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BOLIVARIANISMO COMEÇA A SER QUESTIONADO. AGORA, TAMBÉM NO EQUADOR

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A onda esquerdizante que tomou conta da América Latina nos últimos dez anos está sofrendo abalos em quase todos os países que adoraram posturas, regimes, ou governos à esquerda na região, em especial naqueles que se posicionaram como bolivarianos.

Somente a Bolívia tem apresentado resultado positivo com a crescente liderança de seu presidente, Evo Morales, recentemente reeleito, e com o controle do Legislativo por parte do partido do presidente Morales, o Mas (Movimento al Socialismo / Movimento para o Socialismo).

 

No Uruguai, apesar da vitória do ex-guerrilheiro Mujica e da forma como foi divulgada esta vitória, esperava-se que ela acontecesse no primeiro turno, graças a grande popularidade do presidente Tabaré Vasquez, de quem Mujica apresenta-se como seguidor.

No entanto, a vitória se deu apenas no segundo turno ficando aquém do esperado. É um indício de que o povo avalia positivamente a base de esquerda que governa o país, mas adota postura mais pragmática que ideológica e observa o desempenho do governante, mais que comportamentos ideologizados. Isto foi respaldado por analistas que afirmam ter ocorrido à vitória, principalmente, graças ao prestígio e apoio dado por Vasquez.

Em Honduras o caminho foi interrompido com o movimento que afastou Manuel Zelaya (ex-presidente que assumiu postura pró-bolivariana). No Paraguai, o presidente Fernando Lugo, tem sofrido oposição do Congresso do país e vem perdendo o apoio da base política, bem como da população. Além disso há possibilidades de ser afastado do poder por um processo político no Congresso  paraguaio.

Na Argentina, embora não haja bolivarianismo, mas um comportamento identificado pelos analistas como pragmático e populista do governo, a presidente Cristina Kirchner sempre se posicionou como aliada da esquerda latino-americana e também está perdendo o apoio popular e o paoio da base partidária, vendo a oposição crescer, com grandes possibilidades de vencer nas próximas eleições.

O Chile foi o caso mais significativo, pois, apesar do grande índice de aprovação da Presidente (81%), ela não conseguiu eleger o seu candidato. Outro exemplo em que a maioria da população demonstra não ter vínculos ideológicos com o governo, ou seus governantes.

Os dois países bolivarianos por excelência, até o triunfo de Morales na Bolívia, eram a Venezuela e o Equador. As condições na Venezuela estão demonstrando o esgotamento do modelo político e econômico adotado pelo presidente Chávez, com riscos iminentes de uma convulsão social, ou com a declaração de guerra para algum país vizinho, como forma de desviar a atenção do povo venezuelano e buscar um inimigo comum, uma tática muito adotada na década dos anos 30 do século XX, por alguns regimes europeus. O inimigo imediato para esta hipótese é a Colômbia, mas seu poderio poderá levar a rápida derrota de Chávez. Há, contudo, uma possibilidade que não está sendo muito tratada pelos analistas: a Guiana.

Este país, militarmente, é menos poderoso que a Venezuela. Há uma região fronteiriça sob disputa com os venezuelanos e há militares americanos no seu território para servirem de justificativa. Não se pode esquecer que os anúncios do final do ano passado (2009) feitos por Chávez de que aeronaves dos EUA haviam invadido o espaço aéreo da Venezuela se deviam, principalmente, ao fato de aviões norte-americanos estarem realizando vôos sobre este território da Guiana, que o presidente venezuelano alega ser de seu país. Ou seja, é um cenário mais adequado para Chávez, no caso de necessitar produzir uma guerra.

Agora é o Equador que está sob foco. O presidente Rafael Correa, um dos que tinha maior apoio popular, perdeu quase trinta pontos percentuais. Caiu a aprovação de 71% para 40%, demonstrando que o país começa a questionar seu governo. O Presidente tem realizado grandes embates contra a mídia, considerada sua maior inimiga, e, inclusive, está adotando postura de censura no país.

O Equador passa por crise energética semelhante a que ocorre na Venezuela e, apesar de a razão ser o fenômeno natural do “El Nino”, o povo está acusando o governo de não ter tomado as medidas certas, que poderiam ter evitado a crise.

Setores da sociedade civil também têm se manifestado com mobilizações, demonstrando descontentamento com as políticas adotadas pelo presidente. Acrescentando-se a isso que os recursos vindos da Venezuela estão escasseando.

O cenário para a esquerda na América Latina começa a demonstrar um momento de inflexão e dois acontecimentos serão fundamentais na identificação dos rumos futuros, além de poderem trazer algumas tragédias para a região, pois são determinantes para acelerar, ou retardar a onda de questionamentos e contraposições à esquerda no continente e o reposicionamento das alianças. São eles: as eleições no Brasil, em outubro de 2010, e o comportamento belicoso de Hugo Chávez.

 

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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