação Brasil-China em diversos temas, trará resultados nos próximos anos.

Ainda no campo diplomático, o encontro destes dois líderes apresentou resultado positivo para a diplomacia brasileira em seu interesse pelo CS da “Organização das Nações Unidas” (ONU).  A China, oficialmente, assumiu seu posicionamento a favor de uma maior atuação do Brasil na organização, um importante passo para o interesse brasileiro em ganhar um assento permanente no Órgão.

A reforma da ONU é um tema discutido entre muitas nações em Fóruns e eventos de diferentes temas. Países como o Japão, Alemanha, Brasil e outros candidatos são observados para exercer papel determinante na estrutura da instituição. O governo chinês, defendendo a idéia de ser “prioritária” a participação de um país em desenvolvimento no organismo, defendeu o Brasil para o cargo.

A China compreende e apóia a aspiração brasileira de vir a desempenhar um papel mais proeminente nas Nações Unidas (…)”. China e Brasil “reafirmaram a necessidade da reforma da ONU, de forma a torná-la mais eficiente e capaz de tratar dos desafios globais atuais” e “apóiam uma reforma abrangente da ONU, incluindo o aumento da representação dos países em desenvolvimento no Conselho de Segurança como uma prioridade”.

A China atribui alta importância à influência e ao papel que o Brasil, como maior país em desenvolvimento do hemisfério ocidental, tem desempenhado nos assuntos regionais e internacionais, compreende e apóia a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas”, diz um trecho do “comunicado conjunto oficial”.

Outro posicionamento semelhante por parte dos chineses já havia sido apresentado, mas não chegou a ganhar uma projeção significativa. Alguns analistas trabalham com a tese de que, como o governo da China não apóia o Japão no “Conselho de Segurança” e também não se posiciona a favor da Alemanha e da Índia, o país sul-americano seria a melhor opção, aproveitando o momento saudável das relações destes “gigantes emergentes”.

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Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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